Presidente da Petros rebate críticas sobre equacionamento da dívida

Walter Mendes diz esperar que processos sejam decididios na Justiça Federal

Rennan Setti*2018-09-11 19:14:53.528
x77296031_Rio-de-Janeiro-RJ-13-06-2018-FACHADA-DA-PETROS-NO-RIO-DE-JANEIROFachada-da-sede-da-Petro.jpg.pagespeed.ic.cEDOAD36rq.jpgFachada do prédio onde funciona a Petros – Fundação Petrobras de Seguridade Social – Armando Paiva / Parceiro / Agência O Globo / Agência O Globo

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

FLORIANÓPOLIS – O presidente da Petros, fundo de pensão da Petrobras, afirmou nesta terça-feira que a fundação terá maior facilidade em derrubar liminares contra seu equacionamento – exigência de contribuição extra para cobrir rombos – quando os processos migrarem para a Justiça Federal. De acordo com Walter Mendes, isso deve acontecer porque a Previc, autarquia da União que regula os fundos de pensão, manifestou interesse no assunto. Admitindo que o equacionamento é "duro", Mendes rebateu críticas de participantes contra a cobrança, alegando que seu tamanho é essencial para evitar novas contribuições extras e que investigações em andamento sobre irregularidades não eximem a Petros da necessidade de equacionar o déficit agora.

LEIA TAMBÉM:

Com déficit bilionário, Postalis deve propor novo plano de aposentadoria

Fundos de pensão fecham 1º semestre com déficit líquido de R$ 29 bilhões

Fundos de pensão terão que incorporar ao balanço a desvalorização de ativos

O plano de benefício definido – BD, mais antigo – da Petros teve déficit acumulado de R$ 27,7 bilhões entre 2013 e 2015 e, por isso, seguindo as normas do setor, teve que iniciar o equacionamento desse déficit em março. Segundo a Petros, metade dos participantes não estão pagando contribuição extra graças a liminares. Até o fim de agosto, 241 ações foram abertas na Justiça, sendo que 51% tinham sido concedidas. Ao todo, 22% foram pedidas por sindicatos.

LEIA AINDA: Para Previ, dona do Metrô Rio tem que focar no refinanciamento da dívida

CONFIRA: Brasil ainda vive ressaca da crise de 2008

– Tem uma forte possibilidade de federalização deste tema, dado que a Previc, que é um ente da União, tem interesse na questão. Ou seja, ao fim e ao cabo, todas essa liminares que estão espalhadas pelo Brasil podem ser concentradas na Justiça Federal. Daí, é preciso discutir com menos gente, fica tudo concentrado em um só (juiz), e fica mais fácil a argumentação – afirmou Mendes a jornalistas durante o congresso da Abrapp, associação que reúne fundos de pensão. – Isso possivelmente acontecerá nos maiores processos, aí ficará alguns pequenos espalhados por aí.

Segundo Mendes, as liminares são concedidas "sob o argumento de justiça social, mais individual", mas não entram no mérito da questão.

LEIA TAMBÉM: ‘Podemos ter a semente de um novo ‘crash’, diz economista que previu crise de 2008

LEIA MAIS: Dez anos depois de crise mundial, dívida global soma US$ 247 tri

– Quando o juiz examina o aumento da contribuição exigida do participante, ele vê que é bastante alto, e é mesmo, indiscutivelmente, muito forte. Na dúvida, o juiz dá a liminar e vai discutir depois o mérito. Quando o mérito for discutido, muito provavelmente vamos ganhar porque fizemos tudo absolutamente dentro da legislação e com aprovação da Previc. Não há discussão quanto à legalidade e à forma como foi feito – afirmou.

Uma crítica recorrente ao plano de equacionamento da Petros é que ele poderia ter sido feito pelo valor mínimo legal, e não pelo valor integral do déficit, como foi feito. Mendes alegou, porém, que Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) celebrado com a Previc "e assinado pela diretoria e por todos os membros do conselho, eleitos e indicados", observou, determinava que o máximo fosse feito para evitar que novos equacionamentos ocorressem nos anos seguintes.

– Fazendo as contas, a gente chegava à conclusão que, para evitar que houvesse um novo equacionamento imediatamente depois daquele, a gente precisaria colocar o valor integral. E foi isso que foi feito. Então, vir depois de tudo assinado e ocorrido e pedir para voltar atrás é muito complicado. O tempo nao volta para trás. E se a gente não fizesse pelo valor que foi feito, haveria sim com certeza um equacionamento imediatamente depois daquele que estava sendo colocado. O menor não seria suficiente – explicou.

Os aposentados também reclamam de dívidas que a Petrobras teria pendente com a Petros. Para Walter Mendes, no entanto, como a pauta ainda tramita na Justiça, ela não pode ser usada como justificativa para aliviar o peso do equacionamento.

– São questões que estão na Justiças sobre várias questões atuariais. Infelizmente, a Justiça é lenta. Logo, não é uma dívida, é uma questão judicial. E a Petrobras também não pode pagar uma coisa que está na Justiça por bondade. A secretaria das estatais, inclusive, não deixaria que isso ocorresse. O mundo não é simples assim – ponderou.

Como O GLOBO revelou em junho, a Petros cobra R$ 583 milhões de ex-dirigentes na Justiça por falhas em compra de fatia da Itaúsa. De acordo com Mendes, este é o único processo em andamento hoje contra ex-dirigentes do fundo, mas outros menores serão abertos. Para o presidente da Petros, a cautela se justifica pela estratégia de evitar de ela própria ser alvo de ações caso acuse alguém indevidamente.

– O fundo é um condomínio. Na hora que tem um prejuízo, todo mundo tem que arcar com ele e depois correr atrás dos responsáveis. Agora, não dá para parar o processo e dizer que não tem que haver equacionamento enquanto não se apurarem as irregularidades. As irregularidades aconteceram. Só que para você dizer quais foram elas, de quanto foi, isso tudo é um processo de investigação. E não pode ser feito superficialmente. Agora, o déficit está lá e, pela lei, tem que ser feito o equacionamento. É o único jeito de resolvê-lo – completou.

MIGRAÇÃO PARA NOVO PLANO

De acordo com Mendes, ainda é embrionária a proposta de migração de participantes dos planos de benefício definido (BD) para um novo plano de contribuição definida (CD), apresentada pela Petrobras. Segundo o presidente da Petros, o projeto ainda é discutido por um grupo de trabalho instituído pela estatal e com participação de vários sindicatos, no qual o fundo de pensão presta apenas apoio técnico. Após passar por esse grupo, observou Mendes, ele precisará passar ainda por aprovação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) e da Previc.

– Não somos a Petrobras, mas a lógica disso é que, em um plano CD, elimina-se a possibilidade de novos equacionamentos. E o fundo BD tem um déficit muito grande, e é muito difícil evitar que eles não precisem de equacionamentos no futuro. Tentar compensar essa situação com resultados de investimento é quase impossível, e exigiria uma tomada de risco excessiva.

* O repórter viajou a convite da Abrapp

https://oglobo.globo.com/economia/presidente-da-petros-rebate-criticas-sobre-equacionamento-da-divida-23059942

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.


Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading