Política de investimento e plano estratégico das fundações

O planejamento estratégico é fundamental no sucesso de qualquer instituição. Mais ainda quando se trata de uma entidade que realiza ações em um horizonte de longo prazo, como os fundos de pensão. No caso da Previ, que gere recursos de mais de 200 mil associados, é preciso criar um planejamento estratégico voltado para este fim. E dentro deste processo é fundamental integrar os níveis estratégico, tático e operacional.

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O planejamento estratégico é um documento basilar da gestão das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC). Nele estão as diretrizes que norteiam a aplicação dos recursos garantidores e a forma como a instituição trabalhará para atingir seus objetivos.

Desde a sua concepção, o planejamento precisa ter como um de seus fundamentos a filosofia de investimentos. O conceito de filosofia de investimentos envolve princípios que permeiam todo o processo de gestão de recursos. Esses fundamentos se materializam em diretrizes que permitem uma gestão estratégica e perene.

Um investimento é bem-sucedido quando está associado à utilização de uma filosofia de investimentos coerente, aplicada aos aspectos do processo de gestão de um portfólio, em linha com os objetivos da entidade. São os princípios definidos pela filosofia de investimentos que alicerçam os fundamentos da gestão de portfólio, constituídos com base na alocação de ativos, análise de fatores estruturais e exposição setorial.

Em um fundo de pensão, a união entre a filosofia e o planejamento se materializa na política de investimentos. Esse alinhamento mitiga desequilíbrios, estabelecendo uma composição de ativos que otimiza a relação entre risco, retorno e liquidez, respeitando as estratégias do fundo. A política e os princípios de investimentos devem estar comprometidos com transparência e respeito às normas, favorecendo a comunicação entre os envolvidos no processo de governança.

Embora a política de investimentos tenha uma perspectiva de longo prazo, é essencial que ela seja revisada regularmente, ajustando a rota para atingir os objetivos. Isso permite a incorporação das mudanças conjunturais da economia, cujos reflexos influenciam as estratégias e objetivos da gestão dos ativos.

No caso da Previ, por exemplo, a construção da política de investimentos é baseada em elementos como missão, definição de apetite ao risco, objetivos de investimento, política de composição de ativos, estrutura de gestão de investimentos e avaliação de desempenho.

A política de composição de ativos deve envolver a otimização da estrutura de investimentos, de forma a identificar o modo mais eficiente para cumprir a missão. A alocação de recursos deve seguir os objetivos de retorno, os limites de risco estabelecidos para cada classe de ativos e a liquidez necessária para cada plano administrado pela entidade.

Dessa forma, a política de investimentos se torna responsável por desdobrar a estratégia até chegar aos direcionadores da execução do negócio. Isso só é possível porque a etapa inicial de construção do documento é a análise macroeconômica, com a elaboração de cenários de curto, médio e longo prazo. Essa avaliação conjuntural torna o processo de decisão mais eficiente, ao permitir o planejamento dos investimentos e o fornecimento de um quadro prospectivo das condições que afetam o mercado.

A estratégia para obtenção de retornos precisa ser executada em um ambiente essencialmente incerto e, portanto, arriscado. Por isso é importante que a política se retroalimente por meio da identificação, mensuração e utilização de ferramentas de controle e mitigação de riscos para a tomada de decisão.

Recentemente foi divulgada a resolução CMN 4.661, que dispõe sobre a aplicação dos recursos garantidores de planos administrados pelas EFPC. Esse dispositivo cria novas dinâmicas para os segmentos de investimentos das instituições no que se refere a veículos de investimento e limites de alocação.

A resolução traz alterações e melhorias em relação aos controles internos, governança e processo decisório, além de ampliar a definição de obrigações das diversas instâncias de decisão e atribuição de responsabilidades entre dirigentes, assessores e todos os envolvidos no processo decisório. Também traz questões relacionadas à restrição de investimentos diretos em imóveis. Com a nova resolução, as políticas de investimentos devem observar instruções auxiliares que estarão em permanente atualização.

As novas regras evidenciam a necessidade de adoção de processos mais robustos de gestão de riscos e segregação de funções, em razão da maior rigidez das determinações a serem cumpridas.

No caso da Previ, que se antecipou a tais alterações, as políticas de investimentos para o ciclo 2019-2025 já trazem essas inovações. A Previ elaborou um documento sobre a política de governança de investimentos, que complementa as políticas de investimentos dos planos de benefícios. O documento traz diretrizes que devem ser observadas ao aplicar recursos, levando em conta fases de análise, assessoramento, monitoramento, controle e decisão.

A missão de um fundo de pensão é assegurar o pagamento de benefícios de forma eficiente, sustentável e eficaz. Portanto, a construção da política de investimentos deve ser vista como um importante instrumento que visa alcançar essa missão de forma a maximizar os resultados econômicos, dentro do nível de risco desejado.

Paula Goto é diretora de planejamento da Previ

E-mail: dipla

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