Equipes mais técnicas enxergam oportunidade para desinvestir em FIPs maduros
Categoria: Ativos AlternativosPublicado: 21 Março 2019
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Juliana: reduzir exposição em ativos menos líquidos
Infraprev, Petros e Postalis anunciaram recentemente a intenção de iniciar o desinvestimento em Fundos de Investimento em Participações (FIPs) próximos do vencimento. A Infraprev, desde a posse da atual diretoria, há cerca de 1 ano e meio, busca diversificar seus investimentos com foco na liquidez dos ativos. “A gente entendia que seria o momento de reduzir exposição em ativos menos líquidos, entre eles FIPs, imóveis e crédito”, explica a diretora de administração e finanças do Infraprev, Juliana Koehler.
A diretora da Infraprev destaca que, apesar do Infraprev ser uma fundação de médio porte em termos de patrimônio, sempre foi ativa nesse tipo de operação, chegando a ter 16% dos recursos alocados em FIP. Atualmente, o segmento representa de 4% carteira. “Tínhamos 12 FIPs, mas era um portfólio grande demais para dar um mínimo de controle e monitoramento que esse tipo de investimento exige”, explica Juliana. “Por isso, selecionamos alguns para uma primeira rodada de desinvestimentos”, complementa.
A diretora do Infraprev explica os critérios de seleção dos FIPs que serão vendidos. “São fundos atrativos para o mercado, que já entregaram resultado, ou que ainda não entregaram, mas não estamos dispostos a esperar”, explica. “Dos 12 fundos, quatro ou cinco são os que gostaríamos de vender, pois acreditamos que é importante e inevitável manter alguma posição em FIPs em cenário macroeconômico com uma taxa de juros tão baixa”.
A Infraprev já concluiu a venda de um deles no mercado secundário. “Foi um desinvestimento financeiro em dinheiro, com depósito à vista em troca das cotas do fundo”, diz Juliana. Ela não informa o deságio, mas explica que a entidade fez uma análise de benchmark com o que se pratica em termos de deságio no exterior para esse tipo de ativo. “Foi um movimento feito com cautela e transparência, mapeando todos os tipos de risco”, ressalta Juliana.
Ainda segundo a diretora da Infraprev, no momento, a entidade não tem planos de investir novamente nesse tipo de veículo. “Os FIPs são muito importantes para a diversificação da carteira, mas nossa política de investimentos atual não permite novas aplicações no segmento. Caso isso ocorra no futuro, o processo de seleção e de monitoramento dos gestores e dos fundos vai ter que ser melhorado”, destaca.
Petros e Postalis – A Petros informou, por meio de comunicado, que sua diretoria executiva aprovou a venda do primeiro FIP da entidade no mercado secundário em julho do ano passado. “O processo de liquidação dessa primeira operação está em fase final”, diz o comunicado. Além dessa operação, a fundação também está negociando a alienação de cerca de um terço de sua carteira de FIPs. “A estratégia de desinvestimento dos FIPs segue as diretrizes das políticas de investimentos da Petros e vem atraindo a atenção de outras entidades, que têm buscado a fundação para conhecer o processo”, afirma a nota da Petros.
Segundo a entidade, a motivação para a venda é a busca da remuneração adequada pelos riscos incorridos. “Nesse sentido, os FIPs, como os demais ativos, estão disponíveis para venda pelo preço que os times técnicos definirem como atrativos, tendo em vista as projeções de desempenho, o efeito que a negociação cause e as condições do passivo dos planos envolvidos”, complementa a nota.
Já o Postalis, atualmente sob intervenção da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), pretende se desfazer de dois FIPs que correspondem a cerca de 10% dos estruturados de sua carteira. O fundo de pensão já reduziu pela metade, ao longo dos últimos meses, a carteira ilíquida em investimentos estruturados. “Já contratamos empresas que farão o roadshow em busca de interessados”, diz o gerente de investimentos do Postalis, Hugo Lancarter.
De acordo com Lancarter, a intenção é vender ao menos um dos FIPs neste ano. Como o time de intervenção tem adotado uma postura conservadora, Lancarter acredita que poderá conseguir um valor acima do precificado pela administração. Por uma questão estratégica de negociação, ele não nomina os fundos que foram colocados à venda.
Oportunidade – Empresas como a Hamilton Lane estão aproveitando a conjuntura para tentar fazer bons negócios no mercado secundário com a compra das cotas dos FIPs dos fundos de pensão. Conhecida mundialmente pela sua atuação no mercado secundário, a casa tem ainda pouca participação nesse tipo de negociação no Brasil por dificuldades em encontrar fundações com real interesse em vender – ou com ativos de qualidade em suas carteiras. “Abrimos escritório no Brasil em 2011 e, desde então, recebemos fundações interessadas em que a gente analisasse seus ativos, mas na hora de concretizar a venda, o negócio não andava por questões internas às próprias entidades, ou porque pedíamos um desconto muito grande na pecificação”, conta o responsável pelas operações da Hamilton Lane no Brasil, Ricardo Fernandez.
Apesar de não haver números concretos sobre o crescimento dessas negociações por serem, em sua maioria, confidenciais, Fernandez avalia que há cada vez mais fundos interessantes aparecendo, o que aumenta as oportunidades de negócios. “Temos que separar os Fundos de Investimento em Participações de um único ativo problemático, no qual não temos interesse, dos verdadeiros fundos de private equity, que temos interesse em olhar”, explica. “Tem muito fundo de private equity no portfólio de fundação que tem alto valor, até com prêmio, com ágio, então é interessante analisar empresa por empresa, ativo por ativo”.
Para Fernandez, o crescimento dos negócios de fundações no mercado secundário de FIPs está em linha com os times de gestão que assumiram as entidades de previdência complementar mais recentemente. “Na média, são equipes extremamente competentes e que veem o mecanismo de venda no mercado secundário como oportunidade de gerar liquidez”.
Fundações vendem participações em busca de liquidez | Equipes mais técnicas enxergam oportunidade para desinvestir em FIPs maduros
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