Plano do Postalis, fundo de pensão dos Correios, tem perdas de 45,8% em 2017

Os planos do fundo de pensão dos funcionários dos Correios fecharam 2017 com prejuízos, após considerar perdas com a atualização dos valores de suas aplicações. O fundo mais antigo, de benefício definido (BD) registrou perda de 45,8%, enquanto o mais novo, PostalPrev, fechou o ano passado com prejuízo de 11,2%. No ano passado, os fundos de previdência fechados tiveram rendimento médio de 11,36%. O fundo dos Correios teve perdas expressivas com a má aplicação dos recursos dos participantes e com fraudes, como um fundo que aplicou em derivativos de títulos da dívida externa da Argentina e da Venezuela, e cujo gestor fugiu para os Estados Unidos. Por conta dessa operação, o Postalis abriu sete ações contra o administrador da carteira, o banco americano BNY Mellon.

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Os participantes do plano, carteiros e funcionários dos Correios, tiveram de pagar prestações muito maiores para cobrir o rombo dos planos, em alguns casos, seis vezes mais. O Postalis está sob intervenção da Previc desde outubro de 2017.

Segundo nota do Postalis, a dificuldade em determinar o valor real dos investimentos do fundo acabou impedindo o cálculo das cotas dos participantes neste ano. Agora, com os dados de 2017 fechados, as cotas foram reajustadas retroativamente a dezembro de 2017 e os saldos de conta dos participantes recalculados. O valor das cotas e dos saldos de conta apresentados em junho já contemplam a rentabilidade do plano nos meses de janeiro e fevereiro de 2018, de 1,95% e 0,67%, respectivamente. À medida que os resultados dos outros meses forem computados, os saldos de conta serão atualizados, diz o fundo.

Desde o início do processo de intervenção, em outubro de 2017, o interventor Walter Parente, juntamente com o Grupo de Apoio à Gestão e o Comitê de Recuperação de Investimentos, vêm trabalhando para determinar o valor justo dos ativos que compõem as carteiras de investimentos, diz a nota do Postalis. O trabalho consistiu na análise de cada um dos ativos para verificar a possibilidade de recuperação dos investimentos. “Na prática, seguindo a característica contábil da representação fidedigna, foram reduzidos ou integralmente provisionados os instrumentos financeiros que apresentaram agravamento significativo de risco de crédito, ou seja, menor chance de gerar um benefício econômico futuro”, explica o fundo.

Fundos de recebíveis têm valores revistos

Com a conclusão desse trabalho, foi possível a apuração do resultado dos planos no ano de 2017. Nesses prejuízos, estão incluídas as baixas contábeis dos valores relativos aos Fidcs-NP, ocorridas em outubro de 2017.

No final de 2016, o Postalis estruturou quatro fundos de investimento em direitos creditórios não padronizados (Fidcs-NP) como estratégia para reaver perdas resultantes de investimentos que deixaram de pagar o que havia sido acordado, trazendo prejuízo à fundação. No entanto, a valorização desses fundos foi registrada de forma indevida como ganho nas Demonstrações Contábeis do plano.

Constatada a irregularidade pela fiscalização da Previc, o interventor determinou a baixa contábil dos valores atribuídos aos respectivos fundos nas demonstrações contábeis, em fevereiro deste ano. O resultado desse ajuste causou impacto ao plano BD, cuja rentabilidade relativa ao mês de outubro de 2017 teve uma redução da ordem de 17% em relação ao mês de setembro.

Maior plano parou de calcular cotas até definir valor de 2017

No caso do Plano PostalPrev, o resultado é utilizado para calcular o valor da cota. Nos primeiros dois meses deste ano, em razão da pendência com relação ao balanço de 2017, as cotas foram calculadas por estimativa. A partir de março, optou-se por não atualizar as cotas até que a rentabilidade de 2017 fosse apurada.

Ação nos EUA contra o BNY Mellon

O Postalis estuda entrar na Justiça dos Estados Unidos contra o banco BNY Mellon, por prejuízos em fundos de investimentos. O fundo dos Correios já moveu sete ações judiciais contra o banco BNY Mellon, por prejuízos em aplicações administradas pela instituição. Seis delas durante a gestão da última diretoria que esteve no Postalis e, por último, uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), já durante o período de intervenção.

O gerente jurídico do Postalis, Leandro Augusto Medeiros, afirmou, em reunião com representantes dos funcionários dos Correios, que o recebimento de multa contratual, bem como o pagamento ao Postalis dos prejuízos decorrentes da atuação do banco BNY (incluindo danos emergentes e/ou lucros cessantes) são a tônica das ações. O gerente falou ainda sobre o acionamento do banco nos EUA. Para tanto, tem consultado opiniões de diferentes bancas de advocacia nacionais e internacionais sobre o assunto.

http://www.arenadopavini.com.br/arena-previdencia/plano-do-postalis-fundo-de-pensao-dos-correios-tem-perdas-de-458-em-2017

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