Obrigado Domingos de Saboya Barbosa Filho, autor da análise Petros-Itaúsa-Camargo Corrêa em 2011

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Meu caro Domingos de Saboya Barbosa Filho,

Praticamente 7 anos são passados a partir do momento que você tornou público o ato que hoje se vê como crime cometido pelos gestores da Fundação Petros.  

O Caso Petros-Itaúsa-Camargo Corrêa

Para ler o documento completo veja o arquivo PDF com 29 páginas em ( https://discrepantes.com.br/wp-content/uploads/2015/03/00-CASO-PETROS-ITAÚSA-CAMARGO-CORRÊA-Cópia.pdf )

Longo tempo que poderia ter desanimado, com a falta de resultados conclusivos, o trabalho de todo um grupo de participantes, que você despertou com a excepcional Análise da Operação Jaú, publicado em 31/07/2011, operação essa que envolveu a manipulação grosseira do, naquele momento, equivalente a 1/3 do nosso patrimônio, ou R$ 20 bilhões, parte (R$ 16,3 bi) na troca e venda, com prejuízo imediato de R$ 16,5 milhões, das NTNB´s oriundas do processo de privatização da Petrobrás, títulos esses que haviam entrado no cofre da Petros como parte do acerto do aporte inicial que era responsabilidade da patrocinadora perante o seu fundo de pensão e outra parte (R$ 3,1 bi) da compra de ações ILÍQUIDAS da holding Itaúsa e que estavam nas mãos da Camargo Correa.

Operação dessa envergadura teve a aprovação de todo o Conselho Deliberativo da fundação, a quem cabia, em síntese, a decisão final. Os conselheiros indicados cumpriram ordens e, como eram obedientes, deram o seu aval à operação, sem dela fazer qualquer sinalização duvidosa ou questionável.

Porém, os conselheiros eleitos, que poderiam fazer a diferença, antecipando a denúncia feita por uma revista semanal sensacionalista e melando a proposta criminosa na origem, também concordaram com a ilegalidade da operação (verdade seja dita, por total ignorância sobre o assunto que se discutia) e a aprovaram. Há duas questões importantes, nessa decisão, que tomaram em bloco. Em primeiro lugar, ao menos da minha parte, há pleno entendimento que não tinham bagagem ou preparo algum para a discussão da operação financeira na envergadura em que ela foi montada. Mas também não foram inteligentes o suficiente para procurar especialistas financeiros externos para dissecar a operação. O resultado, foram engolidos pelos espertos que comandavam nossa fundação e também acabaram responsáveis diretos pela operação considerando a posição que tomaram quando prevenidos pelo Saboya.

O resultado irrecuperável, sob qualquer cenário adiante: R$ 3 bilhões, valor esse que nosso grupo apurou e que também acabou atestado pelo gestão Wálter Mendes, quando por ele fomos recebidos em 8/12/2016. Durante essa conversa, a uma pergunta nossa sobre medidas rigorosas de apuração e cobrança sobre os vários autores responsáveis por aprovação de operações temerárias e causadoras diretas de perda financeira, o atual presidente comentava que isso pouco adiantaria, sequer haveria perspectiva de algum retorno para cobertura do prejuízo. Nossa argumentação foi forte ao afirmar que ainda que a recuperação financeira fosse zero, era necessário, mesmo obrigatório, que a Fundação apontasse que o caminho a ser seguido perante todos os participantes deveria indicar rigorosamente o comprometimento de todos com a boa governança. Esse posicionamento inovador mostraria a todos que o nosso investimento era sagrado e que falhas irresponsáveis, temerárias ou criminosas, deveriam ser rigorosamente questionadas, investigadas e punidas com a dureza da lei. Ao menos quanto a isso estamos enxergando que alguma coisa mudou.

Aliás, nenhum dos conselheiros eleitos, fiscais ou deliberativos, tinha bagagem para discernir com coerência a validade da operação para o nosso plano. Tanto isso é verdade, que só acordaram para o festival de asneiras que os gestores cometiam em nossa fundação muito tempo depois e fruto das diversas denúncias que começaram a pipocar, fruto do trabalho do nosso grupo informal.

A operação realizada em 30/12/2010, acabou denunciada em artigo da revista Veja em 11/6/2011, que agindo com interesses não definidos mas suspeitos, tratou de atingir o ministro Antônio Palocci. Evidente que o principal autor (melhor seria ator) que comandou política e partidariamente a operação, como forma mais que visível de arrecadar fundos para a campanha Dilma Rousseff em 2010, sentiu o golpe de imediato e pediu demissão. Esse cenário chamou a atenção do Saboya e com parte dos documentos que balizaram a operação, que lhe fornecemos, fez um estudo rigoroso – apoiado por outro excelente e excepcional técnico que preferiu não aparecer – e mostrou para um dos conselheiros eleitos que a operação fora catastrófica para o plano.

A discussão, da qual participei junto com o Luiz Ezildo, ambos como intermediários, do problema de se tentar um esclarecimento entre o conselheiro eleito e o Saboya, não foi adiante, pois o conselheiro não aceitava as ponderações do Saboya e este tinha a absoluta certeza do que ocorrera com a operação. Da nossa parte, a luz se abriu sobre a operação e foi por causa dela e através dela que chegamos, todos do grupo, a entender que havia muito mais ativos na mesma situação em nosso patrimônio. Ou seja, Itaúsa, foi a pedra fundamental com que se construiu um processo de análise e apuração das dezenas de falcatruas que fizeram com a nossa fundação.

Hoje, após a ação judicial que a Petros abriu contra a Diretoria Executiva e todo o seu Conselho Deliberativo, que participou da aprovação da operação no período 2009/2010, vieram a público vários outros documentos que respaldaram algumas das nossas denúncias, dentro desse caso, que num primeiro momento foram quase que intuitivas.

No entanto o que mais pecou, do resultado previsivelmente desastroso que a operação desenhava, foi que o Sr. Paulo Teixeira Brandão, o conselheiro eleito que teve conhecimento antecipado do trabalho feito pelo Saboya, não aceitou as argumentações técnicas do autor da análise, numa visível e previsível auto defesa em relação ao possível estrago que sua concordância ao resultado do trabalho, causaria à sua permanente vontade de se perpetuar como conselheiro. Sua teimosia e vaidade, contaminaram os demais conselheiros, incluindo os fiscais.

Produziram, todos, respostas que foram replicadas pelo Saboya com mais argumentações técnicas irreparáveis e todos se perderam.

O tempo, sempre o tempo, apontou de que lado o vento sopra. A ação judicial acionada pela Petros é uma das tantas que ainda serão aplicadas como resultado da incúria e da colossal vaidade desses conselheiros.

Nada disso precisava ou teria ocorrido, tivessem todos eles a humildade de reconhecer que não somos conhecedores de tudo e em muita coisa, ou na sua maioria, somos meros aprendizes.

Importante salientar nessa ação, é que ela traz vários documentos que não estavam disponíveis, ao menos aos conselheiros fiscais, incluindo mesmo alguns que constavam como confidenciais e fora do acesso deles. Há ainda documentação produzida com quase certeza como resultado das várias denúncias que nosso grupo interpôs junto aos órgãos fiscalizadores e investigativos.

Um deles que nos chamou a atenção é o da colagem abaixo (dado esse que também está relatado no arquivo anexo 2018 03 23 – GRERJ nº 30024681345-39 – Inicial Petros – Ação indenizatória contra DE e CD – R$ 583.494.926,00.pdf). Seu item 52, subitem IV na página 11, indica claramente, conforme denunciamos, sem conseguir a prova documental necessária (só tínhamos a informação em ao menos 3 artigos do jornal Valor Econômico), a Camargo Correa possuía somente 10,31% do capital votante em Itaúsa, isso no ano de 2009 (nesse momento a CC já negociava politicamente para levantar valores com a venda de sua parte em Itaúsa) e em 30/12/2010, a CC vendeu a parte dela como sendo 11,42% do capital votante. Isso representou quase 20 milhões de ações a mais (10,31% equivaliam a 173 milhões e a venda dos 11,42% equivaleram a 193 milhões de ações), compradas por valor muito abaixo do executado no leilão de 30/10/2010, valor que atingiu R$ 14,48 por ação e representou em ganho extremamente elevado, chegando a valores de hoje em torno dos R$ 90 milhões. Benevolentemente, a Camargo Correa doou R$ 8,5 milhões à campanha à presidência do PT.

A ação da Petros, cuja inicial juntamos, é uma das muitas que se somarão na questão Itaúsa, as principais irão atingir também a própria Camargo Correa (que já havia sido condenada, pela PREVIC, em R$ 151,5 milhões, valor irrisório face ao tamanho do prejuízo que nos deram e do ganho que alcançaram). O MPF e a Greenfield ainda não finalizaram suas investigações e o que vemos em tudo isso, é que o caldo vem engrossando a cada dado que é apontado.

Dizer que ficamos felizes com o resultado é faltar com a verdade. Tivemos sim a chance de construirmos uma defesa contra o atual estado de coisas que estamos vivendo, mas a incúria falou mais alto.

Sérgio Salgado

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

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