Norma estabeleceu que fundos de pensão só poderão investir no setor por meio de fundos imobiliários, o que obriga entidades a se desfazer de carteiras de imóveis
A Abrapp, associação que representa os fundos de pensão, vê chance de que a regra que obriga as entidades fechadas a se desfazerem de suas carteiras de imóveis seja revista. Editada em 2018, a resolução 4.661 estabeleceu que as fundações só poderão investir no setor por meio de fundos imobiliários. Foi fixado um prazo de 12 anos para a venda das carteiras ou sua transformação em fundos exclusivos.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!“Há uma sensibilidade dos interlocutores do Ministério da Economia de que possamos pelo menos preservar nossos estoques”, disse a jornalistas o presidente da entidade Luís Ricardo Marcondes Martins. Segundo ele, uma eventual mudança para fundos exclusivos vai “doer no bolso dos participantes”, citando os custos de transferência que as alterações requerem.

Martins: “Sensibilidade" de interlocutores do Ministério da Economia para preservar estoques — Foto: Leo Pinheiro/Valor
Hoje, os imóveis representam 3,5% dos ativos das fundações, ou R$ 31,5 bilhões. A Abrapp montou um grupo de trabalho para apresentar ao Ministério propostas de alterações na redação da 4.661, informou o executivo.
Desde que a mudança foi anunciada, algumas entidades vêm defendendo o investimento em imóveis, citando, por exemplo, o longo prazo, em linha com o perfil dos passivos das fundações.
No primeiro semestre deste ano, os fundos de pensão tiveram rentabilidade de 6,94%, diante de uma taxa padrão de 5,54%, segundo a Abrapp. Os ativos das entidades contabilizaram R$ 940 bilhões, ante R$ 900 bilhões ao final de 2018. A estimativa da associação é que os ativos cheguem a R$ 1 trilhão em março ou abril de 2020. A renda fixa representa R$ 668,5 bilhões, 74% do total.
Os fundos de pensão estão surfando a onda final dos títulos públicos, disse Martins. “A tendência é que a renda variável fique acima de 15% em curto espaço de tempo”, estimou.
Hoje, a fatia de renda variável é de 18%, mas, excluindo os ativos da Previ, esse percentual chega a 13%. O fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil é o maior do país e tem uma exposição elevada em renda variável. Somente em seu maior plano, de benefício definido, tem R$ 85 bilhões alocados no segmento.
A velocidade da mudança vai depender das políticas de investimentos e das mudanças dos participantes para perfis mais agressivos, segundo o vice-presidente da Abrapp, Luiz Paulo Brasizza. “Isso deve acontecer no início do ano que vem. Estamos em um momento do mercado brasileiro em que CDI e títulos indexados à inflação não vão pagar a aposentadoria futura, é natural que o participante busque mais risco”, afirmou.
Martins mencionou a preocupação das fundações em superar as metas atuariais diante de um cenário de queda de juros. Diante disso, defendeu os investimentos em private equity. “Ficou uma cicatriz nos FIPs [Fundos de Investimentos em Participação] que precisa ser enfrentada numa remodelagem dos FIPs”, afirmou.
*A repórter viajou a convite da Abrapp
Abrapp vê chance de ajuste em regras de investimentos imobiliários | Finanças | Valor Econômico
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