Compra de fatia minoritária assegurou negócio com J&F

Com a compra de uma fatia inicialmente minoritária na Eldorado Brasil, a Paper Excellence (PE) garantiu exclusividade sobre o ativo que vinha sendo disputado por outros rivais de peso. Além da chilena Arauco, que não chegou a um acordo de preço com a J&F, a brasileira Fibria estava no páreo e outro produtores e fundos asiáticos demonstraram interesse.

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Apesar de ser avessa a participações minoritárias, a PE aceitou fechar a compra de cerca de um terço da produtora de celulose até conseguir o controle como uma forma de tirar os concorrentes da jogada. Para conceder a exclusividade de negociação, a J&F pressionava pela inclusão contratual de uma pesada multa no caso de uma eventual desistência. O valor proposto não vinha sendo aceito pelos compradores.

A sugestão de fazer uma aquisição em etapas partiu dos assessores da PE na transação, o banco BTG Pactual e o escritório de advocacia Stocche Forbes. Ambos identificaram que compradores e vendedores tinham culturas empresariais parecidas, mais dispostos a tomar os riscos de ainda acabar uma diligência e de conseguir financiamentos.

Depois de assinado o contrato na madrugada de sábado, a PE terá 12 meses para fechar o financiamento da operação que avaliou a Eldorado em R$ 15 bilhões, cifra que inclui uma dívida líquida de R$ 7,5 bilhões. A ideia é que parte seja paga via dívida, contratada junto a bancos asiáticos, e parte com capital próprio. Pelos termos acertados, a PE terá entre 30% e 34,45% em um primeiro momento, mediante desembolso de pelo menos R$ 2,25 bilhões. O pagamento inicial será feito com caixa, segundo o Valor apurou.

Em até um ano, essa fatia da PE poderá subir a até 100%. A parcela final dependerá dos fundos de pensão Petros (da Petrobras) e Funcef (da Caixa Econômica Federal), que têm pouco mais de 17% da Eldorado. As fundações terão 30 dias, contados a partir de 25 de setembro, para exercer o direito de venda conjunta (“tag along”), de preferência ou ainda permanecer na empresa, o que não é mal visto pela PE.

Do lado dos compradores, segundo o Valor apurou, a percepção é a de que os fundos devem fechar negócio com o novo sócio da produtora de celulose. Em 2009, Petros e Funcef investiram R$ 225 milhões cada. Diante da oferta de R$ 15 bilhões, poderão sair com quase R$ 640 milhões cada um.

Pela frente, a PE ainda tem a negociação com os credores da companhia, entre eles o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa. Com a mudança de controle, o vencimento das dívidas pode ser antecipado.

Para convencer os financiadores a manter a maturidade dos empréstimos, a própria Eldorado deve apresentar a PE para os bancos e demais financiadores nas próximas semanas. A alguns interlocutores, porém, a PE tem dito estar preparada para honrá-los caso não tenha sucesso nas tratativas.

Com a participação minoritária, a PE ainda não poderá indicar conselheiros ou diretores à Eldorado, que segue presidida por José Carlos Grubisich, pelo menos até a mudança do controle. Pelo acordo assinado sábado, a PE tem apenas direitos de veto sobre alguns assuntos.

Uma diligência técnica na fábrica de Três Lagoas (MS) vai se estender até 25 de setembro, data de liquidação da primeira fase da compra. Mas o preço final não está sujeito a mudança por causa dessa auditoria e os compradores somente desistirão do negócio se encontrarem “algo muito sério” nesse período, o que lhe daria direito de sair sem nenhuma penalidade.

Para levar adiante a operação, a PE constituiu no Brasil a CA Investment S.A., uma sociedade do grupo que tem sede na Holanda e escritório central no Canadá.

http://mobile.valor.com.br/empresas/5105746/compra-de-fatia-minoritaria-assegurou-negocio-com-jf

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