Candidato ao CA responde perguntas II

FERNANDO SÁ

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Pergunta 1) Na condição de representante dos trabalhadores no CA em minoria como o Sr. Vê sua atuação?

Ao iniciar a campanha, fiz questão de publicar um artigo sobre órgãos societários e papéis dos administradores, exatamente para evitar equívocos. Repetindo, o CA deve ser independente e autônomo de quem indica (acionistas ou não) seus membros, por força da Lei das Sociedades Anônimas. O conselheiro decide em nome próprio e como tal responde por seus atos, inclusive com seu patrimônio pessoal. Ademais, as reuniões do CA são técnicas e os assuntos devem ser tratados desta forma. Portanto, concordar, discordar e questionar devem ser atos fundamentados tecnicamente. Agir de outra forma vai gerar falta de credibilidade e questionamentos legais. Por isso a importância de participar com uma visão plena da empresa, além de uma visão de compliance quanto a aspectos jurídicos e éticos. Essa atuação profissional é o que ofereço dentro do que diz minha plataforma: O candidato visa a atuação pelos interesses efetivos da PETROBRAS na forma determinada pela Lei das Sociedade Anônimas, exercendo a atividade com foco na atuação da PETROBRAS dentro da legalidade, dos princípios de sustentabilidade e dos princípios da moralidade, tendo atenção primeiramente ao seu capital humano (empregados), sem afastar a necessária preocupação com o acompanhamento aos procedimentos de desinvestimentos, estratégias de atuação corporativa, relações com fornecedores, responsabilidade junto a PETROS, e conformidade. Fernando Sá visa uma atuação profissional como Conselheiro desvinculada de ideologias políticas e preocupada com a importância e valor do ser humano. Já tive a oportunidade de viver situação semelhante quando Conselheiro da Braskem.

Pergunta 2) Você levanta várias dúvidas sobre aspectos técnicos e legais no modelo de venda do refino. Você acredita numa disputa judicial no final?

Na verdade, acho que o modelo merecia ser melhor explicitado a toda a sociedade, pois o acionista controlador é o Estado, que na verdade é conjunto de cidadãos. Pelo pouco que se falou do modelo, existem hiatos preocupantes sobre as consequências ao país seja no aspecto de preços (import parit), fim do pequeno estoque de segurança que hoje temos, o controle logístico fora das mãos do Estado, …, e bem sabemos que a ANP não tem sido um primor de eficiência. Existem questões jurídicas de forma e de substância que são, no mínimo, obscuras. Não posso apostar em nada, mas questionamentos jurídicos com fundamentos muito ponderados podem advir. Esse tipo de decisão que impacta a empresa, seus empregados e toda a nação, se regularmente adotada, não pode ser conduzida a toque de caixa. Certamente quem assim o fizer será responsabilizado se algo der errado.

Pergunta 3) Você tem alertado sobre uma redução no porte da empresa que não importa só à venda das refinarias. O que lhe faz pensar assim?

A empresa tem em seu Presidente o representante legal, portanto, suas colocações devem ser levadas a sério como sendo o direcionamento tático da empresa. Este é o papel da Diretoria Executiva. O Presidente declarou que a empresa teria ao final 50% ou menos do seu tamanho atual. Quando se olha o papel de cada segmento no “core business”, ações de desinvestimento adotadas, ações de RH e declarações de foco na atividade de E&P exclusivamente no pre-sal, só posso chegar à conclusão de que a empresa terá uma redução que vai além do refino. A venda de refino, ora informada, é somente parte do que já foi iniciado com as vendas na área de gás, “farm-outs” em E&P, restrição de atuação ao território brasileiro, …

Pergunta 4) Os trabalhadores estão cada dia mais desestimulados, você vê riscos operacionais a empresa a partir disso?

Já há algum tempo, ainda que não divulgado pela Petrobras, houve um crescimento grave na perda de saúde dos trabalhadores, inclusive em questões que envolvem saúde mental. A Petrobras sabe disso, e parecer ter tido uma atuação com psicólogos e assistentes sociais em algumas áreas de desinvestimento mais acentuado como Bahia e Sergipe. A Petrobras está inserida numa indústria de alto risco. Trabalhamos com materiais explosivos e inflamáveis, operamos com equipamentos pesados e um grande número de procedimentos de risco. Empregados abalados psicologicamente, pressionados, assediados tendem a perder atenção, serem descuidados, não atenderem regras de segurança, sem obviamente concorrer com culpa nisso. Mas uma falha pode ser um acidente de altas proporções envolvendo vidas e bens. Esse risco deveria ser melhor avaliado e mitigado quando se pretende a mencionada redução da empresa em uma velocidade inadequada. É importante que os administradores saibam a responsabilidade deles se algo de grave acontecer, ainda que torçamos, do fundo do coração, para que não aconteça.

Pergunta 5) Em uma publicação, você falou sobre as reservas de petróleo da Petrobras, um artigo da Moneytime falava ontem que as reservas são as menores desde 2001. O que o vc acha?

As principais publicações, com base em 2017, 2018 e 2019, falam do Brasil na 15ª e 32ª posições, respectivamente, de petróleo e gás, dentre os detentores mundiais de reservas de tais produtos. Na realidade, a Petrobras detém as reservas efetivamente cedidas, a que título for, pelo Estado Brasileiro, já que não mais exerce com exclusividade o monopólio da União. Obviamente, quando a Petrobras faz “farm-outs” ou devolve áreas, ela reduz reservas sob sua titularidade para exploração. Outra forma de redução de reservas está por operação inadequada, quando se perde otimização na exploração do reservatório. São diversas as possibilidades. Precisamos aguardar a resposta da Petrobras a matéria jornalística, para confirmar ser ela fidedigna e proceder a qualquer análise.

Pergunta 6) Dizem que o modelo de venda do refino não significaria uma entrega dos empregados com a refinaria vendida, mas em um empréstimo deles aos novos empregadores (compradores das unidades) de forma temporária). Isso não fere direitos?

Como tenho dito falta maior informação sobre o modelo de negócio, ainda que se fale tanto em conformidade e transparência hoje. Se essa for a solução do modelo, ou seja, vende-se o ativo operado por pessoal cedido da Petrobras de forma temporária, surgem algumas perguntas: por qual prazo? Como será o retorno dessas pessoas em áreas geográficas das quais a Petrobras estará se afastando em definitivo? Os contratos de trabalho, levados em conta os editais dos respectivos concursos, permitem tal cessão dos empregados sem anuência deles? Se o empregado não aceitar ser cedido, qual a consequência? A respostas a estas e outras perguntas podem demonstrar a ocorrência, ou não, de direitos sendo feridos.

Pergunta 7) Diante de seu posicionamento, no CA, se colocassem, ainda que equivocadamente a apreciação da venda do refino, qual seria sua posição? Os editais de concurso da Petrobras não são copia-e-cola um dos outros? Não haveria uma situação comum a todos os empregados?

Pelo nível de conhecimento que tenho do projeto de venda de refino, não posso entender que ele seja uma boa decisão para a empresa, e, portanto, me posicionaria contra a venda. Não posso precisar se foi utilizado um modelo padrão de edital para todos os concursos de admissão, de forma a considerar que existe uma situação comum a todos os empregados. Me recordo que em concursos posteriores ao de minha admissão, para igual cargo, havia alterações diversas.

Candidato ao CA da Petrobras – FERNANDO SÁ – 1912

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