Petrobras não é sinônimo de corrupção, diz Moro

Rio – (Atualizada às 11h53) O juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da operação Lava-Jato em Curitiba, afirmou, na manhã desta sexta-feira (8), que a Petrobras não é sinônimo de corrupção. Segundo ele, a empresa foi capturada por uma quadrilha de executivos e políticos inescrupulosos, que usavam a estrutura da estatal para enriquecimento pessoal ilícito ou para financiamento ilegal de campanhas políticas.

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“Tenho muito claro para mim que a Petrobras não é sinônimo de corrupção. A grande maioria dos empregados, petroleiros e petroleiras, além de não ter participado de esquemas de corrupção, tem repúdio em relação a essas práticas criminosas”, afirmou ele, no 4º Evento Petrobras em Compliance, na sede da empresa, no Rio.

“Houve uma captura da Petrobras por quadrilhas em que se associavam executivos e políticos inescrupulosos e que usavam a estrutura da estatal para enriquecimento ilícito ou financiamento ilegal de campanhas políticas”, completou ele.

Segundo Moro, nos processos em que analisou, ficou claro que a “regra do jogo” no passado era o pagamento de propina para o fechamento de contratos entre fornecedores com a Petrobras. Ele disse que o principal motivo para o problema foi o “loteamento político dos cargos executivos da empresa” com fins de “arrecadação de recursos para partidos políticos”.

O juiz lembrou que, até hoje, já julgou 33 processos na Lava-Jato, com a condenação de 157 pessoas, por corrupção e lavagem de dinheiro.

Loteamento político

No evento, Moro elogiou a Lei das Estatais, mas disse que é necessário construir mais instrumentos para proteger empresas públicas de loteamento político.

“Ainda que a atual administração [da Petrobras] esteja tentando profissionalizar a empresa, há uma dúvida de até quando isso vai durar. Vamos ficar sempre dependentes da boa vontade do acionista majoritário ou terá que se construir instrumentos para proteger a empresa de loteamento político”, afirmou o juiz. “Não tem sistema de compliance que funcione se a liderança não estiver comprometida com o sistema de controle. Se não houver na direção [da empresa] pessoas íntegras, todos esses sistemas deverão se mostrar provavelmente ineficazes”, completou ele.

Segundo Moro, a lei 13.303, de 2016, é um avanço, que, de certa maneira, busca proteger a administração pública indireta de loteamento político. Mas, disse, “talvez a lei por si só não seja suficiente”.

Aprendendo com o passado

O juiz também disse que a Petrobras tem a oportunidade de tirar as lições certas dos fatos ocorridos no passado (em relação a atos de corrupção) que envergonham a empresa para apurar devidamente esses fatos e impedir que eles se repitam no futuro.

“Não existe melhor oportunidade do que a presente, especialmente na Petrobras, para se dar a volta por cima em relação a essas questões [atos de corrupção]. O fato ocorrido no passado nos envergonha, não só a Petrobras, mas todos os cidadãos brasileiros”, disse o magistrado.

Na sua avaliação, porém, é possível ter orgulho da companhia. “Se nós extrairmos do passado as lições certas, se nós trabalharmos para que esses casos sejam devidamente apurados e as pessoas responsabilizadas e, especialmente – e esse é o papel principalmente dos gestores atuais e futuros da empresa -, se nós trabalharmos para que esses fatos não se repitam jamais, nós não teremos nenhum motivo para ter vergonha do passado, mas para ter orgulho do presente e do futuro”, disse Moro.

http://amp.valor.com.br/politica/5222155/petrobras-nao-e-sinonimo-de-corrupcao-diz-moro

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