Existe um marco na história dos Participantes da Petros. É a análise do caso Camargo Corrêa-Itaúsa-Petros.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!E existe um personagem principal que pela sua competência, tenacidade e destemor analisou e alertou os Participantes que algo muito grave estava acontecendo na Petros. É o engenheiro civil Domingos de Saboya Barbosa Filho, hoje com 86 anos, sendo 40 deles dedicados à engenharia econômica, mestre em Engenharia de Produção pela COPPE-UFRJ, com pós-graduação em análise econômica urbana e gerência de projetos. A vida profissional do engenheiro foi pontuada por estudos de viabilidade e avaliações de grande porte, em cidades como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Salvador. Por 18 anos, Saboya chefiou o órgão de Perícias e Avaliações da Petrobrás, onde foi responsável pela fundação do Serviço de Investimento da Fundação de Seguridade de Empregados da Empresa, que gerenciou por sete anos. Em 1990, após completar 27 anos de serviços prestados a empresa, o engenheiro aposentou-se, e continuou a ser convocado em diversas ocasiões para elaborar estudos específicos de sua função e avaliações de cisões e fusões de subsidiárias. Em 1996 tornou-se diretor da Fundação Petrobrás de Seguridade Social (PETROS), onde trabalhou por três anos. Foi eleito membro por duas gestões do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e da ABNT, ocupando o cargo de membro do Conselho Fiscal.
O Discrepantes entrevistou Domingos de Saboya:
Qual foi o momento que você percebeu que tinha maracutaia no caso Itausa e decidiu analisar em profundidade?
R – A notícia dada, em 15/06/2011 pela revista VEJA (https://acervo.veja.abril.com.br/#/edition/2221?page=74§ion=1&word=palocci). Antes, em 12-06-2011, um domingo, Ricardo Noblat divulga nota ‘PALOCCI AJUDOU DOADORA DE CAMPANHA DO PT’ da qual se destacam dois parágrafos:
- A “solução política”, no entanto, vingou. A compra das ações foi aprovada pelos quinze conselheiros da Petros no dia 5 de outubro, dois dias após o primeiro turno, e concretizada em 30 de dezembro, a dois dias da posse de Dilma Rousseff;
- A Camargo Correa doou 8,5 milhões de reais ao comitê eleitoral da campanha de Dilma à Presidência da República. “Não existem provas de que o acerto com a Petros tenha sido azeitado pela doação de campanha, mas, conhecendo os mecanismos de negócios entre as grandes empreiteiras e o estado brasileiro, é lícito indagar se sem a doação o negócio sairia da mesma forma”, diz a reportagem.
Quando a Petros te ameaçou com um processo judicial qual foi a sua reação pessoal?
R – A ameaça deu-se pelo Boletim Eletrônico Petros [Ano VII – nº61 de 10/08/2011] que colo aqui com as respostas dadas por mim (em azul), na ocasião (íntegra anexada):
Petros – Por fim, mensagens dessa natureza – que procuram depreciar a imagem da Petros – são no mínimo irresponsáveis e oportunistas, considerando o atual cenário econômico mundial, de turbulência dos mercados financeiros. Em razão das deduções infundadas e calúnias que as mensagens contêm, a Petros estuda as medidas judiciais cabíveis
Saboya – Jogo sujo! Quem quer depreciar a imagem da Petros são os que se aproveitam dela para negócios escusos e nebulosos. Novamente tentam confundir os participantes da Petros. Não se trata de depreciar a imagem da Petros, na realidade trata-se de proteger a Petros e sua imagem de eventuais ações deletérias de seus administradores recentes e do momento. Não somos irresponsáveis nem oportunistas, somos participantes da Petros e, justamente, interessados em seu futuro livre de injunções politicas-eleitoreiras que se abraçou com a administração de sindicalistas de um péssimo e suspeito clero que fizeram e farão outras operações, com certeza, prejudiciais ao patrimônio da Petros caso não se ponham ‘ao fresco’. Com muito prazer aguardo as medidas judiciais… se cabíveis.
Petros – A Diretoria Executiva – zelando pela transparência da gestão e pela imagem da Petros – reitera seu firme compromisso de garantir a rentabilidade dos investimentos e a solidez dos planos de benefícios de seus participantes e assistidos.
Saboya – Infelizmente, os gestores da Petros, descumprem ostensivamente e cinicamente a missão as Petros e escarnecem de seus participantes louvando-se em um negrume de transparência e hipocrisia. Mascaram seus feitos e se auto-promovem. Esta a verdade! Transcrevo finalmente a proposta feita em minha Análise quanto à Missão e Visão da Petros, nas circunstâncias atuais:
A Missão: – “Oferecer produtos e serviços, com foco em pseudo seguridade, adequados às expectativas de seus patrocinadores e instituidores, geridos com eficácia, transparência intramuros e falsa responsabilidade social”.
A VISÃO: “Tornar o Plano Petros-Sistema Petrobrás (B.D.) o mais rapidamente num plano inadimplente, esvaziado a exemplo do que deve ter acontecido com a AERUS”.
E, aí, as burras da Fundação ficam à mercê de programas oportunistas estranhos e alheios às expectativas de seus participantes que também são contribuintes compulsórios, mesmo nas esbórnias financeiras praticadas pelos gestores exóticos.”
Quem foram as pessoas que estiveram durante todo o tempo ao seu lado?
R – Sérgio Salgado, sindicalista de escol e então suplente do Conselho Fiscal, Gerson Nogueira Braune, ex-diretor, como eu, e colega aposentado. Posteriormente, em continuidade, Márcio D. Batitucci, Wagner Paulino, Raul Rechden, Abdo Gavinho, Marilena Maçol e um grupo restrito que, como eu contestavam a gestão sectária sindicalista-partidária.
E quem foram as pessoas que te antagonizaram durante todo o tempo?
R – Conselheiros “eleitos” enquistados nos “Conselhos Deliberativos e Fiscais, em rodízio de mandatos”: Paulo Teixeira Brandão, Fernando Siqueira (que pretendeu nos rotular como leviano), Ronaldo Tedesco e Silvio Sinedino e em geral pelos opositores: CUT, FUP, AEPET e FNP.
Qual foi o momento mais decepcionante para você em todo este episódio?
R – As “manifestações” expressas formalmente pelas entidades “Conselheiros e FENASPE” bem como o cerco de ‘bom moço’ de um dos conselheiros de então, cujo estilo redacional deitou seu ‘traço’ nas redações das ditas manifestações (também em anexo)
Soubemos que existe um inquérito criminal sobre Itausa na Greenfield. Qual a sua expectativa?
R – A minha expectativa é que, além dos gestores executivos sejam tornados réus e que haja o ressarcimento integral aos prejuízos causados à fundação bem como sejam atingidos, como réus, os Conselheiros Eleitos que – além de omissos e lenientes – tornaram-se coautores ou cúmplices da esbornia inconsequente provocada sobre os recursos da Petros. Os documentos anexados revelam, a meu juízo, o despreparo e incompetência profissional ou, pior, intencional, pela forma ostensiva com defendiam aqueles atos de gestão.
Com a venda de Itausa se realizou um dos maiores prejuízos da Petros e que você tanto lutou para evitar. Qual o seu sentimento?
R – As que definem os perfis tanto de executivos quanto de conselheiros têm de ser rediscutidas e examinadas a luz do desacerto desenvolvido pela permeação político partidária na gestão da direção profissional da fundação e, além disso, ser redesenhado o critério de seleção de conselheiros sem interveniência de sectarismo político-partidário. Ademais, restabelecida a autoridade do Conselho Fiscal em equivalência de poder com o Conselho Deliberativo evitando-se um ridículo predomínio de um sobre o outro.
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