Funcef analisa retomar aplicações em novos FIPs

RIO – A Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, analisa voltar a fazer novas aplicações em fundos de investimentos em participações (FIPs), como alternativa para diversificar o portfólio em um cenário de juros cada vez mais baixos. Para o presidente do fundo de pensão, Renato Villela, esses ativos foram “demonizados”, mas há bons gestores no mercado.

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O fundo de pensão tem um patrimônio de mais de R$ 65 bilhões. Na carteira da Funcef, há atualmente 35 FIPs que somam pouco mais de R$ 1,5 bilhão.

“Do meu ponto de vista, abrir mão desse instrumento compromete a possibilidade de gerar rentabilidade para novos ativos. A saída é melhorar a governança interna, olhar para os FIPs e fazer análise profunda do regulamento antes de entrar”, disse Villela ao Valor.

O executivo diz ter convicção da necessidade de um maior apetite a risco por causa da superexposição em títulos públicos e o futuro dos juros. “Em qualquer lugar do mundo, a rentabilidade dos fundos de pensão está associada à robustez da economia local. No Brasil, é baseada em equilíbrio fiscal do governo. Não pode ser assim, isso está errado.”

A Funcef não tem a aplicação em FIPs vedada em sua política de investimentos. Se voltar a aplicar no segmento, entende que a estratégia seria mais adequada para os planos de contribuição variável.

Investimentos em FIPs foram responsáveis por parte dos resultados negativos enfrentados por fundações em casos atribuídos a corrupção e desvio de conduta. Os problemas custaram muito caro para os participantes, mas o presidente da Funcef diz que é preciso ter a “cabeça fria” para entender o que deu errado e encontrar soluções. Segundo ele, houve uma “demonização” dos FIPs e o problema não é o instrumento em si, mas sim como foi usado. “Temos gestores tão bons ou melhores do que os ‘top de linha’ do mercado internacional. Encontraremos novos parceiros no mercado financeiro para ajudar na transição.”

A Funcef é assistente de acusação do Ministério Público Federal na Operação Greenfield, que analisa desvios em fundos de pensão. A fundação fez uma baixa contábil das aplicações mais problemáticas, caso do FIP Sondas e do FIP Global Equity. Ao mesmo tempo, tenta recuperar valores investidos nesses ativos, a exemplo do que ocorreu com a J&F. No acordo de leniência firmado com a força-tarefa da Greenfield, a empresa se comprometeu a pagar R$ 1,75 bilhão ao fundo de pensão em 25 anos.

Villela aponta que o indicador “Total Value to Paid-in-Capital” (TVPI) dos FIPs da Funcef é superior à média brasileira e um pouco abaixo da média mundial.

A Funcef considerou as bases históricas de 2013 a 2018 dos recebimentos — desinvestimentos, dividendos, juros e amortizações e valor de mercado — divididas pelos investimentos, mais taxas. Assim, chegou a um retorno de 1,46 para a carteira da Funcef. A média do mercado brasileiro é de 1,39 e a mundial, de 1,49, disse o fundo de pensão com base em números da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap), da Spectra Investimentos e do Insper.

Funcef analisa retomar aplicações em novos FIPs | Valor Econômico

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