Análise: Petrobras reacende temor de ingerência do Planalto na estatal

RIO – Ao voltar atrás na decisão de reajustar em 5,74% os preços do diesel nas refinarias, a pedido do governo, a Petrobras reacende um antigo temor de investidores quanto à ingerência do Palácio do Planalto sobre um tema extremamente sensível no mercado: a liberdade da estatal nos reajustes.

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Os prejuízos da companhia com o congelamento dos preços, durante o governo do PT, foi enorme. Por isso, no mercado, qualquer ruído que paire sobre a liberdade da companhia em estabelecer os seus preços gera estresse na Bolsa.

Mesmo com o discurso liberal assumido pelo governo na área econômica, este não é o primeiro sinal de tentativa de interferência do Planalto na gestão da companhia no governo Jair Bolsonaro, que no início do ano tentou emplacar um amigo pessoal, o Capitão Victor, numa das gerências executivas da empresa, à revelia das exigências contidas no plano de carreiras da estatal. Na ocasião, contudo, após a repercussão negativa do caso, o comando da estatal vetou a indicação.

Outro ruído gerado foi o pedido do presidente Bolsonaro, por meio de sua conta pessoal no Twitter, para que a estatal cortasse seus patrocínios culturais. De acordo com a mensagem do presidente, a revisão dos patrocínios foi um pedido dele próprio. Logo em seguida, a petroleira decidiu cortar seus investimentos em cultura, como parte de uma medida para redução de custos.

Para o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, a decisão da Petrobras de voltar atrás do reajuste anunciado ontem pela manhã contradiz o discurso liberal assumido pelo governo Jair Bolsonaro. “É decepcionante. Hoje o mercado vai penalizar as ações”, disse.

Na opinião de Pires, a decisão foi um tiro no pé da empresa, justamente num momento em que a companhia tem planos de vender suas refinarias.

O CBIE estima que ao reajustar seus preços, a Petrobras tinha, ontem, zerado a defasagem dos seus preços em relação ao mercado internacional, mas que agora volta para uma posição de defasagem de 3% a 6%.

Análise: Petrobras reacende temor de ingerência do Planalto na estatal | Valor Econômico

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