Petros tem déficit de R$ 4,4 bi com desvalorização de BRF

A Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, sofreu um impacto negativo de R$ 945 milhões em 2017 com a desvalorização dos papéis da BRF. Esse foi um dos fatores que levaram ao déficit de R$ 4,372 bilhões do PPSP, plano de benefício definido da fundação, no ano passado. O plano fechou com resultado negativo apesar da valorização de 9,18%, ganho acima da meta atuarial, de 8,97%. Tal desempenho não era alcançado havia quatro anos.

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O resultado de BRF em 2018 também tem sido desfavorável até o momento. As ações recuaram 31,7% neste ano até sexta, com perdas de cerca de R$ 1 bilhão para a fundação, que detém 11,41% da empresa. A fatia corresponde a 92,716 milhões de papéis.

“A empresa está passando por um evento de ajustes e estamos agindo de acordo com nosso dever fiduciário de propor um novo conselho, uma nova chapa para o conselho da empresa”, disse na sexta-feira o diretor de investimentos da fundação, Daniel Lima, em apresentação de resultados. “Temos a convicção de que a empresa pode entregar muito mais do que recentemente e que suas ações se valorizarão em função disso”, completou.

Em 2017, também houve reavaliações negativas de ativos, como Invepar (R$ 201 milhões), e em imóveis (R$ 111 milhões), em razão da retração da demanda do mercado imobiliário, principalmente no Rio de Janeiro, e que afetaram o resultado da Petros. Ajudaram nos números as reavaliações positivas da Norte Energia (R$ 235 milhões) e da Litel (R$ 186 milhões), que detém participação na Vale, além de acordos referentes a investimentos decididos no passado promovidos pelo Ministério Público: FIP Enseada (Gradiente), com R$ 38 milhões, e acordo de leniência da J&F, com R$ 796 milhões.

Ao mesmo tempo, a gestão da Petros lida com tentativas de sindicatos e associações de barrar as contribuições extraordinárias para sanear o déficit de R$ 27,7 bilhões entre 2013 e 2017. Já existem 29 processos, sendo que 15 liminares foram obtidas para suspender os pagamentos, disse o presidente da Petros, Walter Mendes. Outras 14 foram recusadas pela Justiça.

“Estas liminares causam uma dificuldade operacional, mas a gestão da Petros sabia que isso poderia acontecer”, disse Mendes. Segundo o executivo, elas estão sendo respeitadas e o desconto não está sendo feito, mas cada um dos participantes tem que levar em conta se a decisão judicial ainda está em vigor, porque eventualmente a liminar é cassada.

“É nosso dever fazer isso para garantir o plano”, disse. Para não pagar o adicional, os participantes devem ficar atentos sobre a área geográfica em que a liminar tem validade. A pessoa precisa ainda estar filiada à entidade no momento em que a ação foi ajuizada.

Divulgada na semana passada, a primeira denúncia do Ministério Público Federal envolvendo investimentos da Petros e também da Funcef, fundo de pensão da Caixa Econômica Federal, foi em relação ao FIP Enseada. A força-tarefa da Operação Greenfield denunciou 17 pessoas acusadas de gestão temerária e desvio de recursos pelos investimentos relacionados ao fundo. Figuram entre os denunciados ex-dirigentes e ex-gestores dos fundos de pensão e da Companhia Brasileira de Tecnologia Digital (CBTD).

“De agora em diante, e a partir do momento em que as denúncias do MP forem feitas, nós passaremos a ser assistentes de acusação”, afirmou o presidente da Petros. Segundo Mendes, a partir daí será possível abrir processos criminais contra os dirigentes anteriores que tenham efetivamente cometidos fraudes.

Mendes também disse que a Petros está cobrando dívidas da patrocinadora. “Ao contrário do que muitas pessoas estão dizendo, não é verdade que não estamos cobrando”, disse.

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