Bancos adiam pela décima vez a data da assembleia que definirá o futuro da empresa de sondas
Em 9/05/2018
Sonda Urca, em construção no Brasfels, é uma das com maior realização até o momento
A Assembleia Geral de Credores da Sete Brasil foi adiada para o dia 5 de julho. Agendada para segunda-feira (7/5), a AGC foi remarcada a pedido dos bancos credores que reivindicaram mais tempo para avaliar a o plano de recuperação extrajudicial da empresa de sondas.
Este é o décimo adiamento consecutivo da assembleia e o segundo após a aprovação pela Petrobras, em fevereiro, dos termos básicos de um possível acordo para a contratação de quatro das 28 sondas inicialmente previstas. Os termos do acordo firmado com a petroleira terão que ser submetidos também à apreciação dos credores e dos acionistas do grupo.
A celebração do acordo com a Petrobras depende da apresentação pela Sete Brasil de um operador de sondas de classe internacional e com experiência em águas profundas. As duas empresas já começaram a negociar a questão com o mercado e, segundo apurado, vem sendo discutida também a possibilidade de o operador acabar adquirindo as sondas remanescentes.
Além da dívida, que gira em torno de R$ 20 bilhões, o grande problema da Sete Brasil é definir quem será o dono final das quatro sondas, ou seja, se será a Sete Brasil, os estaleiros, os bancos ou um terceiro grupo que, a depender do rumo das negociações, poderá se encaminhar para o futuro operador. O prazo de afretamento das quatro sondas em negociação é de dez anos, com taxa de afretamento de US$ 299 mil/dia, ante o valor contratual original de até US$ 550 mil/dia.
Ainda não há definição formal sobre quais sondas poderão ser salvas no plano de recuperação da Sete Brasil. A tendência é de que as unidades selecionadas sejam as do Fels e do Jurong, estaleiros que possuem os projetos mais avançados, com realização entre 80% e 90%.
O calvário financeiro da Sete Brasil se arrasta há mais de três anos, sendo que o pedido de recuperação extrajudicial foi solicitado há cerca de dois anos. O grupo tem 12 acionistas – BTG Pactual, Luce, EIG Global Energy Partners, Lakeshore, Previ, Petros, Funcef, Valia e FI-FGTS, Santander, Bradesco e Petrobras – e a lista de credores envolve diretamente 22 empresas, o que incluiu os acionistas, cinco bancos credores e cinco estaleiros.
A Sete Brasil foi criada em 2010, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, sob a tônica do incentivo à retomada dos estaleiros brasileiros. Os primeiros sinais de problemas financeiros da companhia tiveram início pouco tempo antes do escândalo da Lava Jato, que acabou por comprovar o envolvimento de ex-executivos do grupo em esquema de corrupção.
O processo de recuperação judicial da Sete Brasil é um dos maiores do país. O acordo com a Petrobras prevê também o encerramento dos contratos das 24 sondas e o desligamento da petroleira do quadro societário das empresas do Grupo Sete Brasil e do FIP Sondas.
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