O Conselho Monetário Nacional (CMN) modificou em janeiro a resolução que tratava do investimento de fundos de pensão no exterior e abriu a oportunidade para as carteiras de previdência privada fechada diversificarem suas aplicações de maneira mais simples, explica Lucas Nóbrega, diretor-superintendente da PrevBayer e integrante da Comissão Técnica Nacional de Investimentos da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp).
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Antes, cada fundo poderia ter no máximo 25% da carteira que aplicava no exterior, o que obrigava a fundação a procurar outras três para aplicarem em conjunto. Assim, era preciso conciliar interesses e estratégias de gestores com diferentes tipos de objetivos e ainda com valores proporcionais. Ao mesmo tempo, se um dos fundos tirasse uma parte dos recursos, já tornaria a carteira irregular, fora dos padrões. “Tudo isso limitava a aplicação dos fundos de pensão no exterior”, explica Nóbrega.
Com a mudança, as fundações terão agora um limite de 15% sobre o patrimônio da carteira no exterior, que costuma ser uma carteira global, com patrimônio grande e muitos investidores. “Agora, a fundação pode ter um fundo exclusivo aqui que aplica lá fora e, se não chegar a 15% da carteira no exterior, não tem problema”, afirma Nóbrega. Essa facilidade deve impulsionar a aplicação das fundações no exterior, que hoje é muito baixa, em torno de 0,5% do patrimônio total, ou R$ 4 bilhões. “Mesmo que dobre, ainda vai ser pouco se comparado com outros países, como o Chile, em que a maioria das aplicações é no exterior”.
Queda dos juros aumenta procura por risco
Além da facilidade, outro fator que vai incentivar o investimento fora é a queda dos juros no Brasil para os menores níveis da história, 6,75% ao ano. E isso vai provocar uma demanda maior por produtos de mais risco, afirma Nóbrega. “E quando o responsável pela estratégia da fundação for fazer o contraponto entre a renda variável no Brasil e no exterior, vai ver que a possibilidade de diversificação lá fora é muito maior, com setores que nem existem na bolsa brasileira”, destaca o executivo. Ele cita como o exemplo o agronegócio, que apesar da importância na economia brasileira não tem empresas grandes na bolsa.
Nóbrega estima que, com o juro caindo, um crescimento das aplicações no exterior de R$ 4 bilhões para R$ 10 bilhões não seria nada absurdo, considerando o tamanho dos fundos de pensão brasileiros. “Só 1% da Previ, do Banco do Brasil, já daria R$ 3 bilhões”, cita.
Preferência por ações
Ele explica que a aplicação tem de ser por intermédio de fundo de investimento em cotas que aplicam em outros fundos lá fora. “Muito provavelmente a maioria será de ações e uma parte de títulos hedgeados (que protegem da oscilação do dólar)”, diz. Como o juro no Brasil está mais baixo e a inflação também, o custo do hedge é menor, o que torna a aplicação fora mais interessante, mesmo em renda fixa, já que há papéis que pagam mais de 7% ao ano. Mas a maioria das aplicações vai ser mesmo em ações, acredita Nóbrega, e sem hedge cambial. “O fato investir no exterior em renda variável já é um hedge natural para um aumento de incertezas que puxe o dólar”, diz.
Nóbrega diz que a demanda por fundos no exterior vai começar a ser construída no setor. “Várias fundações já aumentaram a exposição em renda variável, aumentaram na politica de investimentos a aplicação no exterior e vão começar quando os ganhos começarem a cair aqui na renda fixa”, avalia. Ele lembra que o ganho do juro do CDI já caiu para 6,75%, o juro dos papéis corrigidos pela inflação está em queda e os juros prefixados estão recuando. “Tudo isso vai empurrar as fundações para o risco e uma parte deve ir para renda variável e para multimercados e lá fora”, afirma.
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