País enfrenta segundo dia de ampla greve contra mudanças na aposentadoria
6.dez.2019 às 8h02
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!O governo da França fará uma reunião com os sindicatos para negociar a polêmica reforma da Previdência, que motiva uma ampla greve no país desde quinta-feira (5).
Nesta sexta (6), segundo dia da paralisação, a ministra da Solidariedade e Saúde, Agnès Buzyn, anunciou que receberá os sindicalistas em uma reunião marcada para segunda-feira (9).
"Nós ouvimos a revolta dos franceses", disse, Buzyn, dando a entender que o Executivo pode fazer algumas concessões.
Na quinta-feira (5), foram registrados protestos e greve em cerca de cem cidades. Segundo o governo, ao menos 800 mil pessoas foram às ruas. Os sindicatos falam em 1,5 milhão de manifestantes. Linhas de metrô e trem, escolas, hospitais e refinarias deixaram de funcionar.
A sexta-feira promete um dia de paralisação similar, com quase todas as viagens de trens de longa distância canceladas, a maioria das linhas de metrô de Paris fechadas e centenas de voos suspensos.
Yves Veyrier, líder do sindicato FO, advertiu que a greve pode prosseguir até segunda-feira se o governo não adotar as medidas adequadas.
Às 8h (4h em Brasília) de sexta, as autoridades registravam 340 quilômetros de engarrafamentos nos acessos à capital.
Assim como na véspera, a companhia de trens SNCF suprimiu 90% das viagens de longa distância e 70% dos trajetos com trens regionais.
Nove das 16 linhas de metrô permanecem fechadas, cinco funcionam com a capacidade reduzida e apenas duas, completamente automatizadas, funcionam de maneira normal.
A Air France cancelou pelo segundo dia consecutivo 30% dos voos domésticos e 10% dos voos de média distância. O Eurostar, trem que cruza o Canal da Mancha, também deve ter viagens canceladas.
Os jornais de tiragem nacional não conseguiram publicar suas edições impressas e sete das oito refinarias do país estão em greve, o que aumenta o risco de falta de combustível se a mobilização continuar por mais dias.
A indignação popular foi motivada pela nova reforma da Previdência preparada pelo governo de Macron, uma promessa de campanha que tem como objetivo eliminar os 42 regimes especiais que existem atualmente e que concedem privilégios a determinadas categoria profissionais.
O governo pretende estabelecer um sistema único, por pontos, no qual todos os trabalhadores terão os mesmos direitos no momento de receber a aposentadoria.
Para o governo, este é um sistema mais justo e mais simples. Mas os sindicatos temem que o novo sistema adie a aposentadoria, atualmente aos 62 anos, e diminua o valor dos benefícios.
De acordo com uma pesquisa, 62% dos franceses apoiam a greve e 75% criticam a política econômica e social do governo Macron.
Macron, que estabeleceu como objetivo apresentar a reforma ao Parlamento no início de 2020, declarou na quinta-feira estar determinado a levar o projeto adiante.
O primeiro-ministro, Edouard Philippe, afirmou que vai apresentar as linhas gerais da reforma na próxima semana, pois até o momento não foi divulgado o conteúdo final da proposta.
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