INVENÇÃO DA RODA – Tecnologia onde? Para quem?

FERNANDO SÁ

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Temos ouvido muito falar em tecnologia como a nova fronteira da Petrobras “digital”. Primeiramente, a Petrobras está inserida na área industrial, e, por vezes, parece que está sendo tratada como uma empresa de TI. Em segundo, tecnologia sempre foi um diferencial da Petrobras. Era um predicado da empresa, que mesmo seus opositores e críticos nunca puderam contrapor.

Já há algum tempo, o CENPES vem sendo tratado como uma garantia de abatimento de custos com a cláusula de P&D dos contratos de concessão para exploração de campos de petróleo e gás, mais do que como um centro de formação de tecnologia focado no negócio. Acabou propiciando uma série de ações de infraestrutura e pseudoprojetos. A prova disso é que há um sem número de glosas da ANP nos abatimentos dos valores frutos da referida cláusula contratual.

Muitas vezes o papel dos cientistas da Petrobras fica relegado ao de fiscal de Termos de Cooperação celebrados com instituições de ensino. A história tecnológica da Petrobras vem do Centro de Pesquisa e da ação operacional na companhia. Lembre-se aqui de invenções como o selo PW para tanques de teto flutuante, que foi revolucionária, e realizada por operados na área de refino.

No atual momento, fala-se em tecnologia, mas não se explica se está envolvida tecnologia própria ou licenciada de terceiros. O retorno com virulência do projeto de Corporate Venture Capital tem mérito, mas se ele estiver acoplado a uma alteração pela ANP na interpretação da cláusula de P&D, teremos a “desnecessidade” do Centro de Pesquisa. Será que a ideia é essa. Se o CENPES for visto só como uma rubrica de custo, pode ser que sim.

A tecnologia da Petrobras parece relegada e menosprezada, quando vemos “farm-outs” em contratos de concessão, ficando os novos titulares das áreas de exploração no uso de tecnologia da Petrobras sem contratos de licenciamento específicos. O quanto disso não representa atos de gratuidade indevidos?

A questão tecnológica já se perde em parte quando vemos a saída parcial e mais tarde total do downstream. O reposicionamento da Petrobras, mesmo que como uma empresa exclusiva de “upstream” pode envolver ou não a manutenção da busca tecnológica própria ou conjunta.

Lembrando o que publicamos anteriormente sobre o reposicionamento da Petrobras:
“lembrei que foi dito em entrevista que se pretende reduzir a Petrobras a metade, ou pouco menos de seu tamanho. Isso não significa somente sair do refino, mas também sair de outras áreas e reduzir também a atividade em E&P. Aliás, já vemos PDVs também para áreas específicas do E&P. A questão que surge é: a Petrobras seria uma empresa de E&P ou uma empresa financeira de investimento na área de E&P? Ou será que no final, a ideia seria a liquidação ou venda completa da Petrobras visto que, sendo o foco somente no pre-sal pelo controlador, já existe a EMPRESA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO DE PETRÓLEO E GÁS NATURAL S.A. – PRÉ-SAL PETRÓLEO S. A., que é uma empresa pública de controle pleno e completo da União sem participação de acionistas externos.”

O fim ou o menosprezo pela histórico e tecnologia da Petrobras é um desrespeito ao desenvolvimento científico do Brasil, já que, mais do que acompanhar ou alavancar, a Petrobras foi uma locomotiva a puxar o avanço tecnológico brasileiro. Tecnologia é parte da orientação estratégica da empresa, mas como foco e não como assunto marginal. A tecnologia da Petrobras sempre foi incontestável e assunto tabu para seus maiores inimigos.

Candidato ao CA da Petrobras – FERNANDO SÁ – 1912

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