As carteiras das entidades de fechadas de previdência complementar que fazem parte da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) apresentaram rentabilidade positiva de 2,68% nos cinco primeiros meses do ano, abaixo da taxa atuarial (TMA) de 3,86% no período. Em maio, o retorno das carteiras foi negativo em 1,48%. Em 12 meses, o ganho acumulado soma 10,01%.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!A expectativa da Abrapp é encerrar o ano com retorno de 10,14%, o suficiente para atingir a meta atuarial de 2018. O cenário leva em conta uma projeção de 80 mil pontos para o Ibovespa e Selic a 6,50%.
A rentabilidade das carteiras dos fundos de pensão tem sido impactada pelas alocações em renda variável e pela taxa básica de juros menor. Apesar da queda da Selic para 6,5%, contudo, o cenário de incerteza eleitoral ainda deve atrasar a diversificação dos investimentos das fundações. Os fundos de pensão aumentaram a alocação em títulos públicos de 17,7%, em junho de 2017, para 18,41% em junho de 2018, segundo a Abrapp. "Começamos a ver uma alocação maior em ações, mas ainda tímida", diz Marcelo Mello, vice-presidente de investimentos.
Segundo Mello, até março deste ano houve um aumento do interesse por portfólios multimercados, mas, com a alta das taxas dos títulos públicos atrelados à inflação (NTN-B), as fundações voltaram a aumentar a alocação nesses papéis para aproveitar o momento de mercado.
Para o presidente da Abrapp, Luís Ricardo Marcondes Martins, os fundos de pensão devem diversificar mais as aplicações com a Selic menor. "As entidades devem arriscar mais em fundos multimercado, em crédito privado, e vai haver mais investimento no exterior", disse no 39º Congresso Brasileiro de Previdência Complementar Fechada.
"Se tivermos a vitória de um governo pró-mercado, teremos muito fluxo para ações", diz Mello. Ele lembra que a participação em renda variável, que estava em 17,4% em maio (último dado), segue bem abaixo dos 30% verificados em 2012, quando a Selic tinha alcançado 7,25%.
No primeiro semestre, os fundos tiveram déficit líquido de R$ 29 bilhões, resultado de superávit de R$ 20 bilhões e déficit de R$ 49 bilhões. "Se o país retomar o rumo de crescimento, o superávit tende a crescer", disse Martins. Em junho, 141 entidades tiveram superávit e 83, déficit. "O déficit sobre ativos totais representou 5,8% em junho, o que nos dá uma solvência de 96%", disse Martins, citando que o país está em linha com média global.
O diretor da Fidus, Ricardo Maggi, acredita que há espaço para os fundos diversificarem a alocação, mas o momento de incerteza política, com eleições em outubro, exige mais cuidado. "Os fundo estão aguardando para diversificar, de fato, as carteiras", diz Maggi.
O diretor de investimentos da Valia (fundo de pensão da Vale), Mauricio Wanderley, afirma que a fundação também não fez grandes mudanças de alocação neste ano. "Estamos mais conservadores", diz.
Paulo Werneck, diretor de investimentos da Funcef, fundo de pensão da Caixa, afirma que a fundação também não fez nenhuma mudança relevante de alocação neste ano. "Mudamos no fim do ano passado. Agora está todo mundo parado, inseguro em tomar uma atitude", diz Werneck.
Sobre a alocação no exterior, Mello afirma que os fundos de pensão mudaram suas políticas, mas o momento ainda não é visto como favorável para o aumento desse investimento. Ele lembra que a alta do índice S&P da bolsa americana por anos seguidos e a desvalorização do câmbio desestimulam esse movimento das fundações. A Funcef tem avaliado a possibilidade de investir no exterior, mas ainda não fez nenhuma aplicação. "Estamos olhando alguns gestores lá fora", diz Werneck.
A Resolução 4.661 do Conselho Monetário Nacional (CMN) proibiu o investimento direto em imóveis, restringindo a aplicação por meio de fundos e de ativos de securitização. Pelas novas regras, os fundos de pensão terão 12 anos para se adequarem. As fundações, contudo, acreditam que ainda há tempo suficiente para eventuais mudanças e não estão fazendo grandes desinvestimentos em imóveis neste ano.
A resolução também reduziu o limite para os investimentos em fundos de investimento em participações (FIPs) de 20% para 15%. Depois de irregularidades envolvendo esses ativos, o presidente da Abrapp vê aumento da alocação nesses produtos. "É importante que os fundos retomem investimento em FIPs", disse.
A Abrapp tem discutido com entidades como a B3, Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados (Fenaseg) incentivos para o incremento da poupança de longo prazo. Entre os temas, está uma proposta para reforma da Previdência conduzida pelo economista Hélio Zylberstajn, que será apresentada em setembro. A proposta prevê um regime de capitalização baseado na poupança individual, com um período de transição. "Estamos agendando entrevistas com os assessores dos candidatos à Presidência", afirma Martins. A entidade também tem conversado com o Ministério da Fazenda sobre propostas para incentivar a poupança de longo prazo. Entre as prioridades, estão a adesão automática dos participantes ao sistema de previdência complementar.
A repórter viajou a convite da Abrapp
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