Petros reestrutura a área de investimentos

A Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, fez uma reestruturação na diretoria de investimentos com o objetivo de melhorar a governança e monitorar o trabalho dos gestores externos, que tendem a ganhar importância na fundação. A reorganização da área também visa mitigar riscos de continuidade do negócio, disse ao Valor o diretor de investimentos, Daniel Lima.

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A medida é mais um passo no trabalho para implantar uma cultura de "asset management" na fundação, uma das prioridades da gestão de Walter Mendes. Em setembro, o executivo completa dois anos à frente da segunda maior entidade do Brasil, com ativos avaliados em R$ 83,9 bilhões.

"Precisamos de uma área robusta para interagir com gestores, que serão questionados e monitorados. Vamos trazer isso para dentro da entidade e fazer um diagnóstico se estão atendendo ou não o mandato. Vamos criar uma política de consequências. Se o gestor não atingir o objetivo estipulado, vai ter um saque ou de parte ou do total dos recursos, para que possamos gerar o ‘enforcement’ necessário", afirmou Lima. Essa nova área que centralizará a relação com os gestores externos é chamada de Fundos de Fundos.

"O atual ambiente de taxas de juros baixas traz o desafio de rentabilizar os ativos e superar a meta atuarial. Precisaremos contar com a expertise de gestores externos e teremos uma área para gerenciar isso", completou. Desde que Mendes assumiu, a fundação vem aumentando a gestão externa de algumas aplicações. Para isso, elaborou um critério de seleção dos segmentos de renda fixa e variável, e prepara o de fundos multimercados.

Para o diretor, a mudança diminui a possibilidade de conflito de interesses porque as equipes passam a ser o ponto de contato para novas propostas, sem interação direta com os diretores. "Queremos tudo bem documentado, e bem registrado. Tivemos problemas no passado com a falta de registro de contatos e isso pode gerar um custo operacional muito alto", disse o diretor.

Problemas parecidos foram vivenciados por outras fundações, tanto é que a nova resolução sobre os investimentos do setor, a 4.661, trouxe a medida de forma expressa. Com a norma, editada no final de maio, passou a ser exigido que a fundação deve manter registro, por meio digital, de todos os documentos que suportem a tomada de decisão na aplicação dos recursos dos planos, no caso da gestão própria, fundo de investimento exclusivo ou de aplicação em que tenha poder decisório sobre a sua realização. "A 4.661 não trouxe surpresas. Para a Petros isso já estava sendo vivenciado", afirmou Lima.

As mudanças valem para todos os planos administrados pela Petros, que é o maior fundo de pensão multipatrocinado do país e gere recursos, por exemplo, da Liquigás Distribuidora e da Repsol. Os fundos dos funcionários da Petrobras, PP-2 e PPSP, representam a maior parte dos recursos. O diretor de investimentos não comentou os planos da patrocinadora de migração do PPSP, que é de benefício definido e que realiza um equacionamento de déficit de quase R$ 28 bilhões, para um plano de contribuição definida (CD).

Na gerência de renda variável, a Petros unificou a área de ações a mercado e a de participações em empresas. Como o objetivo é, no futuro, ter participações mais líquidas, a fundação já se antecipou ao movimento com o novo rearranjo implementado.

https://mobile.valor.com.br/financas/5641881/petros-reestrutura-area-de-investimentos

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