Carta Aberta ao Presidente da Petros

Por anos a fio, o patrimônio dos petroleiros confiado à Petros foi gerido de forma negligente, subserviente a interesses alheios, irresponsável e até fraudulenta, segundo amplamente divulgado pela mídia.

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Jamais os donos desse patrimônio tiveram a menor chance de interferir nas gestões calamitosas que deixaram no seu rastro perdas patrimoniais multibilionárias e a revelação de passivos ocultados até recentemente, com o objetivo de iludir os participantes com a falsa ideia de um equilíbrio técnico que de forma alguma foi recomposto pelo famoso AOR, a mais recente manobra feita para maquiar as insuficiências patrimoniais do plano.

As manobras utilizadas para enganar os participantes e tomar-lhes o patrimônio foram muitas e vergonhosas, desde avaliações cor-de-rosa da viabilidade de investimentos fajutos até indecentes “pedaladas” contábeis na precificação de ativos.

Com a destituição do governo anterior, os participantes recuperaram a esperança de ver seus direitos e o que sobrou de seu patrimônio respeitados.

Com amargor, eles constatam que aqueles que assumiram o comando em substituição ao grupo anterior também têm uma missão a cumprir, diferente da outra, mas igualmente lesiva. Aproveitando-se da insegurança gerada pela devastação anterior como instrumento de persuasão, os novos gestores trabalham para isentar as patrocinadoras do PPSP do resultado dos desatinos cometidos na gestão da Petros, oferecendo uma boia furada – não há outra definição para esse plano a ser votado no Conselho – para os desesperados náufragos.

Com essa proposta, a Petrobras visa claramente a se livrar do risco de ter que responder pela má gestão que levou o PPSP à situação em que se encontra hoje, com déficit imenso, problemas sérios de qualidade de investimentos e descasamento com a curva do passivo. Também, no mesmo movimento, quer livrar-se ou minimizar seu risco futuro. É óbvio que quem carregar um patrimônio com a qualidade do patrimônio do PPSP para um plano CD corre riscos na faixa do intolerável. Ao propor o novo plano a própria Petrobras demonstra que não tolera esse risco. Risco que ela mesmo criou, ao colocar na Petros os gestores que colocou e tratar suas demandas como tratou.

Provavelmente o plano será aprovado e oferecido aos participantes e assistidos. Um número destes, cada um em função de sua conjuntura e critérios, poderá aceitar a migração para o novo plano, mas isso de forma alguma o legitimará.

É mais uma página triste na história do PPSP, a mais triste de todas, a que poderá marcar o epílogo de um plano no qual tanta confiança foi depositada por quem dele participou, mas que foi saqueado sem dó por anos a fio e sabotado desde o início de sua existência por sua criadora, a mesma que agora tenta lhe desferir o golpe de misericórdia.

Confio em que haverá reação.

Raul Rechden

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

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