Lava-Jato: PF investiga propina em Belo Monte e mira Delfim Netto

Nove mandados de busca e apreensão foram expedidos na 49ª fase da operação

O Globo09/03/18 – 10h05
xDelfim-Neto.jpg.pagespeed.ic.c-i2RbbodD.jpgO ex-ministro e economista Antonio Delfim Neto – Marcos Alves / Agência O Globo 13/04/2012

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SÃO PAULO – Policiais federais cumprem nove mandados debusca e apreensão na manhã desta sexta-feira em São Paulo e no Paraná, como parte de uma operação que investiga o pagamento de propina na construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Chamada de Operação Buona Fortuna, a 49ª fase da Lava-Jato tem como um dos principais focos o ex-ministro Antônio Delfim Netto.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o ex-ministro é suspeito de ter recebido R$ 4 milhões, destinados a pessoas jurídicas ligadas a ele, por meio de “contratos fictícios de consultoria”. Os investigadores estimam que os repasses ao ex-ministro possam chegar a R$ 15 milhões, mas ainda não foi possível rastrear todos os valores. Parte da propina do esquema de corrupção foi repassada para o PT e o PMDB, de acordo com os investigadores. Delfim Netto era conhecido pelo apelido de “Professor” no sistema Drousys, que controlava o pagamento de propina na Odebrecht.

xoperacao_lavajato.jpg.pagespeed.ic.9IC5FVEBKs.jpgViaturas da PF saem para cumprir mandados judiciais na 49ª fase da Lava-Jato – Reprodução/PF

A investigação mira a atuação do ex-ministro na estruturação do consórcio Norte Energia, vencedor da licitação de Belo Monte em 2010. Para a MPF, há “fortes indícios” de que o grupo de empresas foi “indevidamente favorecido por agentes do governo federal para vencer o leilão” de construção da usina.

Com base em acordos de leniência das construtoras Andrade Gutierrez e Camargo Correa, além da delação de executivos da Odebrecht, os procuradores descobriram que o Norte Energia direcionou o contrato de construção da usina para outro consórcio, que havia perdido o leilão, desde que pagassem 1% do valor do contrato como propina.

Segundo a PF, as investigações identificaram “modus operandi semelhante ao já investigado nas demais fases da Lava Jato”, que consiste no pagamento de “vantagens indevidas a agentes públicos e políticos por parte de consórcio de empreiteiras diretamente interessado nos contratos” de Belo Monte.

Parte das investigações sobre o esquema de Belo Monte seguem com a Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, que apura o envolvimento de autoridades com foro. Em Curitiba são investigados os pagamentos ao PT e ao ex-ministro.

Os mandados judiciais foram expedidos pelo juiz Sergio Moro. Estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e aprensão em Curitiba, três em São Paulo, um em Jundiaí e outro no Guarujá.

O nome de Delfim Netto já havia aparecido na Lava-Jato. Em agosto do ano passado, ele admitiu, em depoimento à PF, que recebeu R$ 240 mil da Odebrecht por uma consultoria que não declarou “por motivos pessoais” e “razões de conveniência”

Aos 89 anos, Delfim Netto foi ministro da Fazenda durante o regime militar e continuou a exercer influência nos governos civis, de Sarney a Lula, passando por Collor e Fernando Henrique.

O GLOBO procurou a defesa de Delfim Netto. Em contato com a reportagem, o escritório de advocacia que defende o ex-ministro afirmou que irá se manifestar após ter acesso aos autos. A defesa, no entanto, destacou que Delfim Netto não ocupa cargo público desde 2006 e não cometeu qualquer ilícito e os valores recebidos foram honorários por consultoria prestada.

Delfim Netto é defendido pelos advogados Fernado Araneo, Ricardo Tosto e Jorge Nemer.

https://oglobo.globo.com/brasil/lava-jato-pf-investiga-propina-em-belo-monte-mira-delfim-netto-22471633

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