Com a intenção de preparar setores estratégicos para os riscos climáticos e a transição para a economia de baixo carbono será lançado um relatório global
Com a intenção de preparar setores estratégicos para os riscos climáticos e a transição para a economia de baixo carbono será lançado hoje, em sua versão em português, um relatório global sobre como se preparar para as ameaças da mudança do clima no mercado de capitais.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Trata-se, na verdade, de um relançamento – ou melhor, a versão traduzida de um conjunto de resoluções lançado em 2017 e elaborado por especialistas de bancos, seguradoras, empresas e bolsas de valores de várias partes do mundo. A intenção é fazer com que empresas e investidores tornem transparentes seus portfólios e considerem os riscos climáticos em suas ações para a transição energética.
Foi a linha do Fórum Econômico Mundial de Davos este ano. A iniciativa começou em dezembro de 2015, durante a conferência do clima da ONU em Paris, a CoP 21.
Na ocasião, as Nações Unidas estruturam uma força-tarefa para estudar os impactos da mudança do clima no setor financeiro – tanto em ativos que perderiam valor em um cenário de redução de emissões de gases-estufa como entre seguradoras, por exemplo, que deveria lidar com as perdas causadas por eventos climáticos extremos.
A iniciativa foi liderada pelo empresário e político americano Michael Bloomberg e pelo ex-presidente do Banco da Inglaterra Mark Carney. Entre as recomendações há sugestões de governança, estratégia, gestão de riscos e métricas.
Entre os setores-alvo estão grandes emissores ou que causam impacto ambiental, como energia, transportes, material de construção, agricultura (alimentos e produtos florestais) e, no setor financeiro, bancos, seguradoras, fundos de pensão e de investimentos e gerenciadores de ativos.
No Brasil, contudo, o esforço teve baixa adesão, com apenas 20 entidades. No mundo, são 1200 entre corporações, governos nacionais, ministérios, bancos centrais, órgãos reguladores, bolsas de valores e agências de classificação de risco. A intenção é construir um sistema financeiro mais resiliente à emergência climática.
A tentativa, agora, é de dar novo impulso ao esforço no Brasil. São duas as razões para a baixa adesão no país, acredita a economista Denise Pavarina, ex-diretora do Bradesco e do BNDES e vice-presidente da Força-Tarefa para Divulgações Financeiras Relacionadas às Mudanças Climáticas. “A empresa, de um lado, acredita não ver o impacto diretamente. Há também o receio de abrir informações estratégicas e, ainda, dificuldade de estabelecer cenários de preço e de riscos climáticos”, diz.
Um dos eixos é promover a transparência de ações e carteiras de investimento, algo que em inglês é conhecido por “disclosure”.
“Queremos convidar as empresas a refletir sobre os riscos climáticos, que não são triviais, mas que devidamente tratados a tempo podem melhorar o valor dos ativos e não ameaçar”, continua Denise. “A visão de que a informação prejudica é algo perversa. Se eu, como investidor, não vejo a empresa discutir este tema quando planeja suas ações, posso ficar preocupado”, segue. “O mercado valoriza quem trata os riscos adequadamente.”
Deixar de considerar no planejamento os riscos da mudança do clima para os negócios pode significar danos à reputação da marca, eventuais perdas financeiras e até ter que enfrentar, de maneira despreparada, tarifas ambientais que podem ser adotadas no exterior.
Hoje haverá um webinar sobre as tais recomendações. Será conduzido por Mary Shapiro, ex-presidente da SEC (a comissão de valores imobiliários americana), e Michael Rosenauer, diretor da GIZ no Brasil, que ajudou a traduzir o relatório. Estarão também Denise Pavarina e os presidentes da Febraban, Isaac Sidney, e da CVM, Marcelo Barbosa, além de Marina Grossi, que lidera o Cebds, entidade que reúne grandes empresas no Brasil.
Relatório alerta mercado de capitais sobre riscos climáticos | Finanças | Valor Econômico
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