Fundos de pensão devem retomar operações no primeiro trimestre de 2019

Cenário eleitoral e ajustes regulatórios têm freado movimentações de investidores

12/09/2018 – 13:27

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Por Gabriela Freire Valente

Guilherme Veloso Leão, diretor da Abrapp, considera cautela de fundos sensataGuilherme Veloso Leão, diretor da Abrapp, considera cautela de fundos sensata
Divulgação/Abrapp

As incertezas geradas pelo período eleitoral paralisam grandes movimentações de fundos de pensão até o primeiro trimestre de 2019. A avaliação é de Guilherme Veloso Leão, diretor executivo de investimentos da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). Diante da apreensão com o cenário político, Leão observa que a tendência dos fundos é manter uma estratégia conservadora até que haja elementos suficientes para compreender a política econômica da próxima gestão federal. Além disso, o mercado ainda passa por uma fase de ajustes diante da regulamentação da resolução 4.661/2018 do Banco Central, que elevou o rigor de diversas normas para o funcionamento de fundos de pensão.

Leão esteve reunido com representantes do mercado de fundos e analistas durante o 39º Congresso Brasileiro da Previdência Complementar Fechada, realizado em Florianópolis entre os dias 10 e 12 de setembro. Em entrevista ao Lexis 360, o diretor da Abrapp ressaltou que, embora propostas claras não tenham sido apresentadas, o entendimento do setor é de que o vencedor da eleição de outubro adote medidas de ajuste fiscal que provocarão mudanças nas expectativas dos agentes econômicos.

À medida que investidores e analistas sentirem mais firmeza, Leão acredita que haverá uma redução na curva de juros e as carteiras se sentirão mais confortáveis para assumir riscos e retomar planos de abertura de capital de empresas investidas ou de negociação de ativos. O intervalo entre o processo eleitoral e a retomada de planos também coincidirá com a adaptação do mercado às exigências da resolução 4.661/2018. A norma, editada em maio passado, aumenta a responsabilidade de gestoras a fim de evitar rombos e garantir o pagamento dos planos de complementação de aposentadorias.

Fundos de pensão estão entre os principais investidores institucionais do mercado brasileiro e detêm participações significativas em companhias de grande porte. Durante o congresso organizado pela Abrapp, vários gestores de fundos deram sinais claros dessa cautela. Daniel Lima, diretor de investimentos da Petros, afastou a possibilidade de venda da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, nos próximos meses. Lima afirmou à imprensa que a Norte Energia, que controla a hidrelétrica, apresentará uma saída para o empreendimento quando Belo Monte operar com plena capacidade, no final de 2019.

Dirigentes da Previ, fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, e da Funcef, fundo de pensão da Caixa Econômica Federal, também indicaram a intenção de postergar operações para o próximo ano. A venda do controle da Invepar, detentora da concessão do aeroporto de Guarulhos que já foi cortejada pelo fundo saudita Mubadala, foi descartada em um futuro próximo. O plano dos fundos, no momento, é refinanciar as dívidas da companhia e recuperar seu valor de mercado.

A mesma preocupação com o preço baixo dos ativos foi manifestada sobre a venda de participação na Vale. A oferta pública inicial de ações (IPO) da Neoenergia também deve ficar para 2019. “Vamos esperar para apresentar os resultados de um ano após a fusão [com a Elektro] para a empresa entregar o que prometeu”, afirmou José Maurício Coelho, presidente da Previ, ao jornal Valor Econômico.

Apesar das peculiaridades dos casos em questão, Leão observa que a cautela tem sido um comportamento geral do mercado de fundos para evitar frustrações. “Os investidores estão saindo da bolsa e há um risco de baixa liquidez e de não aproveitar o potencial de capitação. Postergar operações como abertura de capital é uma decisão sensata e lógica”, comenta.

O processo de venda de participação em companhias deve passar por um cálculo mais complexo. Ao passo que situação cambial barateia os ativos brasileiros para investidores internacionais e a parte das empresas tenta se recuperar de momentos de crise, a venda de participação detida pelos fundos passa pela cálculo de quanto se pode ganhar no momento da operação. “Se há percepção de que é possível captar mais valor no futuro, eles irão esperar”, pondera Leão.

https://www.lexisnexis.com.br/lexis360/noticias/1488/fundos-de-pensao-devem-retomar-operacoes-no-primei/

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