PETROS – Prévia dos resultados fechados de 2019

Mensagem do diretor de Investimentos

O objetivo da gestão de investimentos da Petros é criar condições para que os planos tenham ativos suficientes para honrar o passivo quando eles forem devidos. A natureza de longo prazo do passivo faz com que as variações das taxas de juros produzam um impacto potencialmente relevante sobre o valor presente do passivo, daí a necessidade de avaliar continuamente o impacto da estratégia de gestão sobre a trajetória do ativo em relação ao passivo.

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As novas Políticas de Investimentos da Petros e a nova Política de Gestão de Riscos representam uma evolução importante, pois propiciam um enorme ganho em termos de governança, transparência e controles de riscos. Um dos maiores avanços que as novas Políticas de Investimentos trouxeram é o foco prioritário no passivo no caso dos planos BD (Benefício Definido), uma contribuição do presidente do Conselho Deliberativo e da GRC (Gerência de Gestão de Riscos e Conformidade), cuja incorporação ao nosso processo de investimento melhora as salvaguardas contra um descasamento inesperado.

Assim, a nova abordagem de investimentos e gestão de riscos traz o passivo para uma posição central na tomada de decisão. A partir de 2020, no caso dos planos BD, a Petros trabalhará com dois portfólios. O PR – Portfólio de Referência, elaborado pela GRC a partir de uma otimização que minimiza a volatilidade da diferença entre ativo e passivo, será o principal benchmark do nosso modelo. O PR serve de base para a definição de duas bandas de desvio dentro das quais o Portfólio Estratégico (PE – otimização de ativos com vistas a atingir a meta atuarial com o menor risco) e a carteira efetiva dos ativos tem que estar contidas. Outro avanço é a adoção da abordagem da Carteira Total para avaliação do risco, o que propicia um controle do risco total de cada plano.

Atingir a meta atuarial de inflação mais 4 ou 5 pontos percentuais, nas novas condições de juros baixos, requer aumentar posições nos ativos com maiores retornos e, consequentemente, maiores riscos. Os modelos de alocação que estamos desenvolvendo buscam a solução de menor risco com maior diversificação para atingir o retorno exigido pela meta atuarial.

Como nossos modelos de otimização estão na fase inicial de desenvolvimento, temos muito aprendizado pela frente. Em particular, nos próximos meses, será preciso avaliar a pertinência e o apetite ao risco de descasar ativo e passivo, se o cenário de alta de juros for confirmado. Outra questão relevante diz respeito à dinâmica intertemporal da meta atuarial e à forma como isso está orientando o modelo do PR, pois num cenário em que as taxas longas subam, mas a meta atuarial permaneça constante, alguns resultados seriam diferentes. Em outras palavras, se houver um conflito entre a estratégia que maximiza a chance de atingir a meta atuarial e a estratégia que minimiza a diferença entre ativo e passivo, será preciso arbitrar com sabedoria qual o objetivo prioritário e comunicar isso de forma clara, tempestiva e transparente para que os participantes não se surpreendam.

Na visão da área de investimentos, é preciso especial atenção ao risco de retorno negativo nos papéis indexados à inflação. Do ponto de vista da meta atuarial, este será o principal risco a partir do segundo trimestre e uma alocação elevada ao IMA-B 5+ poderá expor a Petros ao risco de não atingir a meta atuarial em 2020. O IMA-B 5+, que terminou 2019 com 30,4% de rentabilidade, apresentou em novembro uma rentabilidade negativa de 4,1%, e desde então, perdeu impulso de valorização. A projeção de retorno do IMA-B 5+ para 2020 é de um rendimento em torno de 3,8%, o que faz com que uma alocação expressiva em um ativo que rende menos da metade da meta atuarial tenha que ser compensada com uma exposição maior em ações.

No cenário base, as projeções apontam que atingiremos a meta atuarial respeitando as bandas do PR. Mas a preocupação é que, se o cenário global amainar, como está se configurando, e a economia brasileira acelerar mais forte, existe o risco de que o IMA-B 5+ apresente uma rentabilidade próxima de zero ou mesmo negativa, o que, segundo nossas simulações, comprometeria a consecução da meta atuarial em 2020. Embora uma rentabilidade negativa em 2020 ainda não seja provável, é um risco que está crescendo e será preciso acompanhar a evolução do cenário com atenção, pois a melhora da economia global poderá empurrar para este desfecho.

Por outro lado, como o passivo dos principais planos também são longos, este tipo de movimento pode não representar um risco de descasamento adicional entre ativo e passivo, desde que a meta atuarial do ano seguinte seja elevada de forma a reconhecer uma taxa mais alta para descontar o passivo.

Enfim, ainda temos muito trabalho e bastante aprendizado pela frente, mas não há dúvida de que a Petros está avançando rumo a um modelo de governança e de gestão de investimentos muito mais robusto e seguro com um foco ampliado sobre o equilíbrio entre ativo e passivo.

Alexandre Mathias
Diretor de Investimentos

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

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