Por Juliana Schincariol | Do Rio
Diretor de Investimentos da Petros: “”Somos investidores financeiros. O que buscamos é rentabilizar a carteira”
A Petros planeja leiloar cerca de dez imóveis que possui em carteira, como parte de sua nova política de investimentos. O fundo de pensão dos funcionários da Petrobras também começou a olhar, ainda que de forma tímida, para aplicações no exterior, afirmou ao Valor seu diretor de investimentos, Daniel Lima.
A busca por liquidez segue como principal foco da Petros para o PPSP, o plano de benefício definido que ainda concentra os ativos problemáticos da fundação, com patrimônio de R$ 59,5 bilhões.
As novas medidas estão previstas na atual política de investimentos da fundação, que vale por cinco anos, até 2022. “Imóveis e participações estão nessa classe que deve reduzir [a participação] ao longo do tempo”, disse Lima. Segundo ele, não há pressa e as negociações só serão feitas no preço considerado certo. Na visão do diretor, o cenário para os imóveis em um ambiente de juros mais baixo pode “melhorar bastante”. “Temos imóveis bem localizados, que têm um apelo comercial. Acreditamos que boas oportunidades vão surgir.”
As vendas se darão via leilão público. O executivo não quis adiantar quais imóveis serão vendidos. A carteira de imóveis da entidade é avaliada em pouco mais de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,8 bilhões do PPSP. Os empreendimentos são alugados a patrocinadores e terceiros. Em seu site, a entidade anuncia imóveis para locação, como o Edifício Paulista 500, em São Paulo, e o Edifício Lavradio, no centro do Rio. A política de investimentos prevê que a participação do segmento fique entre 4% e 8%.
“Somos investidores financeiros. O que buscamos é rentabilizar a carteira. Não adianta termos uma carteira muito grande, que gera um custo operacional muito desproporcional”, afirma. Com um portfólio mais flexível, o objetivo é aproveitar distorções de preços, seja para aumentar posições em ativos que considera baratos ou liquidar posições em outros segmentos.
No ano passado, a Petros vendeu suas fatias em Itaúsa, FIP Florestal, Iguatemi e concluiu a alienação de JBS e CPFL Energia. Assim, a participação da renda variável no PPSP passou de 34% em 2016 para 23% em 2017 – percentual próximo do alvo de 20% estabelecido para a atual política. Com os recursos dos negócios, a Petros investiu em renda fixa.
Já na renda fixa, a gestão ativa e a diversificação da carteira são vistos como mandatórios em um ambiente de juros menos atrativos. Além de crédito privado e multimercados, a Petros também vai dar mais atenção aos investimentos no exterior. No PPSP, a política passou a admitir investimentos do tipo, mas ainda de forma tímida, limitados a uma fatia de 1%. Caso opte pela alocação, ela deverá ser submetida ao conselho deliberativo.
Lima acredita que o mercado secundário de crédito privado tende a se desenvolver, se os juros permanecerem baixos. Muitas vezes, o apetite e a capacidade de alocação de fundações que administram recursos bilionários é maior do que o tamanho das emissões disponíveis. “Vamos ter que começar a desenvolver novas estratégias de lidar com o crédito privado que não seja comprar e levar na carteira.”
A fundação também aposta nos fundos multimercados estruturados. A exemplo do que já fez com os gestores de renda fixa e de renda variável, prepara o processo de seleção de gestores para estes ativos, e que deve concluir no primeiro semestre.
Já os investimentos estruturados continuam vedados. A participação atual é de 3% e a política prevê que chegue a 1%. Lima afirma que a fundação está preocupada com a extensão do prazo de alguns Fundos de Investimentos em Participações (FIPs), que já venceram o período contratado inicialmente. “Temos cobrado muito dos gestores as estratégias de saída”, disse, referindo-se a fundos que não apresentaram problemas de ingerência ou má gestão. Nestes casos, o diretor disse que o trabalho para recuperar os investimentos continua, mas não quis detalhar os processos judiciais ou as investigações na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Asseguro que os trabalhos são intensos”, afirmou.
Até o final do mês, o conselho deliberativo deve se pronunciar sobre a redução da meta atuarial, em linha com outros fundos de pensão como Funcef (Caixa Econômica Federal) e Valia (Vale). Atualmente, o objetivo do PPSP é de IPCA mais 5,85%. Também não há definição sobre o início das contribuições adicionais previstas no plano que visa equacionar o déficit de R$ 27,7 bilhões. A informação mais recente da Petros é que começariam até fevereiro.
No ano até setembro, o PPSP teve alta de 8,51%, acima da meta de 6,22%, segundo os dados mais recentes. O fechamento do ano ainda depende de ajustes na carteira.
No PP-2, plano mais jovem e de contribuição variável, já é possível dizer que encerrá 2017 ano acima do objetivo, diz o diretor. Entre janeiro e setembro o ganho foi de 8,18% ante meta de 6,10%.
Neste plano, a política de investimentos possibilita maior risco. A renda fixa, que hoje representa 81% dos investimentos, tem como alvo uma fatia de 74%. Para a renda variável, hoje em 11%, o objetivo é chegar a 15%. A alocação em investimentos estruturados não está vedada, mas a participação deve cair dos atuais 2% para 1%. Caso opte por este tipo de investimento, o conselho deliberativo deve aprová-lo, na mesma linha dos investimentos do exterior no PPSP. A seleção dos investimentos e dos gestores será ainda mais rigorosa, garante Lima.

Você precisa fazer login para comentar.