Previ vai ter política de investimento mais flexível

A redução da taxa de juros em um ritmo mais intenso do que o esperado forçou a Previ, maior fundo de pensão do país, a rever sua estratégia de investimentos, que inicialmente estimava uma redução mais acelerada de sua participação em renda variável. As aplicações em bolsa representam quase 50% do portfólio de seu principal plano, de benefício definido e já maduro, e em posições ainda muito concentradas. Devido ao porte do carteira da fundação, da ordem de R$ 200 bilhões, o objetivo de diversificá-lo é um desafio, segundo o diretor de investimentos, Marcus Moreira. Umas das estratégias, por exemplo, é buscar posições em fundos multimercados e imobiliários.

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“Dado o nosso tamanho não podemos ficar de fora de nada, temos que olhar para todas as opções. De fato, havia dois mercados muito profundos para o nosso tamanho: títulos públicos federais e renda variável. Quando se diversifica, às vezes, há problemas de profundidade de mercado. E aí, por isso, precisamos estar mais diversificados ainda”, disse Moreira, ao Valor. Qualquer alocação pequena para o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil representa milhões de reais, valores algumas vezes muito maiores do que determinada oferta disponível no mercado.

Por isso, segundo o executivo, o objetivo da política de investimentos que entra entre vigor a partir de 2020 é dar mais flexibilidade em todos os segmentos de investimentos. Uma das estratégias, por exemplo, está na entrada em fundos multimercados, investimentos que a Previ ainda não tinha em carteira. Após a seleção dos gestores, o objetivo é fazer alocações individuais de cerca de R$ 60 milhões, em dez fundos, o que pode atingir R$ 6 bilhões. “A ideia é ter uma maior quantidade de fundos aprovados para termos liberdade de fazer uma movimentação mais rápida, se for o caso”, afirmou o diretor.

Os multimercados se enquadram na categoria “investimentos estruturados”, em que a Previ já tem alocados 1% de seus investimentos. Agora, tem espaço para chegar a até 3,8%. Estes 2,8 pontos percentuais adicionais correspondem a uma fatia de R$ 7 bilhões — incluindo os R$ 6 bilhões previstos para os multimercados.

Outro investimento que se enquadra nessa categoria são os certificados de operações estruturadas (COE), desde que ofereçam a opção de capital protegido. “Vai depender muito do que está na prateleira [das ofertas], vamos testar este mercado”, afirmou o diretor. Os fundos imobiliários também são de interesse da Previ, que aportou R$ 120 milhões na categoria e pretende alocar mais. Mas aplicações em novos fundos de investimentos em participações (FIPs) continuam vetadas pela política de investimentos.

É no Plano 1, de benefício definido, que estão alocadas as maiores participações em bolsa da Previ. Na política de investimentos anterior, a carteira de renda variável do plano tinha um limite mínimo de 41,27% e máximo de 49,27%. Agora prevê um intervalo de 43,38% a 58,68% para ser alcançado até 2026 — a política de investimentos da Previ é revisada anualmente com horizonte de sete anos.

Este ano, a Previ participou das ofertas de ações do IRB, BR Distribuidora, Magazine Luiza e Hapvida, com um desembolso total de R$ 2 bilhões. “Foram um dos maiores, se não o maior cheque dessas operações”, diz Moreira. O fundo de pensão não tem mais objetivo de assumir posições de controles nas empresas e, quando participa das ofertas de ações — que precisam ser acima de R$ 1 bilhão —, compra até 5% do capital das companhias.

Em 2020, a expectativa é que sejam realizados mais IPOs, com maior potencial de participação do fundo de pensão, afirma Moreira. Algumas das operações previstas, como a venda de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) serão de empresas em que a Previ já detém fatia relevante, caso da Petrobras. Outra posição relevante do banco de fomento que pode ser vendida são ações da JBS. A fundação já detém cerca de 9,5% da concorrente BRF. “Vamos analisar todas as operações. Não vamos deixar de olhar nenhuma”, afirma Moreira. Ele, no entanto, lamenta que nas ofertas de companhias brasileiras no exterior — caso de XP, Stone e Pag Seguro — o fundo de pensão não tem acesso direto.

As vendas de participações pela Previ em 2019 somaram quase R$ 6 bilhões e incluíram Banco do Brasil, Petrobras, Embraer, Paranapanema e Neoenergia — por meio do IPO. Há expectativa do mercado em relação à venda da fatia de Vale detida pelo fundo de pensão. A Previ é um dos principais acionistas da mineradora por meio da Litel, veículo de investimentos em que detém a participação em conjunto com outros fundos de pensão. “Estamos sempre monitorando o mercado e Vale é uma das nossas posições. O ativo da vez vai depender do momento do mercado”, afirmou.

Aumentar as alocações dos investimentos no exterior também faz parte dos planos. Hoje essa fatia representa 0,1% das aplicações da fundação e, de acordo com a nova política de investimentos, pode chegar a 1,5%.

O fundo de pensão também reduziu a meta atuarial de seus planos, que era de INPC mais 5%, segundo a diretora de planejamento, Paula Goto. Agora, no Plano 1, o valor baixou para INPC mais 4,75%, enquanto no Previ Futuro, de contribuição variável, caiu para INPC mais 4,62%. “Isso vai consumir, de reservas, para o Plano 1, R$ 4,8 bilhões e para o Previ Futuro, R$ 136 milhões”, afirmou. Isso porque a redução pressiona o valor do passivo do planos. A Previ vai compensar estes valores com o superávit acumulado, segundo a diretora. Até agosto, o resultado positivo é de R$ 4,2 bilhões.

“Essa redução representa mais segurança porque espelha a previsão de rentabilidade futura dos ativos de acordo com a composição das carteiras”, disse Paula.

Em 2018, a fundação revisou a “tábua de mortalidade”, que impactou seus compromissos em de R$ 4,1 bilhões, também compensado pelos resultados positivos.

Previ vai ter política de investimento mais flexível | Finanças | Valor Econômico

https://valor.globo.com/financas/noticia/2019/12/15/previ-vai-ter-politica-de-investimento-mais-flexivel.ghtml

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