Rio – (Atualizada às 9h58) Num ano de comportamento atipicamente benigno dos preços dos alimentos, a inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 2,95% em 2017, abaixo dos 6,29% registrados no ano anterior, informou na manhã desta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da menor alta de preços em quase 20 anos, desde 1998 (1,65%).
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!A inflação de 2017 ficou acima da média de 2,80% estimada por 25 instituições financeiras e consultorias consultados pelo Valor Data.
Em dezembro, o IPCA acelerou para 0,44%, de 0,28% em novembro. Nesse caso, a taxa ficou bastante acima da média de 0,31% estimada pelo mercado. O intervalo das estimativas ia de 0,25% a 0,36% para o mês.
Com o resultado, a inflação ficou abaixo do piso da meta do Banco Central, de 3% em 2017 — o centro da meta é de 4,5%, com margem de 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos. É a quinta vez em que a meta é descumprida desde que o sistema de metas de inflação foi criado, em 1999. Pela primeira vez, foi descumprida para baixo.
O descumprimento num determinado ano obriga o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, a escrever uma carta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, explicando os motivos e apontando as medidas adotadas para fazer a variação de preços convergir novamente para o centro da meta.
Em dezembro, a alta do IPCA foi influenciada principalmente pela aceleração na taxa dos grupos Alimentação e bebidas (de -0,38% em novembro para 0,54% em dezembro) e Transportes (de 0,52% para 1,23%).
O IPCA mede a inflação para as famílias com rendimentos mensais entre 1 e 40 salários mínimos, que vivem nas regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza, Vitória, Belém, Brasília, e nos municípios de Goiânia e Campo Grande.
Preços administrados
Os preços administrados — que incluem contas de luz, combustíveis, gás de botijão, transportes, plano de saúde entre outros — avançaram 7,99% no ano passado, desempenho acima da inflação apurada pelo IPCA no período.
De acordo com o IBGE, o maior impacto veio dos planos de saúde, que ficaram 13,53% mais caros em 2017, com efeito de 0,48 ponto percentual sobre a formação do índice em 2017. Foi o segundo ano seguido em que os planos lideraram o impacto.
Os preços da gasolina, por sua vez, avançaram 10,32% em 2017, com impacto de 0,41 ponto no índice. O combustível ficou mais caro em meio à nova política de preços da Petrobras, que prevê reajuste quase diário de preços nas refinarias acompanhando o mercado internacional.
Essa política de reajuste nas refinarias também influenciou o valor do gás de botijão, que ficou 16% mais alto em 2017, contribuindo com 0,19 ponto para a elevação de preços.
Na sequência aparece a energia elétrica residencial, que fechou o ano com alta acumulada de 10,35%, com impacto de 0,35 ponto percentual sobre a formação do índice no ano. O avanço é resultado do patamar mais alto das bandeiras tarifárias de energia no ano passado.
Regiões
Sete dos 13 locais pesquisados pelo IBGE para compor IPCA encerraram o ano passado com inflação abaixo de 3%, o piso da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) — o centro da meta é de 4,5%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Os maiores índices foram registrados em Goiânia e Brasília, ambas com alta de 3,76%. Em Goiânia, o destaque no ano foi a energia elétrica, que subiu 30,54%, e a gasolina, com alta de 15,28%. Já em Brasília, os destaques foram a gasolina e o ônibus urbano, com elevação de 17,86% e 25%, respectivamente.
O índice mais baixo foi o de Belém (1,14%), onde as quedas do feijão-carioca (-46,21%) e do açúcar cristal (-35,62%) ajudaram a conter a taxa.
Em São Paulo, o indicador fechou 2017 acima da média nacional, em 3,63%. No Rio de Janeiro, o IPCA acumulou alta de 3,03%, conforme os dados do IBGE.
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