A Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) reforçou sua prática de governança corporativa no ambiente organizacional da entidade para evitar perdas em investimentos.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!A Previ é o maior fundo de pensão brasileiro com mais de R$ 154,2 bilhões em sua principal carteira de investimentos (Plano 1). “Nosso objetivo é proteger o participante”, afirmou a diretora administrativa da Previ, Cecília Garcez, em entrevista exclusiva concedida ao DCI, na última sexta-feira.
Entre as iniciativas, a fundação está desenvolvendo um “rating de integridade”, no qual os investimentos serão analisados com critérios de governança. O objetivo, segundo a Previ, é incentivar a integridade no relacionamento com o setor público e privado, através de ações de prevenção e combate de atos ilegais, ilegítimos ou de corrupção. A entidade também citou que possui uma ouvidoria atuante. “Além disso, temos uma política de investimentos com metas ousadas, e um planejamento estratégico traçado até 2023”, disse.
Cecília enumerou os quatro pilares da boa governança na entidade. “A Previ sempre foi um modelo de governança, nossa política de recrutamento prioriza um corpo técnico que entende do negócio, sem viés político partidário”, destacou a diretora.
No primeiro pilar, ela citou que o Estatuto da entidade de previdência complementar fechada estabelece, por exemplo, que para ser dirigente precisa de, pelo menos, 10 anos de experiência. “Tem que ser participante do plano”, ressalta Cecília Garcez.
“A estrutura também é segregada por funções. Quem planeja não executa, e quem executa, não controla”, emendou sobre o segundo pilar.
Sobre o terceiro item da lista, ela explicou que o corpo técnico é formado por funcionários do Banco do Brasil. Em outras palavras, são participantes do fundo de pensão que vão trabalhar em prol do patrimônio para suas próprias aposentadorias no futuro. “A equipe da Previ é formada por 550 profissionais”, contou.
A diretora ainda destacou “modelo de paridade” como o quarto pilar nessa gestão. “Metade dos integrantes são indicados pelo patrocinador, o Banco do Brasil; e a outra metade é eleita pelos associados”, disse Garcez, sobre a escolha de membros para a diretoria executiva, e os conselhos deliberativo, fiscal e consultivo.
Saída do vermelho
Após uma sequência de déficits entre 2015 e 2017, o Plano 1 da Previ deverá apresentar superávit em 2018. “Será um ano complicado com o desafio da redução das taxas de juros nos títulos de renda fixa, mas há analistas otimistas”, contextualizou a diretora da Previ.
Cecília Garcez contou que a entidade pagou R$ 11 bilhões em benefícios no ano passado. “O Plano 1 possui um caixa robusto para manter os pagamentos por um longo período. Não temos pressa em vender [ações]”, respondeu.
O fundo de pensão possui cerca de 100 mil participantes ativos (contribuintes); 93 mil assistidos que recebem aposentadorias ou pensões (benefícios); e 250 mil dependentes relacionados aos associados.
De acordo com os dados repassados ao DCI, relativos a novembro de 2017, o Plano 1 obteve como rentabilidade no ano passado, praticamente o dobro de sua meta atuarial equivalente ao Índice Nacional e Preços ao Consumidor (INPC) mais 5% ao ano. A inflação esteve muito comportada no exercício, e o INPC ficou em 2,07% no ano passado.
O Plano 1 registrava em novembro do ano passado, uma carteira com R$ 154,2 bilhões em investimentos, sendo 45,27% em renda variável, 44,14% em renda fixa, 6,3% em investimentos imobiliários, 3,61% em operações com participantes, 0,59% em investimentos estruturados e 0,08% em aplicações no exterior.
Em números absolutos, o patrimônio em ações somava R$ 69,8 bilhões; seguido pela renda fixa com R$ 68,07 bilhões; R$ 9,72 bilhões em imóveis; R$ 5,56 em financiamentos e empréstimos aos participantes; R$ 911 milhões em estruturados como private equity e fundos imobiliários; e R$ 128,2 milhões em investimentos internacionais.
Da carteira de renda variável, a Previ registra participações relevantes na mineradora Vale e na Neoenergia. E possui volumes bilionários em ações do: Banco do Brasil, Petrobras, Ambev, Itaú, BRF, Bradesco, Ultrapar, Itaúsa, Invepar e Tupy. “Já temos uma presença significativa em renda variável”, respondeu Garcez ao ser questionada sobre mais aportes em papéis de companhias.
Na prática, é essa presença no mercado acionário que está impulsionando a entidade a melhorar seus resultados e zerar o déficit de anos anteriores. Apenas como exemplo de comparação, nos últimos 12 meses até o final de fevereiro, o Ibovespa havia valorizado 28%. Na última sexta-feira, o índice avançou mais 0,45%.
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