As cinco prioridades do novo CEO da Petrobras

Geraldo Samor

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03/01/2019 às 18h30

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Em seu discurso de posse, Roberto Castello Branco disse ter cinco prioridades à frente da Petrobras. Abaixo, o trecho em que ele aborda o assunto:

1. Gestão do portfólio

O relevante é ser forte e não necessariamente ser o maior.

O foco deve ser nos ativos em que a Petrobras é a dona natural, aqueles em que é capaz de extrair o máximo de retorno possível.

A competência principal da companhia é na exploração e produção de petróleo em grandes campos em águas ultra profundas. Sua liderança global é inconteste e atestada pelos números de descobertas, poços perfurados no pré-sal e grandes plataformas (FPSO) em operação.

A mãe natureza e o trabalho persistente de profissionais altamente qualificados nos permitiram essa conquista.

Diante da preocupação com a mudança climática e a tendência à eletrificação, vamos acelerar a produção de petróleo para que nossas reservas tenham o melhor aproveitamento possível.

Parcerias serão sempre bem-vindas principalmente pela extraordinária oportunidade de troca de ideias e experiências.

A humildade é uma virtude. Temos que ser humildes para reconhecer nossos erros e aprender com a experiência dos outros.

Ser simples é o máximo da sofisticação.

No gás natural, fonte relevante de energia limpa, ainda há um caminho a percorrer.

A Petrobras é dominante na cadeia produtiva, desde a produção até a comercialização. Tal situação não é boa para a economia brasileira nem tampouco para a companhia, justamente por lhe ser excessivamente confortável.

Os interesses do País e da Petrobras devem ser conciliados por mudanças na estrutura legal e regulatória e a venda de ativos. Assim atrairemos investidores privados e juntos viabilizaremos a construção de um mercado competitivo e vibrante em nosso País.

Se a Petrobras é a dona natural de ativos de petróleo e gás em águas ultra profundas e profundas, isso parece ser duvidoso para os campos maduros terrestres e em águas rasas, assim como para o midstream (atividades de logística) e o downstream (atividades industriais e comerciais).

Tais ativos devem ser objeto de análise para inclusão no programa de gestão do portfólio da companhia com vistas ao desinvestimento.

A destinação prioritária dos recursos gerados por desinvestimentos será o abatimento de dívida e o financiamento de investimentos em ativos onde somos donos naturais.

Não basta investir. Como o capital é escasso, projetos de investimento devem competir por capital, a ser alocado para os mais meritórios sob o ponto de vista de risco e retorno esperado, nunca por critérios vagos, tais como “é estratégico”, “gera empregos” etc.

Ser estratégico é gerar valor.

Maus projetos podem até criar muitos empregos em sua construção, mas por serem mal concebidos acabam se transformando em ilusão, já que cedo ou tarde costumam levar tormenta e desesperança a milhares de lares.

2. Minimização do custo do capital

A indústria do petróleo é intensiva no uso do capital, demandando bilhões de dólares de investimento por ano.

A diminuição do custo do capital se impõe na lista de prioridades de uma empresa competitiva.

O ano de 2018 nos relembrou de quão voláteis podem ser os preços do petróleo.

O efeito da volatilidade é assimétrico. Como produtores ficamos felizes com a volatilidade de alta, porém a volatilidade de baixa pode nos trazer muita preocupação.

Para lidar com a volatilidade de baixa, é imperioso reduzir a dívida e alongar seu prazo para ter custo baixo e minimizar riscos de liquidez e refinanciamento.

O relacionamento amplo e transparente com a comunidade financeira global também será importante.

Dada sua importância na economia brasileira, a Petrobras não só é afetada como também afeta o risco do crédito soberano do Brasil. A melhoria de sua percepção de risco influenciará positivamente o custo do capital para toda a economia brasileira.

3. Busca incessante por custos baixos e eficiência

Baixos custos operacionais são a principal linha de defesa da rentabilidade nos ciclos de baixa.

Seremos caçadores implacáveis de desperdícios.

Roberto Campos, um visionário, em sua luta contra a reserva de mercado no inicio dos anos 80, já dizia que a informática — como era chamada a digitalização — era o futuro da economia. Estava certíssimo.

É fundamental para a Petrobras a transformação digital e o emprego de inteligência artificial para reduzir custos e expandir a produtividade.

A transparência dos indicadores desempenho numa base de unidade de negócios também contribuirá para alcançarmos performance de classe mundial.

4. Meritocracia

Adoção de métricas para o estabelecimento de metas realistas, porém desafiadoras.

Vamos celebrar e premiar as realizações, mas ter firme gestão de consequências.

5. Segurança no trabalho e a proteção do meio ambiente

A preservação da vida humana possui valor extraordinário. É inaceitável que alguém saia para trabalhar e não retorne nunca mais.

Zero fatalidade é meta prioritária a ser perseguida com obstinação.

Vamos empregar inovações tecnológicas para minimizar as emissões de carbono.

https://braziljournal.com/as-cinco-prioridades-do-novo-ceo-da-petrobras

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