Em acordo da Braskem, Odebrecht quer ficar e Petrobras prefere vender

SÃO PAULO – A partir da assinatura do acordo de exclusividade entre Odebrecht e LyondellBasell, para uma operação de combinação entre a companhia holandesa e a Braskem, é que serão definidas as condições de preço e pagamento para uma possível transação.

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Diversos atores podem influenciar essa definição, com destaque para a Petrobras, que controla conjuntamente a petroquímica brasileira, e os bancos credores da Odebrecht, que possuem as ações da Braskem como garantia para R$ 12 bilhões em dívidas da empresa.

Além disso, só agora a LyondellBasell iniciará um processo completo de diligência na Braskem, tanto contábil, como operacional e também de procedimentos e controles internos, segundo pessoas a par do assunto.

De acordo com pessoas próximas à transação, a exclusividade tem duração de dois meses.

Ontem, conforme informações públicas no site da Petrobras, o presidente da holding Odebrecht, Luciano Guidolin, esteve com o presidente da estatal, Ivan Monteiro, para levar as informações a respeito da assinatura do contrato de exclusividade. A Petrobras é co-controladora, com direito de preferência e de “tag along” (venda conjunta) na Braskem, pelo acordo com a Odebrecht.

Fontes envolvidas no debate explicaram que certamente será parte das conversas com a LyondellBasell o acordo de fornecimento de matérias-primas da Petrobras com a Braskem. A questão do abastecimento tem potencial direto de influência no valor da petroquímica. A expectativa é que fique mais simples o diálogo diante da perspectiva de a empresa ser incorporado à LyondellBasell.

Juntas, LyondellBasell e Braskem dão origem à maior produtora mundial de resinas plásticas. Além disso, a transação retiraria as sensibilidades que as negociações atuais têm por envolver Odebrecht e Petrobras num tema que foi alvo da Lava-Jato.

Anteriormente, a companhia holandesa havia sinalizado uma avaliação de R$ 52,00 por ação de Braskem. Contudo, segundo pessoas ligadas às conversas, o parâmetro é superior.

A definição do valor de avaliação da Braskem será tema exclusivo de negociação entre Odebrecht e LyondellBasell. Contudo, os direitos da Petrobras podem influenciar a forma de pagamento e o desenho da operação. Já o acordo de nafta tem impacto direto sobre o valor.

A Petrobras já declarou publicamente, mais de uma vez, o desejo de sair do setor petroquímico e vender sua participação na Braskem. A Odebrecht sustenta que seu plano é se manter no setor. Assim, a expectativa de pessoas ligadas às conversas é que a Odebrecht prefira trocar sua participação na Braskem por ações da LyondellBasell e que a Petrobras prefira vender e monetizar o ativo, recebendo em dinheiro.

A empresa holandesa está disposta a uma combinação que atenda aos interesses dos diversos sócios. Aos minoritários, será oferecida à mesma oportunidade dos controladores. Tanto Odebrecht como Petrobras têm participações relevantes em PNA da Braskem. Venda daí também o tratamento igualitário que o mercado deve receber.

Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e BNDES estão hoje de posse das ações da Braskem pertencentes à Odebrecht como garantia a empréstimos ao grupo que somam R$ 12 bilhões. Por isso, eles precisam ser consultados para permitirem a operação e poderão também, com eventuais exigências, influenciar o modelo da transação.

Para a Odebrecht, é importante manter a participação na companhia combinada, pois o ativo petroquímico tem sido o pilar financeiro do conglomerado desde a crise iniciada após a Operação Lava-Jato, que trouxe dificuldades ao negócio de construção. Para o conglomerado é melhor a participação, que permite alavancagem conforme a valorização do ativo, do que o dinheiro de uma simples venda da empresa. O dinheiro teria que necessariamente ser usado para quitar as dívidas e seria, portanto, rapidamente consumido.

Contudo, como os bancos precisam liberar as ações para a operação, é possível que eles solicitem que a Odebrecht monetize uma parte da Braskem, para pagamento parcial das dívidas. Por isso é que podem ter impacto sobre a forma de pagamento pela LyondellBasell, caso a combinação tenha sucesso.

Por fim, a definição de qual participação a Odebrecht terá ao fim de uma combinação entre LyondellBasell e Braskem vai influenciar a decisão sobre se o grupo brasileiro terá atuação no conselho da companhia resultante. Segundo fontes ligadas às conversas, a companhia holandesa não se opõe a essa participação da Odebrecht no conselho, dado o conhecimento setorial e regional no setor.

Embora existam muitos atores ligados indiretamente às conversas entre Odebrecht e LyondellBasell, a crença de pessoas envolvidas nas conversas é que um acordo pode ser alcançado rapidamente.

http://mobile.valor.com.br/empresas/5598285/em-acordo-da-braskem-odebrecht-quer-ficar-e-petrobras-prefere-vender

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