A advogada deixou recentemente o escritório de advocacia onde trabalhava, em um movimento feito pelos sócios fundadores da Trench Rossi Watanabe
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!A advogada Esther Flesch, responsável por levar Marcelo Miller para o escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe — que atuou no acordo de delação da J&F —, foi a negociadora, em 2014, do fechamento de um acordo de compliance com a Petrobras, sete meses após o início da Operação Lava-Jato. Segundo o Correio apurou, o contrato inicial, firmado ainda sob a presidência de Graça Foster, era de R$ 10 milhões. Mas acabou vitaminado durante a gestão de Aldemir Bendine: o valor total beira, atualmente, os R$ 100 milhões.
Bendine está preso em Curitiba desde o fim de julho, acusado de pedir propina à Odebrecht às vésperas de assumir a presidência da Petrobras, em fevereiro de 2015. Ele teria continuado a pressionar os executivos da empreiteira quando já presidia a estatal e em plena vigência das investigações da Lava-Jato. Pessoas próximas a ele pressionam para o fechamento de um acordo de delação premiada, o que poderá expor ainda mais a atuação de Esther nesse campo de compliance.
A advogada deixou recentemente o escritório de advocacia onde trabalhava, em um movimento feito pelos sócios fundadores da Trench Rossi Watanabe, já aposentados, que formaram uma comissão para tentar “limpar a imagem” do escritório diante do desgaste decorrente da atuação no acordo de delação da J&F. Procurado pela reportagem, o escritório negou que haja uma intervenção branca. Mas a operação de assepsia já havia levado ao afastamento de Marcelo Miller.
A parceria fechada com a Petrobras, em outubro de 2014, veio para ajudar nos trabalhos do Comitê Especial criado por Graça Foster, que apurava as denúncias feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, um dos primeiros executivos a fechar um acordo de delação premiada com os investigadores da Operação Lava-Jato.
Composição
O Comitê é composto pela ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie; por Andreas Pohlmann, executivo da Siemens AG entre 2007 e 2010 — sendo responsável pela recuperação da empresa após um escândalo de corrupção e pagamento de propina —; e pelo ex-diretor de governança e Risco da Petrobras João Elek. Ele deixou o cargo após uma advertência da Comissão de Ética Pública da Presidência, ao contratar, sem licitação, em 2015, uma empresa de consultoria na qual a filha dele disputava uma vaga de emprego.
Para municiar os trabalhos da comissão, foram contratadas duas empresas independentes especializadas em investigação: a Trench, Rossi e Watanabe Advogado — graças à intermediação de Esther Flesch — e a norte-americana Gibson, Dunn & Crutcher LLP. Segundo fontes ouvidas pelo Correio, elas teriam sido admitidas, à época, sem licitação, com base em notório saber jurídico. Executivos do setor, contudo, buscaram blindar a atual direção da empresa, alegando que o comitê responde ao Conselho de Administração da Petrobras, mas não teria qualquer vinculação à atual diretoria, comandada por Pedro Parente.
R$ 100 milhões
Valor negociado em acordo de compliance com a Petrobras na gestão Aldemir Bendine
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2017/09/06/internas_polbraeco,623812/advogada-que-levou-miller-a-escritorio-foi-negociadora-da-petrobras-em.shtml
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