Presidente do fundo de pensão do BB diz que Invepar ‘está bem posicionada’ para acompanhar retomada econômica
Rennan Setti*2018-09-10 17:55:53.765
Fachada do prédio do Previ-Rio no Centro do Rio de Janeiro – Márcia Foletto / Agência O Globo
FLORIANÓPOLIS – Depois de ter rejeitado a proposta de compra pelo fundo Mubadala, a Previ está confortável com a continuidade da Invepar em sua carteira. Segundo o presidente do fundo de pensão do Banco do Brasil, José Maurício Coelho, a operadora do Metrô Rio "está bem posicionada" para acompanhar a retomada econômica e tem acertado em focar no refinanciamento de sua dívida para se preparar para esse momento.
Com cerca de R$ 180 bilhões em investimentos, a Previ é o maior fundo de pensão do país.
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– Vemos a Invepar como uma empresa muito bem posicionada para a retomada da economia, porque os investimentos pesados que ela teria que fazer, ela já fez. Metrô, rodovias, pedágios, já está tudo pronto funcionando. À medida que a economia for se recuperando, com aumento de fluxo de pessoas e automóveis, ela não precisará fazer grandes investimentos. A proposta que recebemos do fundo Mubadala não refletia esse potencial de recuperação, e portanto de preço, que o ativo teria – disse Coelho ao GLOBO durante o congresso de Previdência Complementar Fechada, organizado pela associação do setor, a Abrapp, em Florianópolis.
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De acordo com Coelho, "como não precisamos fazer movimentos fora de hora, podemos nos reservar o direito de recusar propostas que não atendam nossos interesses."
Controlada por fundos de pensão – além de Previ, fazem parte Petros, da Petrobras, e a Funcef, da Caixa – e a OAS, a Invepar tem entre suas concessões o aeroporto de Guarulhos, o Metrô Rio, o VLT Carioca e diversas rodovias. Há uma semana, a Invepar anunciou que estaria avaliando a emissão de títulos no mercado internacional (conhecidos como "bonds") na tentativa de melhorar o perfil de sua dívida.
– Essa é a última etapa do financiamento de sua dívida. Ela já conseguiu alongar o prazo, e agora estão prevendo essa nova emissão. É uma medida muito acertada – afirmou Coelho.
Segundo o presidente da Previ, para o Plano 1, de benefício definido (BD), mais antigo, o objetivo é buscar "mais alternativas de liquidez para os principais ativos". Entre eles está a fatia que a Previ detém da Vale, por meio da Litel, veículo de investimento que tem outros fundos de pensão. Após novo acordo de acionistas da Vale, desde fevereiro a Litel está liberada para reduzir sua participação. De acordo com Coelho, a venda dessa participação se dará no longo prazo, por meio de "movimentos suaves".
– Você nunca verá um movimento brusco em nenhuma ação da Previ. Porque a Previ é muito grande, e o mercado de capitais brasileiro não é tão grande assim. Então ela (a participação da Vale) passa a ser uma empresa passível de ser trabalhada em movimentos mais suaves ao longo do tempo. Passa a ter a possibilidade de qualquer movimento lento e gradual. Ao longo dos anos, a participação da Previ na Vale será menor do que hoje – afirmou.
* O repórter viajou a convite da Abrapp
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