EFPCs reduzem as suas metas atuariais para fazer frente ao novo patamar dos juros

Planos assumem metas mais baixas neste ano | Entidades fechadas de previdência complementar reduzem as suas metas atuariais para fazer frente ao novo patamar dos juros

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Diante do fraco retorno esperado para este ano em suas carteiras de investimento, abaixo do verificado em anos anteriores em razão da redução da taxa de juros, os fundos de pensão estão reduzindo suas metas atuariais para 2019.

Na Regius, a meta atuarial de 5,61% do plano BD, que vigorou de 2013 a 2018, foi reduzida para 5,36%. O índice de 5,36% adotados pela Regius é a taxa média praticada pelas entidades não sistemicamente importantes da indústria, segundo o relatório de estabilidade previdenciária da Previc. Nas ESI, a taxa média está pouco abaixo, em 5,31%.
As taxas das NTN-Bs estão oscilando atualmente ao redor de 4,5%, abaixo da meta da Regius mesmo após a redução. Isso, no entanto, não será um problema para o plano BD do fundo de pensão no curto prazo, explica o diretor de benefícios e administração, Sandro Soares. “Nos últimos três anos a entidade conseguiu aproveitar as oportunidades nos títulos públicos, com a necessidade de reinvestimento, de maneira tímida, apenas a partir de 2023”, diz o dirigente.

Quando esse momento chegar, no entanto, Soares reconhece que, caso a taxa de juros prossiga próxima do patamar atual, a alocação da carteira de R$ 2 bilhões, com concentração de 90% em renda fixa, terá de ser diversificada via ações e títulos privados. “No entanto, mesmo com a diversificação, provavelmente iremos continuar com o movimento de queda suave da meta atuarial nos próximos anos, se adequando aos novos tempos de taxa de juros real no país abaixo de 5%”.

O desempenho positivo dos investimentos da Regius entre 2016 a 2018 permitiu a BD acumular superávit de R$ 80 milhões no período, tornando a redução da meta um processo razoavelmente tranquilo, uma vez que o movimento gera sempre um aumento do passivo atuarial. “Com a queda da meta nosso passivo aumentou em cerca de 10%, o que comeu 50% do superávit, que hoje está por volta de R$ 38 milhões”, fala o diretor da Regius.

Todeschi: “Estávamos começando a ficar fora do padrão do mercado”

Déficit – Na Fusan, os resultados positivos obtidos em 2017 e 2018 também serviram como base de sustentação e deram conforto à direção da entidade ao optar por reduzir a taxa de 5,75%, que vigorou nos últimos oito anos, para 5,50% em 2019. Como a queda da meta não foi em magnitude tão expressiva, o aumento no passivo do plano, de Contribuição Variável (CV) com PL de R$ 1,5 bilhão, foi de apenas 1% aproximadamente, explica o diretor de seguridade da Fusan, Marcos Todeschi.
“Com o corte de 0,25 ponto percentual fechamos 2018 com um pequeno déficit, mas bem abaixo dos limites que exigem promover o equacionamento, e projetamos que no primeiro trimestre o plano já deve estar de volta ao equilíbrio”, comenta Todeschi. Ele lembra que a taxa de 5,75% constava entre as mais altas na comparação com a média praticada pelos pares do sistema.
“Estávamos começando a ficar fora do padrão do mercado, e entendemos que era o momento de fazer a redução da meta”, diz Todeschi. Ele conta que nos últimos anos não havia por parte da EFPC uma crença tão forte na estabilidade da economia e na queda consistente da taxa de juros. O cenário prospectivo, no entanto, indica a manutenção dos juros baixos por mais algum tempo, até mesmo pelo ritmo ainda lento de recuperação da atividade. Segundo o dirigente, a queda de 0,25 pp está em linha com o ritmo de redução do próprio corredor da Previc, que estabelece os parâmetros para as metas a serem adotadas pelas fundações.

Diversificação – O plano CV da Fusan tem cerca de 80% dos investimentos em renda fixa. Segundo Todeschi, se a Selic for mantida ao redor dos 6%, além de novas reduções da meta atuarial também será necessária a diversificação da carteira com a busca de ativos de maior risco.
“Uma alternativa à redução da meta é aumentar a diversificação da carteira em ativos como renda variável e mesmo exterior, movimento que já temos feito nos últimos anos de maneira gradual”, conta o presidente da Funpresp-Jud, Amarildo Vieira, que lembra que a renda fixa ainda representa mais de 80% da carteira da entidade. “Claro que para isso ocorrer precisamos entender que existe a segurança necessária”, acrescenta Vieira.
Na Funpresp-Jud, a meta de 4,5%, que vigorava desde 2016, passou em 2019 para 4,25%. “Temos encontrado nas taxas mais longas, com vencimento em 2050, prêmios de 4,47%, então a nossa meta anterior não seria mais suficiente”, fala o coordenador de atuária da EFPC, Alexandre Rodrigues.
A Funpresp-Jud administra um plano de Contribuição Definida (CD) de aproximadamente R$ 350 milhões, mas com uma parcela de Benefício Definido (BD) de R$ 50 milhões que implica no estabelecimento da meta, e que acaba valendo para o plano como um todo. A parcela BD engloba patrimônio relativo aos benefícios de sobrevida aos assistidos que ultrapassam a expectativa de vida e também para o seguro de invalidez e pensão por morte.

Manutenção – Na Fundação de Previdência Complementar do Estado de São Paulo (Prevcom), a opção foi por manter em 2019 o objetivo de rentabilidade – o plano CD da fundação não tem uma meta obrigatória – em IPCA mais 5%, diante da carteira construída ao longo dos últimos anos com NTN-Bs que pagam prêmios em média de 6%.

Flory: Prevcom optou por aplicações seguras e sem volatilidade para conquistar confiança de servidores

O risco de reinvestimento, contudo, forçará a EFPC a partir para uma diversificação da carteira, tanto em termos de gestores como de classes de ativos, ressalta o presidente da entidade, Carlos Flory. Hoje a carteira de cerca de R$ 1,1 bilhão está concentrada em títulos públicos, com vencimentos da ordem de 10% a cada ano. Soma-se aos vencimentos as entradas líquidas mensais de R$ 15 milhões em contribuições dos participantes que também precisam ser rentabilizadas de acordo. “Como somos um fundo novo, precisamos ainda conquistar a confiança dos servidores, por isso vínhamos optando por aplicações seguras e sem volatilidade”. Caso entenda que a estratégia de diversificação não venha a se mostrar a mais acertada ao longo do ano, então em 2020 a tendência é reduzir a meta para 4,5%, pondera o dirigente.

Na contramão – O Postalis, por sua vez, elevou sua meta atuarial em 2019 de 4,65% para 4,90%, após ter reduzido em 2018 de 5,30% para 4,65%. Ambos os movimentos têm relação direta com a carteira de investimentos e os retornos projetados nos próximos anos, explica o gerente de investimentos Hugo Lancarter. “Ao final de 2017 percebemos que não conseguiríamos atingir a meta de 5,30% com uma carteira que ainda tinha 20% em estruturados sem liquidez. Fizemos um trabalho ao longo do ano e reduzimos para 10% os estruturados, dando maior liquidez ao portfólio, o que permitiu aumentar a meta este ano”, explica Lancarter.
A carteira do plano BD do Postalis tem cerca de 60% em títulos públicos marcados na curva com taxa média de retorno de 6,3%, com o restante distribuído por imóveis, empréstimos e renda variável, além dos 10% em FIPs. “A ordem do interventor para o plano BD do Postalis é manter ao máximo o conservadorismo e a liquidez”, afirma o gerente da EFPC.
Na Volkswagen Previdência a meta também foi elevada em 2019, de 4,38% para 4,5%. “Sempre utilizamos as taxas mais baixas disponíveis no corredor da Previc, e houve um pequeno aumento no patamar do corredor para o duration do nosso plano, que é de nove anos, por isso tivemos de alterar a meta”, conta o diretor Luiz Brasizza. Ele explica que além do aumento da meta provocar uma redução no passivo, o plano BD é superavitário, o que dá tranquilidade à direção ao ter de promover a mudança.
O dirigente reconhece, no entanto, que a busca por ativos de maior risco será necessária diante da necessidade de reinvestimento à frente. “Nosso plano BD tem apenas renda fixa, e devemos aumentar um pouco o crédito privado, e talvez em uma segunda etapa fazer alguma alocação em renda variável”.

Gazzoni: passivos das EFPCs em alta


Passivos
– O diretor institucional da Mercer Brasil, Antonio Gazzoni, alerta para o risco do aumento exacerbado dos passivos das EFPCs nos próximos anos em razão da queda das metas. De acordo com o relatório de estabilidade da Previc, a taxa atuarial média praticada pelas fundações está em 5,36%, enquanto a taxa das NTN-Bs estão por volta dos 4,5%. A redução das metas para estarem alinhadas com os títulos públicos do mercado, portanto, deve gerar um aumento de aproximadamente 10% dos passivos no sistema, segundo os cálculos do especialista. “Se considerarmos apenas os BDs, que tem cerca de R$ 600 bilhões, estamos falando de um aumento do passivo de aproximadamente R$ 60 bilhões”, ressalta Gazzoni.
Soma-se ao aumento dos passivos com a queda das metas, prossegue o diretor da Mercer, o aumento da judicialização por parte de participantes contra as contribuições extraordinárias para os equacionamentos de déficits, e ainda o avanço da longevidade da população, como fatores que tendem a manter os passivos em trajetória ascendente. “Nesse ambiente de aumento dos passivos precisamos ficar atentos à solvência do sistema”, pondera Gazzoni. Ele ressalta que a saída para as EFPCs combaterem o cenário de elevação dos passivos não é outra que não a diversificação das carteiras em busca de ativos de maior rentabilidade.

Riscos nos CDs – Já o diretor de previdência da Willis Towers Watson, Evandro Oliveira, destaca o risco de excessivo conservadorismo nos perfis de investimento dos planos de Contribuição Definida (CD).
Como os planos CDs, ao contrário dos BDs e mesmo dos CVs, não precisam passar por uma cálculo atuarial constante para verificar eventuais inconsistências entre os retornos e o passivo estimados, sem o risco portanto de incorrer em déficit, há o perigo do participante nos perfis muito conservadores perceber que o risco na carteira estava excessivamente abaixo do necessário somente no momento da aposentadoria, quando receber um benefício aquém das suas expectativas, ressalta Oliveira.
“A saída para esse problema é as fundações se comunicarem de maneira clara junto aos seus segurados, para mostrar-lhes as opções disponíveis, fazendo também um trabalho de educação financeira e previdenciária para que o participante possa fazer sua escolha com embasamento”.
O modelo do ciclo de vida ataca esse problema, mas apenas em parte, avalia o especialista. Ele lembra que os perfis em que são alocados os participantes próximos da aposentadoria geralmente tem o risco reduzido, já que em teoria eles têm menos tempo de recuperar um investimento eventualmente mal sucedido. “Essa máxima se construiu a partir de modelos fora do Brasil onde os planos CD são obrigados a converter o saldo de conta em renda vitalícia no momento da aposentadoria. No Brasil a acumulação, só que também o resgate é no formato CD, então o dinheiro continua investido no mercado por meio do fundo após a aposentadoria”.
Além disso, estudos indicam que o período mais próximo da aposentadoria é aquele em que a reserva previdenciária tem seu maior crescimento em decorrência da rentabilidade obtida no mercado, com menor peso das contribuições. “Por isso, é importante o debate sobre o perfil de risco nos modelos ciclos de vida para os que estão próximos de se aposentar”, defende Oliveira.

http://www.investidorinstitucional.com.br/sessoes/investidores/fundosdepensao/33186-metas-mais-baixas-entidades-fechadas-de-previdencia-complementar-reduzem-as-suas-metas-atuariais-para-fazer-frente-ao-novo-patamar-dos-juros.html?valor=7

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