Roberto Castello Branco afirmou que montante que vai receber após acordo com União será canalizado para investimentos
Ramona Ordoñez
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!28/02/2019 – 11:57 / Atualizado em 28/02/2019 – 15:07
O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco (ao microfone), fala a analistas sobre resultado e planos da empresa Foto: Ramona Ordoñez
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RIO — O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou nesta quinta-feira que os recursos que a companhia vier a receber do acordo com a União sobre a revisão do contrato da cessão onerosa serão usados para novos investimentos. Castello Branco, em conferência com analistas sobre resultado financeiro da empresa de 2018, reafirmou que suas metas principais são a redução do endividamento, que ainda é alto, a forte redução de custos, além de um programa "agressivo" de venda de ativos.
— O que viermos a receber de indenização na revisão do contrato da cessão onerosa não está sendo considerado para a desalavancagem da companhia. Para isso, estamos contando com um programa mais agressivo de desinvestimentos, de redução de custos e crescimento da produção de petróleo. Sobre a cessão onerosa, nosso maior interesse é participar do leilão e expandir a produção de petróleo no país — ressaltou Castello Branco.
O presidente se referiu ao megaleilão que o governo pretende realizar ainda neste ano com as reservas de petróleo excedentes da cessão onerosa, que serão definidas assim que União e Petrobras cheguem a um cordo sobre a revisão do contrato que foi assinado em 2010, pelo qual foi dado à Petrobras o direito de explorar 5 bilhões de barris de petróleo nos campos do pré-sal na Bacia de Santos.
Ao apresentar os resultados da companhia em 2018, quando a Petrobrasregistrou um lucro líquido de R$ 25,8 bilhões, o primeiro depois de quatro anos com prejuízos , Castello Branco destacou que o endividamento ainda é elevado. Com uma dívida líquida de US$ 69,4 bilhões, a meta é reduzir a atual alavancagem de 2,34 vezes a sua relação em reação à receita operacional bruta, para pelo menos 1,5 vezes.
Castello Branco lembrou que entre as formas de reduzir os custos estão o fechamento de escritórios da companhia , como o já anunciado em São Paulo, e outros no exterior, como também o lançamento de programas de incentivo ao desligamento.
Venda de Refinarias
O presidente da Petrobras revelou ainda que, dentro de três meses, a companhia deverá anunciar um pacote de como será feita a venda de refinarias no país, e que está em estudos como o processo será feito para evitar que seja transferido o monopólio que hoje é da Petrobras, pelo fato de a empresa ter 98% do mercado para o setor privado.
— Esperamos que, em três meses, consigamos fechar o pacote de como será feita a venda desses ativos para evitar a transferência de um monopólio privado — destacou.
Castello Branco voltou a deixar claro que a companhia não deverá realizar investimentos em energias renováveis, como solar e eólica. No Plano de Negócios 2019/23, estavam previstos investimentos da ordem de US$ 400 milhões em energias renováveis. A Petrobras deverá também colocar à venda algumas termelétricas.
Bons resultados
Roberto Castello Branco destacou ainda os bons resultados da companhia em 2018.
— A companhia conseguiu interromper um ciclo de quatro anos de prejuízo. Um outro evento positivo foi o acordo com o Departamento dos Estados unidos, que removeram a nuvem de incertezas que pairava sobre a companhia — destacou.
Segundo Castello Branco, a companhia inicia agora um novo ciclo, com uma virada de página, tendo como simbolo a venda da refinaria de Pasadena, nos Estados unidos:
— Na companhia, inicia-se um novo ciclo a partir de agora, é uma virada de página.
Redução de caixa
De acordo com o presidente, o caixa da Petrobras deve ser reduzido dos US$ 14 bilhões, no fim do ano passado, para cerca de US$ 10 bilhões, alocando mais recursos para o desenvolvimento das atividades da estatal. O executivo ressaltou o esforço para reduzir custos. E voltou a destacar a meta de redução da dívida da companhia, que está em US$ 84,4 bilhões, mas inferior aos US$ 126 bilhões em 2015.
— A melhor proteção contra as flutuações dos preços dos derivados e questões econômicas são os custos baixos — destacou Castello Branco.
Meta de produção
O diretor financeiro da Petrobras, Rafael Grisolia, destacou que, neste ano, a meta de produção está mantida em 2,8 milhões de barris por dia de petróleo e gás. Segundo ele, apesar de a produção no ano passado ter registrado redução de 5% em relação ao ano anterior, totalizando 2,6 milhões de barris, em 2019, entrarão seis novas plataformas em produção, das quais cinco do pré-sal, na Bacia de Santos.
Lei das SAs
O presidente da Petrobras pretende sugerir uma modernização da Lei das SAs, que exige o pagamento mínimo de 25% do lucro das companhias de dividendos para seus acionistas.
— Nosso compromisso é na geração de valor para nosso acionista, valorizando o que eles investiram aqui. Para uma empresa com dívida elevada como a Petrobras e sujeita à volatilidade de preços, o melhor seria pagar um dividendo baixo. Mas, vamos obedecer a lei — afirmou Castello Branco.
No ano passado, a Petrobras está pagando um total de R$ 7,1 bilhões em dividendos aos acionistas preferenciais e ordinários.
Dinheiro da cessão onerosa não será usado para reduzir dívida, diz presidente da Petrobras – Jornal O Globo
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