A ERA DAS INCERTEZAS – Petrobras, setor petróleo, e seus empregados e aposentados

FERNANDO SÁ

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Os investimentos nos dias atuais são realizados, ao menos quando sérios, com apuradas análises que levam em conta diversos cenários, contingências e resultados almejados.

E assim, um primeiro ponto, em que devemos nos deter, é a necessidade de auditoria e transparência sobre os resultados finais dos desinvestimentos já realizados, vistas as cláusulas de contingenciamento, que fizeram alterações nos valores declarados inicialmente como alcançados com a venda de ativos pela Petrobras. Parece que tal situação seria muito grave em se tratando dos desinvestimentos na Petroquímica SUAPE e na NTS.

Hoje, temos um mercado internacional com excedente de derivados, uma capacidade de refino ociosa, um cenário de redução de uso de combustíveis de origem fóssil, agravamento da regulação de comercialização de produtos químicos, … Quanto ao cenário brasileiro, continuamos fora das rotas comerciais internacionais – o que aumenta nosso custo de frete, somos dependentes de transporte e seguro internacionais, temos um código aduaneiro que nos preme a usar companhias estabelecidas fora do país, para fins de trading, …

Portanto, se imagine como um investidor comprando uma refinaria e seu complexo logístico. Responda. Ser dependente de petróleo da Petrobras ou adquirir petróleo no mercado internacional sem escala, gerando um custo impactante no preço do produto, ou adquirir produtos prontos no mercado internacional auto regulado? Operar uma refinaria (leia-se aqui, riscos ambientais, riscos humanos, sensível número de empregados, altos custos de manutenção) ou operar tancagem (menos pessoas, manutenção menos complexa, riscos mais controláveis) como importador de derivados (excedentes) no mercado internacional e com formação de preços por “import parit”? Atuar em área geográfica comercial de alcance comum por outras refinarias ou possibilidade de importar nos limites de demanda do mercado, sem se preocupar com a manutenção de equipamentos de produção contínua? Mera operação de transporte e intermediação de distribuição ou atuação operacional complexa com uso de tecnologias (muitas vezes de terceiros) e insumos de aquisição e colocação complexas como catalisadores, produtos químicos, …?

Melhor ser importador? Provavelmente.

Salvo engano, a opção de compra não será por refinarias, mas por complexos logísticos, pois haveria mais rentabilidade e menores riscos na atuação como importador que como refinador, pelo comprador. A ser verdade tal fato, teremos um setor mais dependente do mercado internacional, maior ataque à balança comercial brasileira (derivados são o item mais impactante da balança), inexistência de estoques de segurança, menos empregos, menos tecnologia, … Mas também menos mercado de colocação de petróleo para a própria Petrobras que caminha para focar suas atividades só no upstream.

Por outro lado, já mencionamos que há um processo de redução também na atividade de upstream, com foco exclusivo em áreas específicas do pre-sal, pois só aí se entenderia a Petrobras com 50% ou menos do seu tamanho atual, como declarado pela atual administração.

Esse modelo atinge empregados em todas as áreas da empresa e por via indireta na PETROS, que é um dos grandes investidores no país. O modelo de redução de negócios importa em redução de pessoal, e pensar que isto chega somente a aposentados ou empregados lotados em uma área de negócios é ingenuidade ou negação da realidade.

Mais grave, não teríamos um mero desemprego momentâneo, pois a redução das atividades, de acordo com o impacto no mercado, extingue aquela atividade profissional. Veja o fim da produção de fertilizantes no país, pois, não há mais que se falar em empregos como operadores de plantas de fertilizantes.

O modelo em adoção não parece atender ao país, nem aos empregados, nem aos trabalhadores em geral, nem a população, mas se mostra muito interessante para potenciais compradores, um inclusive assessorado por ex-diretor da Petrobras, como noticiado quando de sua visita, na última semana, a um dos ativos em alienação. Se os valores de venda das unidades e as cláusulas de contingenciamento forem favoráveis, será, sem trocadilho, um negócio da China.

Precisamos, acompanhar, se legalmente adotado, com olhos fixos, senso crítico e nas minúcias todo esse processo de alienação, seja na forma, seja na substância, e adotar as medidas regulares de questionamento, quando for o caso. Hoje, já nos preocupa a falta de explanação sobre a justificativa (inexistência de prejuízo para a Petrobras) e impactos da decisão de alienação (problemas de estoques de segurança, riscos à balança comercial, falta de garantia à redução de preços, …), a autorização de alienação (falta de decisão em Assembleia com previa autorização do Congresso Nacional) e a incerteza de atendimento ao princípio legal da impessoalidade no processo (atuação de ex-diretor, envolvido na decisão de desinvestimento, como consultor de um dos potenciais compradores).

Candidato: FERNANDO SÁ – 1912
A eleição vai até 09.02.20, basta acessar de qualquer lugar:
cael.petrobras.com. br

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