Empresário aponta parceiro que Funaro teria omitido em delação premiada

Investigado pela Polícia Federal, o empresário Arthur Pinheiro Machado revelou em depoimento um personagem omitido na delação do doleiro Lúcio Funaro. Trata-se de Marcos Jacobsen, ex-sócio de Machado em negócios com fundos de pensão e que, segundo o empresário, teria se tornado parceiro de Funaro.

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Arthur Pinheiro Machado foi alvo no ano passado da operação Grand Bazaar, que investiga um capítulo da delação do doleiro. Funaro acusa o empresário de pagar R$ 9 milhões para que a CPI dos Fundos de Pensão, instaurada em 2015, não convocasse dirigentes de fundos que tiveram negócios com ele.

Machado nega que pagou propina, mas deu detalhes à PF sobre a até então desconhecida relação de Funaro e Jacobsen, que não foi citada na delação do doleiro.

Procurado, Funaro disse que não conhece Jacobsen e que, se Machado afirmou isso em juízo, será processado. "Nunca extorqui ninguém nem autorizei ninguém a falar em meu nome com ele. Sobre Arthur Pinheiro Machado, fico à disposição para fazer uma acareação com ele, caso seja definido pela Justiça", disse em nota.

No depoimento à PF, Machado contou como foi a atuação de Funaro envolvendo ele e Jacobsen na época da CPI dos Fundos de Pensão. O empresário diz que foi procurado por Funaro com uma sugestão para “extorquir” Jacobsen, ex-sócio e então desafeto de Machado. A ideia era usar as convocações na Câmara para expor Jacobsen. A CPI podia atingir Jacobsen em razão de sua empresa Risk Office, ter dado aval técnico a investimentos deficitários do Postalis, o fundo de pensão dos Correios.

“No dia 15 de outubro de 2015, Lúcio Funaro encaminhou um e-mail a Fernando Guimarães (advogado de Machado), enviando trecho de uma conversa entre Lúcio Funaro e Margotto (não soube informar quem é), na qual há referências a uma possível extorsão a Marcos Jacobsen envolvendo inclusive a utilização de convocações na Câmara dos Deputados na qual seria abordada a condenação criminal de Marcos Jacobsen”, disse o empresário.

Segundo Machado, ele entendeu o recado como uma oferta para que Funaro fosse contratado para prejudicar Jacobsen, que estava envolvido em um processo de arbitragem contra Machado. “Que o declarante compreendeu tais mensagens como uma forma de pressão de Lúcio Funaro para ser contratado pelo declarante”, disse no depoimento.

O e-mail foi enviado no dia seguinte a um pedido de convocação de Jacobsen na CPI. Outro pedido contra Jacobsen havia sido apresentado na Comissão um mês antes.

Machado diz que recusou a oferta e, segundo o depoimento à PF, Funaro então se aliou ao próprio Jacobsen para fazer negócios. “Cerca de duas semanas depois, Lúcio Funaro disse ao declarante que tinha fechado um grande acordo com Marcos Jacobsen não apenas para atuar na arbitragem em desfavor do declarante, mas em outros negócios, já que Marcos Jacobsen tinha influência na Previc”, afirmou Machado.

Os registros da CPI mostram que Jacobsen foi envolvido na Comissão sobre os Fundos de Pensão no período em que fez o acordo com Funaro, informado à PF por Machado. Os dois requerimentos contra Jacobsen nunca foram votados pela CPI e, portanto, a convocação não aconteceu e o empresário escapou da investigação.

Apesar dos fatos narrados por Machado à PF, Funaro não citou Jacobsen em sua delação. No seu acordo, o doleiro disse que recebeu propina de Arthur Pinheiro Machado para que dois dirigentes de fundo de pensão não fossem convocados – um deles, contudo, falou por duas vezes à CPI. O destinatário desse dinheiro seria o deputado Sérgio Souza (MDB-PR), relator da CPI. Ele nega as acusações.

Além de negar qualquer relação com Jacobsen, Lúcio Funaro afirma que não pode comentar o conteúdo de sua delação que segue em sigilo, “sobretudo a partir de supostas declarações de criminosos”.

Empresário aponta parceiro que Funaro teria omitido em delação premiada | Bela Megale – O Globo

https://blogs.oglobo.globo.com/bela-megale/post/empresario-aponta-parceiro-que-funaro-teria-omitido-em-delacao-premiada.html

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