A BRF chegou ao fundo do poço em 2018, mas os primeiros sinais de recuperação começam a aparecer. Essa foi a indicação dos principais executivos da companhia, que divulgou seu balanço anual ontem. A interpretação de analistas e investidores, porém, não foi a mesma. No mercado, ainda há muitas dúvidas sobre a capacidade de recuperação da rentabilidade da dona de Sadia e Perdigão, o que continua pressionando as ações.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Ontem, em um pregão negativo na bolsa por causa de preocupações com a reforma da Previdência e aversão a risco dos investidores estrangeiros, os papéis da BRF caíram 4,8%.
Em teleconferência, o presidente do conselho de administração e CEO global da BRF, Pedro Parente, reconheceu que os prejuízos líquidos do quarto trimestre e do acumulado de 2018 foram "expressivos", embora ele enxergue sinais de retomada.
Conforme balanço divulgado na manhã de ontem, a BRF teve o maior prejuízo de sua história. Com uma baixa contábil de aproximadamente R$ 2,5 bilhões em razão da venda de ativos na Argentina, Europa e Tailândia, a BRF amargou um prejuízo líquido de R$ 2,1 bilhões no quarto trimestre, quase o triplo da perda de R$ 784 milhões registrada no mesmo período de 2017.
No acumulado de 2018, o prejuízo alcançou o recorde de R$ 4,4 bilhões, 306,4% mais do que o total de R$ 1,1 bilhão reportado no ano anterior. Além da baixa contábil feita no quarto trimestre para reconhecer o impacto negativo (sem efeito caixa) da venda dos ativos por valores mais baixos do que aqueles pagos pela BRF quando comprou os ativos, o resultado anual foi afetado por um impacto de cerca de R$ 1 bilhão em despesas com a greve dos caminhoneiros e com a Operação Trapaça, investigação da Polícia Federal que apura fraudes que teriam sido cometidas por ex-funcionários da empresa.
"O ano de 2018 foi o mais desafiador da história de dez anos da BRF e testou nossa capacidade de reação e de respostas", afirmaram, na mensagem que acompanha o balanço, Parente e o vice-presidente-executivo, Lorival Luz.
Na mensagem, os executivos lembraram das restrições internacionais à empresa – a União Europeia proibiu a BRF de exportar ao bloco após a Operação Trapaça – e problemas de governança. No ano passado, os fundos de pensão Petros e Previ, os dois maiores acionistas da BRF, lideraram um movimento para destituir o empresário Abilio Diniz da presidência do conselho de administração. Abilio foi substituído por Parente em abril.
"Os problemas em nossa governança, a extensa desestruturação de equipes, sistemas e processos e uma segunda fase de operações de investigações policiais foram outros elementos a compor este cenário de desafios", acrescentaram os executivos.
Na teleconferência, Luz enfatizou que o quadro de oferta e demanda para o mercado brasileiro de carne de frango e suína aponta para melhora de margens da companhia.
Diferentemente do ano passado, em que a companhia sofreu com a sobreoferta de frango e suínos no Brasil, em 2019 a produção está ajustada, o que permite a recuperação dos preços, indicou o executivo. Além disso, as cotações dos grãos que compõem a ração de aves e suínos (basicamente, farelo de soja e milho) apresentam tendência de "estabilidade". Em 2018, esses custos prejudicaram os resultados.
Apesar disso, o resultado operacional do quarto trimestre, um período sazonalmente mais forte devido às festas de fim de ano, desapontou. Em relatório, o BTG considerou "fraco" o resultado da companhia e recomendou cautela aos investidores. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de somente R$ 708 milhões no quarto trimestre, ficou 11% abaixo da estimativa do banco. No balanço, a BRF reportou Ebitda ajustado maior, de R$ 841 milhões. O número, no entanto, inclui um ganho de R$ 133 milhões referente a um crédito tributário.
Desconsiderando o crédito, a margem Ebitda ajustada da BRF foi de 7,4% no quarto trimestre – ante 7,2% um ano antes. Nesse ritmo de recuperação, os investidores estão céticos com a possibilidade de um resultado em 2019 capaz de reduzir o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) de 5,12 vezes para 3,65 vezes até o fim do ano.
Prejuízo da BRF quadruplicou em 2018 | Valor Econômico
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