O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, está decidido, se eleito, a realizar uma devassa na Petrobras e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em paralelo, Bolsonaro pretende realizar duas mudanças estratégicas nesses setores: acabar com o financiamento de obras no exterior, no caso do BNDES; e revisar o modelo de exploração do petróleo do pré-sal, atualmente por regime de partilha, o que dependerá de uma discussão e mudança de legislação pelo Congresso.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!"Ele vai fazer uma auditoria profunda", afirmou ao Valor um integrante do núcleo da campanha de Bolsonaro, referindo-se ao BNDES e à Petrobras, que já foram alvos de investigações e operações da Polícia Federal. "É para abrir a caixa-preta", acrescentou.
Embora o discurso de Bolsonaro seja favorável a privatizações de ativos da União não estratégicos, a avaliação na campanha bolsonarista é que o Banco do Brasil já opera num formato considerado positivo, sob controle do governo e com ações suficientemente pulverizadas no mercado. "O lucro do BB já é distribuído também para acionistas privados", explicou. Em relação à Caixa Econômica Federal, ponderam interlocutores do candidato, ela não constará da lista de estatais a serem concedidas ou vendidas à iniciativa privada. A Caixa poderia, inclusive, ter seu tamanho e poder de ação multiplicados. Desde que fique nas mãos de técnicos, e não sob a direção de indicações políticas.
Integrantes da campanha acreditam que essas medidas no BNDES e na Petrobras poderiam demonstrar que Bolsonaro de fato tem como prioridade atacar e divulgar os malfeitos praticados nas duas estatais durante os governos do PT, e não permanecerá apenas criticando e fazendo discursos contra tais práticas. Um dos objetivos é investigar até que ponto chegou o "aparelhamento político" das duas empresas estatais. O candidato do PSL já disse que não aceitará indicação política para o preenchimento dos cargos de direção de estatais.
O programa de governo da coligação encabeçada pelo deputado Jair Bolsonaro e que foi protocolado na Justiça Eleitoral fez um diagnóstico do setor de petróleo e gás natural. De acordo com o documento elaborado, depois da descoberta do pré-sal, a regulação do petróleo foi orientada pelo estatismo, gerando ineficiências. O programa critica ainda a exigência de conteúdo local, dizendo que a regra reduz a produtividade e a eficiência, "além de ter gerado corrupção".
Para a campanha bolsonarista, não houve impacto positivo para a indústria nacional no longo prazo. "Assim, será necessário remover gradualmente as exigências de conteúdo local", destaca o documento. "A Petrobras deve vender parcela substancial de sua capacidade de refino, varejo, transporte e outras atividades onde tenha poder de mercado."
Um dos especialistas ouvidos pela campanha na área de petróleo e mineração é Fernando Coutinho, da Universidade de Brasília. Outro quadro da UnB, Antônio Flávio Testa, é o responsável por coordenar as discussões sobre produtividade e a redistribuição de receitas entre os entes da federação. Um terceiro professor da UnB, Roberto Ellery, foi chamado para dar sugestões na área macroeconômica.
O programa de governo protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também aborda o papel que o Banco teria num eventual governo Bolsonaro: "O BNDES deverá retornar à centralidade em um processo de desestatização mais ágil e robusto, atuando como um ‘banco de investimentos’ da União e garantindo que alcancemos o máximo de valor pelos ativos públicos".
A oposição do candidato do PSL à privatização da Eletrobras está diretamente relacionada com a forte atuação dos chineses na área. Bolsonaro tem apontado a diferença entre as aquisições feitas por empresas da China e por empresas privadas de outros países. "Quem está por trás das aquisições feitas pela China é o Estado chinês, que vem adquirindo muita coisa na América do Sul e na África", observou um membro da equipe de assessores. "Ele se preocupa muito com essa questão."
Procurada, a Petrobras não comentou o assunto. Decisões da Justiça colocaram a companhia como vítima do esquema de corrupção que ficou conhecido como petrolão. O BNDES não retornou até o fechamento desta matéria.
https://mobile.valor.com.br/politica/5923397/bolsonaro-promete-devassa-na-petrobras
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