A Previ, maior fundo de pensão da América Latina, tem uma meta de venda de participações acionárias de R$ 5,92 bilhões no próximo ano, o que pode incluir uma redução na participação que tem na Vale. O investimento, atualmente avaliado em R$ 45,5 bilhões, representa 25% do patrimônio do Plano 1, de benefício definido.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!A fundação dos funcionários do Banco do Brasil segue com sua estratégia de sair dos blocos de controle de empresas e planeja diversificar os investimentos em renda variável participando de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs), que devem retornar ao mercado em 2019.
Uma eventual venda da fatia na Vale depende de algumas iniciativas no âmbito da Litel, veículo de investimentos em que detém a participação na mineradora com outros fundos de pensão. "Avaliamos fazer [uma venda] já em 2019", diz o diretor de investimentos da fundação, Marcus Moreira. A proposta é distribuir as ações para os acionistas da Litel – além da Previ, Petros (fundo de pensão da Petrobras), Funcef (Caixa Econômica Federal) e Funcesp (empresas elétricas de São Paulo) – para que cada fundação adote uma estratégia individual em relação às participações. "A ideia é que o início seja individual sem o prejuízo de estruturarmos alguma operação maior de forma conjunta", diz o diretor.
A Previ passou a adotar uma nova metodologia para contabilizar os resultados da Vale, ainda por meio da Litel. Desde setembro, a fundação passou a contabilizar mensalmente o valor das ações a partir de uma média ponderada dos três meses anteriores. Antes, a avaliação era feita anualmente pelo valor econômico. Apesar de ter sido beneficiada com a recente alta das ações da mineradora – com a mudança, o Plano 1 saiu de déficit para superávit -, passa a conviver com a alta volatilidade de um ativo que tem peso elevado na carteira.
"A única motivação para venda é a alta concentração. Confiamos muito no futuro da empresa", diz Moreira. Somente em dividendos da Vale no próximo ano, a Previ deve receber mais de R$ 2 bilhões.
Além da Vale, a Previ ainda está nos blocos de controle de empresas como Invepar, Tupy, Kepler Weber e Neoenergia, que teve uma oferta pública inicial de ações (IPO) cancelada há um ano. Se tudo correr dentro do esperado e as condições de mercado permitirem, o objetivo é retomar o IPO da Neoenergia em 2019. Moreira evita estabelecer um prazo. "Estamos monitorando o mercado. A estratégia é abrir capital e não mudou."
Com a redução de participações e saídas de blocos de controle, o plano para diversificar a carteira de renda variável passa pela participação mais ativa em IPOs. Pelo porte da fundação, que tem investimentos de quase R$ 200 bilhões, interessam as ofertas a partir de R$ 3 bilhões. Em 2017, a Previ investiu R$ 500 milhões no IPO da BR Distribuidora, valor que respondeu por 10% da operação e 3% do capital da empresa. "Pode haver uma reabertura do mercado. Há expectativas do novo governo fazer vendas de participações", afirma o diretor, sem detalhar. Segundo Moreira, os nomes já levantados ainda são mera especulação.
Com a revisão da política de investimentos para 2019, o intervalo para alocação em renda variável passou a ser de 41,27% a 49,27%. Em 2018, a faixa ia de 43,90% a 51,90%. Mas, ao mesmo tempo, a Previ passou a permitir uma flexibilização da velocidade para a migração líquida de renda variável para fixa, para que possa se proteger da volatilidade do mercado e ainda participar de oportunidades que possam surgir. Assim poderá vender ou comprar mais ativos, sem interferir na liquidez ou na solvência do plano, diz a diretora de planejamento da entidade, Paula Goto. Para 2019, a Previ estabeleceu um intervalo de R$ 4,66 bilhões a R$ 10,47 bilhões.
No caso da renda fixa, a política de investimentos determinou que a alocação fique entre 40,83% e 48,83% em 2019 – neste ano, era entre 38,20% e 46,20%. Já no Previ Futuro, a alocação em renda variável foi mantida, com um intervalo de 0% a 60%. O plano de contribuição variável prevê que os associados participem mais ativamente da gestão e devem escolher um perfil de investimento de conservador a agressivo.
A política de investimentos também passou a permitir que a fundação adote hedge (proteção) para até 100% do patrimônio ante uma fatia anterior de 10% na renda variável do Plano 1.
Desde 2016, a Previ não aplica mais em fundos de investimentos em participações (FIPs). A partir do próximo ano, a aplicação passou a ser oficialmente vedada. "A vedação será mantida até que se tenha um arcabouço regulatório melhor. No momento, estamos capturando os ganhos", diz Paula. Segundo ela, há insegurança de que o patrimônio dos cotistas possa ser atingido em caso de litígio ou contingência em empresas investidas pelos FIPs.
Os investimentos estruturados, que incluem os FIPS, apresentaram a melhor rentabilidade entre as aplicações da fundação, apesar de ser uma participação muito pequena frente ao patrimônio. No ano até outubro, têm rentabilidade de 25% no Plano 1 e de 35,7% no Previ Futuro.
A Previ também deve começar a enfrentar no próximo ano as novas regras para investimentos em imóveis. Com a edição da resolução 4.661 do Conselho Monetário Nacional (CMN), as fundações ficaram proibidas de investir diretamente em imóveis e terão 12 anos para vendê-los ou transformá-los em fundos de investimentos imobiliários exclusivos. No Plano 1, a Previ deve se desfazer da carteira de R$ 10 bilhões e descarta a alternativa dos fundos por causa dos elevados custos de Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). No Previ Futuro, a alocação é menor – de R$ 581 milhões – e a possibilidade dos fundos será considerada. Para isso, está elaborando critérios de seleção de gestores e vai analisar itens como performance, tamanho e liquidez. Em geral, a fundação tem a tradição de gerir internamente suas aplicações.
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