SÃO PAULO – Além de levar à arbitragem o conflito com a J&F Investimentos em torno da Eldorado Brasil, a Paper Excellence (PE) seguirá brigando na Justiça para consumar a aquisição do controle da produtora de celulose de Três Lagoas (MS), apurou o Valor.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Ao mesmo tempo, a empresa do indonésio Jackson Wijaya indicou a interlocutores que estaria aberta a um acordo com a holding dos Batista, apesar de acusá-la de ter bloqueado a operação.
Segundo fontes próximas às partes, não havia negociações estabelecidas até o fim da semana. Ao menos uma fonte qualificada, porém, informou que houve contato nesse sentido. A PE quer assumir o controle da Eldorado, mas não estaria disposta a pagar “qualquer preço”. Do lado da J&F, não estava claro qual é a disposição neste momento, embora a holding tenha indicado que hoje a Eldorado vale mais do que há um ano.
Fontes próximas a produtors de celulose disseram que, em reunião na última semana, credores se mostraram confortáveis com os resultados e houve oferta de nova linha de crédito caso seja do interesse da companhia.
Por contrato, se houver revisão do preço da Eldorado, os fundos de pensão Petros (da Petrobras) e Funcef (da Caixa), que já venderam suas ações, têm direito a receber a diferença.
Desde que a disputa chegou à Justiça, pelas mãos da PE em 14 de agosto, duas audiências de tentativa de conciliação ocorreram, em 22 e 27 de agosto, sem sucesso. Entre uma e outra, advogados da família Batista se reuniram em Los Angeles com o dono da PE, Jackson Wijaya, e também não houve entendimento.
Para a PE, segundo fontes, a valorização recente da companhia teria motivado a J&F a dificultar o processo de liberação de garantias concedidas em dívidas da Eldorado junto a cerca de dez instituições financeiras, pré-condição para a compra do controle.
No contrato assinado há um ano, a produtora de celulose foi avaliada em R$ 15 bilhões, incluindo dívida. Naquele momento, seu resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) anual estava na casa de R$ 2 bilhões. Em 2018, o valor já está mais perto de R$ 3 bilhões, diante da forte alta da matéria-prima e do câmbio.
No caso do maior credor da Eldorado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a PE teria em mãos uma carta autorizando o pré-pagamento da dívida de R$ 2,8 bilhões. O pagamento não teria ocorrido por divergências entre compradora e vendedora quanto à empresa contra a qual deveria ser emitido o boleto, a própria Eldorado ou a CA Investment, subsidiária brasileira da PE.
Fontes próximas à J&F dizem que a holding cooperou e tentou discutir estruturas possíveis para solucionar as dificuldades que a PE estaria encontrando nesse processo — no começo do ano, quando a PE tentou entrar na disputa pela Fibria, os Batista chegaram a temer que a empresa pudesse desistir da compra do controle da Eldorado.
Para levantar as garantias da J&F, a PE propôs aportar recursos na Eldorado com vistas ao pagamento das dívidas antes da aquisição do controle, modelo recusado pela J&F. Como as garantias, sobretudo em ações da JBS e avaliadas em mais de R$ 8 bilhões, não foram liberadas até 3 de setembro, a holding dos Batista declarou extinto o contrato de compra e venda.
A PE tem 15 dias úteis, contados a partir de 30 de agosto, para apresentar um recurso ao juízo da 2ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem de São Paulo, que indeferiu pedido para que a J&F fosse obrigada a aceitar um aporte de capital na Eldorado para pagamento de dívidas e liberação de garantias. Segundo fontes próximas, a PE vai recorrer.
Para o pedido de arbitragem, o prazo é de 30 dias e tanto PE quanto J&F podem fazê-lo. O entendimento, porém, é que a PE estará na origem desse pedido já que foi a parte a judicializar o conflito.
Procurada, a J&F não comentou o assunto. A PE, por sua vez, reafirmou que não reconhece o fim do contrato e “reforça que continuará a tomar as medidas cabíveis para preservação de seus direitos”. A empresa informa ainda que está tomando as medidas para retificação da comunicação da Eldorado, baseada na posição de apenas um de seus acionistas, acerca da extinção do contrato.
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