Alguns colegas me questionaram o motivo de eu ter escrito Fim do Plano BD, quando foi divulgado que foi apresentada uma proposta de migração do Plano BD para um Plano CD. Uma coisa óbvia: se há migração para um novo plano, o plano anterior deixa de existir ou, em outras palavras, chega ao fim.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Quais as diferenças entre um plano e outro?
Plano BD (Benefício Definido) – os pagamentos dos benefícios são vitalícios. Se o participante morre, o cônjuge recebe uma pensão, também vitalícia. As reservas são solidárias. O risco é dividido entre o participante e a patrocinadora. O plano tem garantia da patrocinadora. O BD é um plano complementar à previdência social.
Plano CD (Contribuição Definida) – os pagamentos dos benefícios duram até o limite do saldo de contas do participante. Se o participante morre, o cônjuge recebe apenas o saldo que tiver na conta (de uma única vez). A reserva é individual (cada participante tem a sua conta). O risco é apenas do participante. O plano não tem garantias. O CD é um plano de poupança ou FUNDO de INVESTIMENTO!!!!
Em uma análise preliminar, qual a vantagem para o participante fazer a migração? Ele deixa de pagar a contribuição extraordinária mensal.
E a desvantagem? Ele assume todos os riscos. Perde o Benefício Proporcional Saldado (no caso dos ativos). Possível redução dos benefícios (no caso dos assistidos).
O valor do benefício, em ambos os casos, será permanentemente ajustado, conforme o saldo de contas do participante e será por um determinado número de anos, cotas ou percentual do saldo. Acabou o dinheiro, acabou o benefício.
A quem interessa essa migração?
Ao Governo Federal, pois não mais pagará equacionamentos. E à Previc, que se livra de um pepino, causado pela possível omissão ou negligência de sua atuação, que gerou o rombo que todos pagamos atualmente (omissão que está sendo investigada pela Operação Pausare).
Na reunião de ontem, foi informado que o déficit aumentou muito, depois da intervenção. Talvez, por ser o interventor o “DONO DO POSTALIS”, como ele mesmo afirmou.
Hoje o Postalis divulgou uma rentabilidade negativa nos dois planos, em percentuais que causam espanto e dúvidas.
Também hoje, Marcos César (nosso representante no CA – Conselho de Administração dos Correios), informou que propôs (ao presidente do CA), a realização de uma auditoria especial no Postalis, para examinar especificamente o processo de reprecificação dos ativos que foi adotado.
Acreditamos que deve ser feita, também, uma auditoria sobre o valor do passivo do Plano BD e sobre as ações e, principalmente, as omissões na área de investimentos durante a intervenção.
O jornal Valor Econômico de ontem, divulgou matéria informando que a rentabilidade média dos fundos de pensão foi positiva, maior que 11 por cento. Por que o PostalPrev teve rentabilidade negativa, de 11 por cento?
Quando deixamos o Postalis, o Postalprev era o segundo fundo do Brasil com melhor rentabilidade do mercado. Em 2016, foi o sétimo. Em apenas três meses o “dono do Postalis” conseguiu a proeza de gerar rentabilidade negativa? Imagino como possa estar o resultado em 2018. Será por isso que os Boletins Postalis em Números não são mais divulgados?
O último divulgado, data de novembro de 2017. Nele, vemos que a composição da carteira do plano é de 60% de títulos públicos, 9% de operações com participantes (empréstimos) e o restante (30%), de títulos privados e fundos de investimentos. A rentabilidade negativa precisa ser bem explicada.
FICAR PARADO, SEM NADA FAZER NA ÁREA DE INVESTIMENTOS DURANTE MAIS DE OITO MESES, EQUIVALE A GERAR RENTABILIDADE NEGATIVA, COM 100% DE CERTEZA.
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