Operação com ações de Itausa causou perdas para o fundo da Petrobras

A operação fechada entre a Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, e a Camargo Corrêa, um dos temas da delação do ex-ministro Antonio Palocci, foi concretizada do último pregão de 2010. Na meia hora final daquela sessão, 11,45% das ações ordinárias da Itaúsa, holding controladora do Itaú Unibanco, foram colocadas em leilão pela Camargo. Quem apareceu para comprar foi a Petros, pagando R$ 14,48 por papel – ou cerca de 15% a mais do que a cotação de mercado. A operação movimentou R$ 2,8 bilhões.

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

A justificativa do fundo de pensão para pagar mais pelos papéis do que o valor apontado na tela da bolsa foi o fato de serem ações ordinárias, com direito a voto, e que, portanto, deveriam embutir um "prêmio" por participação no controle da empresa. Depois de várias operações feitas pelo fundo terem apresentado problemas, a Petros promoveu pelo menos duas investigações internas para avaliar as suas próprias operações. A primeira delas, conduzida pelo então presidente Henrique Jäger, em 2015, não apontou irregularidade na operação. Mas uma segunda avaliação, feita três anos depois, quando o presidente da Petros era Walter Mendes, levou o fundo a processar dirigentes e conselheiros, em busca de indenização.

Essa segunda análise apontou que a justificativa de prêmio de controle não cabia para a operação. Isso porque a Itaúsa é controlada por duas famílias, Setubal e Vilela, que detêm, juntas, mais de 60% das ações e controlam a empresa por meio de um acordo de acionistas. Não havia no mercado nenhuma expectativa de mudança de controle. Por essa razão, e pela reduzida liquidez, as ações ordinárias da Itaúsa eram negociadas com desconto em relação às preferenciais, sem direito a voto, que concentram as negociações.

Se um prêmio de controle fizer sentido para uma ação, normalmente ele já é embutido na cotação pelo mercado. Para piorar a justificativa apresentada, a fatia adquirida pela Petros, de 11,45%, sequer dava ao fundo o direito de ter um assento no conselho de administração da Itaúsa. Para conseguir pleitear a vaga, a Petros, após a compra do lote da Camargo, passou a fazer compras diárias do papel, inflando as cotações nos meses seguintes, até alcançar os 15% que lhe dariam uma vaga no colegiado. Quando o fundo bateu nesse percentual e deixou de atuar nos pregões, as cotações da Itaúsa voltaram para a média de 2010.

A Petros vendeu as ações no fim de 2017 para a Fundação Antônio e Helena Zerrenner – Instituição Nacional Beneficência, que também é acionista da Ambev. Recebeu R$ 4,5 bilhões pela fatia de 15,15% das ONs. Obteve lucro com a venda, mas ainda assim a operação causou prejuízo ao fundo porque a valorização dos papéis não foi suficiente para atingir a meta atuarial da fundação. A venda demorou para acontecer porque a Petros precisou encontrar um comprador que tivesse interesse em ficar com todas as ações e não se importasse com a falta de liquidez dos papéis. Se tivesse feito a venda na bolsa derrubaria as cotações e levaria meses para concretizá-la.

O processo aberto contra antigos dirigentes foi embasado por um laudo do economista Rafael Chaves Santos, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que calculou que a Petros teria pago, no mínimo, R$ 584 milhões a mais pelas ações da Itaúsa. O Valor apurou que, internamente, havia muito pouca informação registrada oficialmente pelo fundo sobre a operação, além da justificativa do prêmio de controle. O que chamou a atenção, desde o início, foi a rapidez para a aprovação do negócio internamente, apesar de ele envolver bilhões de reais. Depois da abertura do processo pela diretora do fundo, a Petros determinou que qualquer nova ação judicial precisaria passar pelo crivo do conselho.

Procurada, a Petros informa que a ação judicial contra ex-dirigentes está em tramitação. Em nota, diz que está comprometida com as melhores práticas de governança e responsabilidade na administração dos recursos dos participantes. "A Fundação vem colaborando de forma irrestrita com a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e demais órgãos competentes, seguindo procedimento adotado desde o início das investigações nos fundos de pensão." Paralelamente, diz o texto, continuam em curso os trabalhos das Comissões Internas de Apuração (CIAs) da fundação, criadas para averiguar eventuais irregularidades em investimentos decididos no passado, e cujos resultados são imediatamente encaminhados às autoridades.

Operação causou perdas para o fundo da Petrobras | Valor Econômico

https://mobile.valor.com.br/politica/6417159/operacao-causou-perdas-para-o-fundo-da-petrobras

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.


Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading