As conversas entre a Funcef e a Arauco, empresa chilena que havia manifestado interesse na compra da Eldorado Celulose antes de essa ser negociada à holandesa Paper Excellence, foram muito ruins segundo o diretor de investimentos da Funcef, Paulo Werneck. Controlada pela J&F Investimentos e com participação relevante do FIP Florestal, no qual os fundos de pensão Petros e Funcef detém 34,45%, a Eldorado Celulose esteve em análise por várias empresas globais antes da venda de 13% do seu controle por R$ 1 bilhão para a Paper Excellence no final de setembro.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Pelo acordo com a Paper Excellence, os dois fundos de pensão tem o direito de exercer o Tag Along para também vender suas participações à empresa holandesa nas mesmas condições do controlador. A Funcef, dos funcionários da Caixa, informou ontem que iria exercer esse direito, vendendo os 8,53% que possui de participação indireta na Eldorado Celulose. A Petros, dos funcionários da Petrobras, ainda não se manifestou se irá exercer o Tag Along.
Após o comunicado da decisão de sair da Eldorado Celulose, Werneck conta os bastidores das conversas com os chilenos da Arauco que, segundo ele, não prosperaram e foram extremamente desgastantes. “Eles queriam pagar uma mixaria e não estavam dispostos a negociar nada, pensavam que por causa dos escândalos envolvendo essa empresa estaríamos dispostos a vender a qualquer preço”, diz. “Mas se enganaram, não estamos em liquidação”.
No processo de negociação, em um determinado momento a Funcef chegou a cogitar de ficar na Eldorado Celulose, mantendo a sociedade com a Arauco caso essa comprasse o controle da família Batista, dona da J&F Investimentos. “Mas colocamos três condições: a) que a Eldorado abrisse o capital; b) que a Eldorado não investisse na 2ª planta prevista; e c) que a Eldorado tivesse mais governança e mais transparência em suas operações. A Arauco, entretanto, segundo Werneck, não se comprometeu com nenhuma das condições. “Disseram que não abririam o capital, queriam investir na 2ª planta e a governança que a empresa tinha era suficiente. Então não tinha como a conversa continuar, resolvemos parar”, conta Werneck.
Ainda segundo ele, a Funcef propôs então vender sua participação à Arauco caso essa comprasse o controle da Eldorado Celulose à J&F Investimentos. “Mas o valor que eles estavam dispostos a pagar era irrisório, pensaram que por causa da crise a gente estaria disposto a vender a qualquer preço. Se enganaram, não estamos em liquidação”.
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