Futuro ministro das Minas e Energia instala-se na Petrobras

O futuro ministro das Minas e Energia, o almirante Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior, está instalado na Petrobras, no Rio, onde manteve ontem reuniões de trabalho. Bento pediu à presidente substituta da estatal, Solange Guedes, uma sala para ele e nove assessores, incluindo um cozinheiro. A presença de Bento na Petrobras foi interpretada, por fontes próximas da estatal, como uma tentativa do futuro ministro de ocupar espaço na petroleira. A questão é até que ponto, na gestão de Jair Bolsonaro, o governo e os militares terão ingerência sobre a Petrobras.

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A presença do futuro ministro do MME na Petrobras se dá justamente em momento em que a estatal começa a articular seu processo de transição para o novo governo. O nome de Roberto Castello Branco, indicado para a presidência da empresa, deve ser apreciado pelo conselho de administração da companhia nos próximos dias. A posse do executivo está prevista para 3 de janeiro.

A expectativa é que os nomes dos diretores sejam apreciados pelo conselho no mês que vem. A escolha dos nomes da nova diretoria da Petrobras está sendo conduzida pessoalmente por Castello Branco. Segundo duas fontes, a composição do quadro executivo ainda não foi fechada, mas a expectativa é que haja mudanças pontuais. O Valorapurou que os diretores Jorge Celestino (refino e gás), Nelson Silva (estratégia) e Hugo Repsold (desenvolvimento da produção) podem deixar a diretoria.

A Petrobras disse, via assessoria, que descarta ceder um gabinete para o MME dentro da companhia. Segundo fontes, o almirante Bento solicitou à Solange uma sala para abrigar o MME dentro das dependências da estatal. O pedido foi feito em reunião, na quarta-feira, em Brasília. Ao saber da solicitação, Castello Branco não considerou o pedido aceitável, mas teria dito que, para ter a sala, o ministério teria que pagar pelo aluguel.

Não está claro ainda se pode haver mudanças no conselho da Petrobras logo no início do novo governo. Todos os conselheiros, sejam eles indicados pelo controlador, a União, sejam eles os apontados pelos minoritários, têm mandato até 2020. O conselho é formado por conselheiros independentes, sem nenhum ministro. A exceção aos independentes é o presidente da estatal, Ivan Monteiro, que está de licença médica há uma semana. O conselho da Petrobras é presidido por Nelson Carvalho, doutor em contabilidade pela Universidade de São Paulo (USP).

A formação de um conselho profissional na Petrobras, sem a influência política, remete ao fim do governo Dilma Rousseff, já na esteira da Lava-Jato. Historicamente, porém, a Petrobras teve o ministro de Minas Energia como presidente do conselho da empresa. Até 2015, o MME tinha um representante no conselho de administração da estatal. A ex-presidente Dilma, quando era ministra de Minas e Energia, chegou a ocupar uma das cadeiras. Com a saída da então ministra da Casa Civil, em 2010, o MME passou a ser representado no conselho por Márcio Zimmermann, ex-secretário-executivo do ministério.

Último integrante do MME no conselho da Petrobras, ele renunciou ao cargo em 2015, em meio às crise envolvendo a estatal na Lava-Jato. Naquela época, o comando da Petrobras convivia com a pressão para publicar o balanço auditado do exercício de 2014, diante das denúncias de corrupção em torno da petroleira. Em meio à crise institucional da estatal, o conselho foi então renovado. O ex-presidente da Vale, Murilo Ferreira assumiu a presidência do conselho na gestão de Aldemir Bendine na estatal. Os membros indicados pela União foram mudando de perfil: no lugar de ex-ministros, conselheiros independentes passaram a ser indicados pelo acionista controlador, dentre eles o próprio Roberto Castello Branco, agora indicado para a presidência da estatal.

Fonte com conhecimento da estatal afirmou que o almirante Bento terá ascendência sobre a Petrobras, mas disse não acreditar em uma interferência dos militares sobre a estatal. Para o interlocutor, o futuro ministro estaria despachando na Petrobras por uma razão mais prosaica: o almirante é do Rio e precisa de um lugar para trabalhar na cidade. "Se ele pode trabalhar em um hotel cinco estrelas [a Petrobras] por que vai se instalar em um hotel três estrelas?", disse a fonte. Na visão desse executivo, uma razão para o almirante Bento se instalar na Petrobras também pode estar na necessidade de o futuro governo acelerar as negociações com a Petrobras para a revisão do contrato da cessão onerosa, tema pendente da gestão Temer.

Outra fonte disse, porém, que o almirante Bento poderia ter se instalado na Empresa de Planejamento Energético (EPE), também no Rio.

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