Migração da renda fixa para variável é oportunidade
A migração de ativos de renda fixa para renda variável pode ser uma oportunidade para que fundos de pensão insiram critérios ambientais, sociais, de governança corporativa e integridade — conhecidos como ASGI — em suas decisões de investimentos. A visão é da Previ, maior fundo de pensão do Brasil, que pretende ser um dos indutores do assunto entre os investidores institucionais do país.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!“Os fundos de pensão vão ter que buscar variar o seu portfólio com a queda de juros. A tendência é que neste movimento de buscar mais risco, o engajamento [aos critérios ASGI] deve aumentar também, nem que seja na seleção de gestores”, disse o gerente-executivo de controles internos da Previ, Rafael Castro.
Boa parte dos fundos de pensão no Brasil realiza uma gestão terceirizada de seus recursos. O executivo defende que os critérios de seleção de gestores passem a considerar se eles adotam ou não esses critérios. No exterior, o tema é considerado um dos mais relevantes entre os investidores institucionais.
A regulação dos fundos de pensão passou a prever o assunto desde 2009, quando foi editada a resolução 3.792, mas ainda de forma genérica. A regra foi substituída em maio de 2018 pela resolução 4.661, que passou a determinar que a entidade deve considerar na análise de riscos, “sempre que possível”, os aspectos relacionados à sustentabilidade econômica, ambiental, social e de governança dos investimentos.
No mercado local há algumas fundações que perguntam sobre a adoção dos critérios ASGI, mas o assunto ainda não se tornou um critério de eliminação no momento de seleção de gestores, avalia o sócio da Leblon Equities, Pedro Rudge. Hoje, dos R$ 1,8 bilhão administrados pela gestora, 22% é de investidores institucionais locais. “Estamos discutindo formalizar a adoção de alguns critérios de forma mais concreta. É uma tendência”, afirma.
O sócio da consultoria Aditus, Guilherme Benites, acredita que as políticas de investimento que passarão a valer em 2020 já devem conter critérios mais elevados sobre o assunto. “O mercado hoje é globalizado. Se uma empresa tem uma redução de rating ESG [sigla em inglês para ASGI], isso pode afetar o retorno do investidor local por causa de uma saída de um investidor estrangeiro, que já adota essas práticas. Acho difícil que o investidor institucional local ignore o tema por muito tempo”, diz.
Para o diretor de participações da Previ, Renato Proença, a adesão a essas práticas não pode ser protocolar e deve ocorrer de fato. “Se isso não estiver na cultura das empresas, elas vão ser penalizadas. Nós, enquanto investidores, estamos cada vez mais sensíveis a esse tema”.
Segundo ele, o movimento de saída da fundação de blocos de controle de empresas investidas não muda essa tendência. “É um momento positivo. A tendência é que investiremos em mais empresas e temos força para difundir as boas práticas”.
A Previ é signatária da iniciativa Princípios para o Investimento Responsável (PRI), voltada para estimular a inserção destes critérios nos processos de investimento. Castro atualmente concorre a um assento no conselho do PRI, que dedica duas vagas a investidores institucionais. O objetivo é participar do debate internacional de forma mais ativa e representar os mercados emergentes na instituição.
A fundação também é uma das maiores acionistas da Vale. O investimento se dá por meio da Litel, veículo que tem outros fundos de pensão como sócios. Em janeiro deste ano, o rompimento da barragem em Brumadinho (MG) gerou um dos dois maiores acidentes ambientais do Brasil.
“Acompanhamos o assunto ativamente. A estratégia foi prontamente estimular e cobrar da empresa uma resposta a tudo o que acontece. Cobramos o que ela tem feito para compensar e reduzir os efeitos com transparência. O desastre ocorreu e não temos como mudar essa situação. A empresa está buscando mudar e corrigir as práticas”, diz Castro.
Segundo o diretor de relações com investidores da Vale, André Figueiredo, dentre as mudanças já implementadas está uma melhor governança do risco. “Nunca deixamos de investir, agora estamos aperfeiçoando o modelo, a governança, para que tenhamos um melhor retorno, sobretudo da parte ESG. É um processo que não terá retorno agora. Começamos o processo de engajamento recentemente e temos intensificado”, disse, ao participar do Fórum de Sustentabilidade, realizado pela Previ.
Previ quer incentivar prática sustentável nas fundações | Finanças | Valor Econômico
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