FIPs demonizados

Fundações reforçam governança

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Os principais fundos de pensão do país ainda se mostram reticentes em realizar novos aportes em Fundos de Investimentos em Participações (FIPs) após os problemas que a modalidade apresentou no passado recente. No entanto, as fundações reconhecem que é uma boa opção para diversificar investimentos em um cenário de juros baixos. Para que voltem a investir nesses ativos, as principais fundações do país – Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa Econômica Federal) – sugerem melhorias na legislação e na governança do setor.

A Previ, maior fundo de pensão do país com patrimônio de cerca de R$ 180 bilhões, considera a possibilidade de retomar os aportes no segmento em 2019 – hoje é vetada pela a política de investimentos. “Olhando para o cenário que está acontecendo, é bem provável [investir em 2019]”, diz Gueitiro Genso, presidente da Previ. “O instrumento acabou sendo demonizado por má utilização pontual.”

Os FIPs são compostos essencialmente por fundos de private equity, que visam captar recursos para empresas promissoras. Entre as fundações, esse tipo de investimento foi parcialmente responsável por maus resultados e problemas de ingerência política. Alguns foram alvo de investigações internas e do Ministério Público Federal (MPF).

Para Fábio Coelho, diretor-superintendente substituto da Previc, reguladora do setor, muitas fundações se perderam com a falta de experiência. “Algumas fundações beberam na fonte do private equity, sem expertise e sem fazer documentação do processo decisório porque estava acostumada a fazer investimentos conservadores.”

Ainda há questões a serem solucionadas na visão dos fundos de pensão. No passado, houve a criação dos comitês de investimento, mas hoje isso não é visto mais como necessário. O mecanismo teria tirado a agilidade dos gestores e levado a um comprometimento desnecessário das fundações. “O gestor fala: se deu errado é porque vocês [fundações] aprovaram o investimento”, afirma Gueitiro.

Riscos como a descaracterização da pessoa jurídica – ou seja, de que os cotistas de FIPs possam ser responsabilizados – são alguns dos receios da indústria. O desbalanceamento de responsabilidades entre gestores e administradores é outro ponto de debate – um gestor pode, por exemplo, sair de um FIP sem penalidade. “E se ninguém quiser ser gestor? Ninguém pensou nesta possibilidade”, diz o presidente da Petros, Walter Mendes.

“Gostaríamos muito de investir em FIPs, pelo menos no PP-2 [plano de contribuição variável]. No PPSP, que é o plano de benefício definido, é muito difícil. É lá que estão praticamente todos os FIPs e eles têm investimentos muito ruins”, diz Mendes.

O trabalho da Petros é tentar encerrar estes fundos. “É um trabalho muito grande, com muita gente, custos altos e nenhum retorno”, diz. Dos 28 fundos hoje, 50% já sofreram prorrogações, o que eleva o custo do investimento. Além disso, 35% deles tiveram troca de gestores.

As fiscalização deveria ser focada em processos, sugere o executivo. Segundo ele, a regulação atual não aborda o processo de diligência e como ele deve ser feito. “A legislação é muito punitiva, mas tem pouco de orientação e de prevenção. Seria muito importante orientar como deveria ser o processo e fiscalizá-lo. Problemas vão acontecer mesmo com processo bom, mas fica mais fácil detectá-los”, disse.

A Funcef revisa, atualmente, o processo de investimento relacionado aos FIPs. São 44 fundos, em um total de 181 empresas investidas e mais de R$ 6 bilhões comprometidos. “Existe ainda uma fase de retornos que precisamos buscar”, diz o diretor de investimentos Paulo Werneck. Novos investimentos no setor estão vetados, por enquanto. “Sem dúvidas é uma classe de ativos necessária”, completa.

http://mobile.valor.com.br/financas/5305831/fundacoes-reforcam-governanca

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