Acerto de R$ 9 milhões para evitar a convocação e citação do ex-presidente da Petros Wagner Pinheiro na CPI dos Fundos de Pensão,

Funaro afirma ter operado esquema de propina nos fundos de pensão da Cedae, dos Correios e da Petrobras

Doleiro relatou divisão de propina entre Cunha e Garotinho na Prece e suborno em CPI

Chico Otavio e Daniel Biasetto13/09/17 – 14h52
xcunha-funaro.jpg.pagespeed.ic.VPeId80srm.jpgO ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o doleiro Lúcio Bolonha Funaro– Montagem sobre fotos de André Coelho e Gustavo Miranda

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RIO – Dois anexos da delação premiada do doleiro Lúcio Funarosão dedicados a fundos de pensão e envolvem diretamente as previdências complementares dos Correios (Postalis) e da Cedae (Prece). No caso da estatal de águas e esgostos do Rio, o delator narra a participação do ex-deputado Eduardo Cunha e dos ex-governadores Rosinha e Anthony Garotinho na divisão de propinas.

O colaborador revelou ainda um acerto de R$ 9 milhões para evitar a convocação e citação do ex-presidente da Petros Wagner Pinheiro na CPI dos Fundos de Pensão, em 2015. Segundo ele, os valores foram acertados entre o deputado Sérgio de Souza (PMDB-PR), relator da comissão, um dos advogados de Cunha à época, Marcos Joaquim Gonçalvez, e o investidor Arthur Pinheiro Machado, quem teria feito a oferta.

Pinheiro acabou não sendo convocado para depor e muito menos indiciado no relatório final da CPI. Apesar da ‘taxa de sucesso’ do esquema, Funaro isenta Cunha de ter recebido propina nesse episódio.

A assessoria do deputado Sérgio de Souza afirmou que ele estava em reunião, e portanto, ainda não se pronunciou. Já o advogado Marcos Joaquim Gonçalvez não foi localizado.

O esquema na Prece, de acordo com Funaro, teve início em 2002, graças à ingerência que Cunha tinha no fundo de pensão da Cedae a partir do governo de Rosinha Garotinho. O doleiro afirma que propôs a Cunha ajudá-lo com recursos na campanha para Câmara dos Deputados em 2002 em troca de poder operar os investimentos da Prece no mercado financeiro.

Em junho, O GLOBO mostrou que desde 2002 Cunha já usava influência política para nomear gestores do fundo e lucrar com papeis podres no mercado a partir de convênio com a Caixa, em parceria com Funaro. Depois de 2006, o esquema se sofisticou e ficou conhecido dentro da estatal como “escola do crime”.

Funaro afirma em seu acordo de colaboração que operou na Prece durante toda a gestão de Rosinha (2003-2006), sempre com a participação de terceiros para receber taxas de administração, de onde obtinha os lucros. Rosinha e Garotinho, de acordo com o delator, tinham ciência do pagamento de propina a partir aplicações da Prece e que Garotinho operava o caixa 2 da ex-governadora.

Entre os papéis operados por ele são citados a Rio Bravo Investimentos e o CDB do Banco Rural, mas que as empresas detentoras desses fundos não tinham conhecimento de que parte da comissão paga a ele seria repassada como propina a políticos, sempre via caixa dois.

Ele afirma ter feito por pelo menos quatro vezes repasses para Garotinho por meio de uma pessoa chamada “Sérgio”, funcionário do ex-governador, sempre na cidade de Campos. Em apenas uma ocasião, o dinheiro foi pedido para um candidato a prefeito de Campos e para outro em São Paulo.

A prestação de contas era feita a Eduardo Cunha, de acordo com Funaro, quinzenalmente, “em reuniões que definiam a porcentagem de cada um, e em seguida os valores eram depositados na conta corrente já existente entre os dois.

Os fundos de pensão são um tipo de investimento no qual o trabalhador contribui com uma parte do salário para ter uma renda maior na hora de se aposentar. Com patrimônio bilionário, injetam o dinheiro em aplicações e projetos em busca de retorno financeiro. Sob influência de políticos, negócios arriscados podem resultar em prejuízos e colocar em risco a aposentadoria extra de milhares de trabalhadores.

POSTALIS

Já os fundos de pensão dos Correios, o Postalis, entrou mais tarde no esquema do operador, em 2010, facilitado pelo empresário e lobista Ricardo Luiz Peixoto Leal, cuja função era distribuir a propina para o ex-presidente e ex-diretor da estatal Alexej Predtechensky e Adilson Florêncio da Costa.

Predtechensky e Florêncio da Costa não foram localizados.

Funaro afirma que realizou operações no Postalis com CCB da empresa de água e esgoto de Santa Catarina (Casan), CDB do Banco BVA e venda de debêntures do Grupo Peixoto de Castro.

https://m.oglobo.globo.com/brasil/funaro-afirma-ter-operado-esquema-de-propina-nos-fundos-de-pensao-da-cedae-dos-correios-da-petrobras-21816453

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