A crise que sufoca o setor de aviação se aprofundou ontem, com companhias aéreas cancelando voos, revendo projeções de lucros e adotando uma série de medidas de austeridade para enfrentar a queda do número de passageiros provocada pela epidemia do novo coronavírus.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Scott Kirby, CEO da United Airlines, disse que companhia está se preparando para uma queda de receita de cerca de 70% em abril e maio. “Estimamos que a preocupação pública em relação ao vírus vá piorar antes de melhorar”, disse.
A Korean Air reduziu a oferta em 80% e vê risco para o negócio, se a epidemia não for controlada rapidamente
Nos Estados Unidos, além da United Airlines, a American Airlines e a Delta suspenderam as projeções financeiras para 2020 que tinham feito anteriormente.
Alan Joyce, CEO da australiana Qantas, disse: “Acho que teremos uma situação em que só os mais fortes sobreviverão.” O executivo apresentou ontem medidas drásticas de corte de custos que incluem o cancelamento de quase um quarto dos voos internacionais, solicitação aos funcionários para que tirem licenças não remuneradas e o sacrifício de seu próprio salário pelos próximos três meses. [Em medida semelhante, o CEO da Southwest Airlines, Gary Kelly, disse aos funcionários que cortará 10% de seu salário por conta do cenário adverso, segundo a Dow Jones].
“Sabemos que podemos superar isso, mas nem todas as companhias aéreas do mundo conseguirão”, disse Joyce.
A Norwegian Air Shuttle informou que vai cortar 3 mil voos nos próximos três meses, cerca de 15% de sua capacidade total.
A situação começa a ficar crítica nos países mais afetados pelas restrições a viagens. A Korean Air alertou que pode não sobreviver se a epidemia não for controlada rapidamente. O grupo cortou em 80% a oferta de assentos em voos internacionais por causa do vírus, em comparação à redução de 18% que fez em 1997-1998, durante a crise financeira da Ásia.
“O que é assustador é que a situação pode piorar a qualquer momento e não temos como prever quanto tempo vai durar”, disse Woo Kee-hong, CEO da Korean Air, em e-mail encaminhado aos funcionários a que o “Financial Times” teve acesso. “Se a situação continuar por um período mais longo, podemos chegar ao ponto em que não teremos como garantir a sobrevivência da companhia.”
As principais empresas aéreas da China – Air China, China Eastern Airlines, China Southern Airlines e Hainan Airlines – cortaram rotas e colocaram pilotos sob licença não remunerada. Algumas estão tendo que refinanciar suas frotas. O governo chinês vem fornecendo subsídios e considera a possibilidade de socorrer a Hainan, que é a quarta maior companhia aérea do país.
A demanda por viagens despencou com a expansão do contágio fora da China. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) calcula que o novo coronavírus pode reduzir a receita mundial das companhias aéreas com passageiros em no mínimo US$ 63 bilhões e no máximo US$ 113 bilhões.
A Delta informou ontem que vai adiar US$ 500 milhões em investimentos, suspender recompras de ações e atrasará US$ 500 milhões para fundos de pensão. Além disso, impôs o congelamento de contratações e está oferecendo vantagens para demissões voluntárias como parte de seus esforços de redução de custos.
“À medida que o vírus se espalhou, vimos um declínio na demanda do setor e estamos adotando iniciativas para proteger a posição financeira da Delta”, disse Ed Bastian, CEO da companhia americana.
A America Airlines informou que a oferta de assentos em voos internacionais será reduzida em 10% durante o pico do verão americano [terceiro trimestre], incluindo uma redução de 55% na capacidade transpacífica. No âmbito doméstico, a capacidade será reduzida em 7,5% em abril.
Entre as mudanças em sua malha aérea, a American decidiu suspender os voos para a China e Hong Kong que partem de Los Angeles durante o verão. A companhia também está suspendendo os voos para Roma e Itália que partem da Filadélfia.
No mesmo dia em que o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, proibiu todas as viagens não essenciais, a companhia aérea de baixo custo Ryanair suspendeu todos os voos com destino ou origem no país.
A Norwegian Air Shuttle informou ontem que também está implementando medidas emergenciais que incluem a suspensão temporária do contrato de trabalho de parte dos funcionários. Os cancelamentos de 3 mil voos ocorrerão entre a metade de março e a metade de junho. Em nota interna encaminhada aos empregados, a que o “Financial Times” teve acesso, a companhia afirmou que precisa “estar preparada para um cenário em que nossa capacidade será reduzida em até 50%”.
A União Europeia também informou ontem que relaxará as exigências para que as companhias aéreas mantenham seus “slots” (horários de pouso e decolagem) em aeroportos da região, como forma de ajudar o setor. Em circunstâncias normais, as empresas perdem os “slots” se não realizam as operações em 80% dos horários que dispõem – uma exigência cada vez mais difícil de cumprir diante dos cancelamentos de voos causados pelo novo coronavírus.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, disse que o relaxamento das regras também diminuirá as emissões de poluentes ao evitar os chamados voos fantasmas – quando as companhias colocam no ar aviões quase sem passageiros para manter seus “slots”. “Esse é apenas um exemplo de um setor de que precisa e ajuda e estamos prontos para agir”, disse.
Companhias aéreas cortam custos e até salário de CEO | Empresas | Valor Econômico
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