Petrobras desenvolve separador submarino para Libra

Companhia detalhou as inovações em estudo e os números do maior projeto offshore brasileiro

O reservatório de Libra possui o tamanho da região metropolitana do Rio de Janeiro e o dobro da quantidade de gás da Bacia de Campos, com teores de dióxido de carbono que chegam a quase 50%. Seu sistema pioneiro – um navio-plataforma com capacidade de produção bem inferior aos FPSOs definitivos programados para desenvolver o futuro campo – é capaz de suportar o peso de seis aviões pendurados.

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

Os números e características do principal projeto offshore em andamento no Brasil levaram o gerente geral de implantação do Projeto Libra, Osmond Coelho Júnior, a finalizar sua apresentação no segundo dia da O&GTechweek, no Rio de Janeiro, com a célebre frase do escritor francês Jean Maurice Eugène Clément Cocteau: “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”.

Depois de sua participação no painel sobre o empreendimento, o executivo disse a jornalistas que a Petrobras chegou a avaliar a utilização de plataformas capazes de produzir até 300 mil barris por dia de petróleo em Libra até optar pelo modelo de 180 mil bopd – o que já representa um acréscimo de 20% em relação às plataformas que hoje operam no cluster do pré-sal da Bacia de Santos.

“Achamos que era um risco operacional muito elevado e que era melhor nos mantermos em um patamar mais administrável”, justificou.

Os desafios do projeto não se limitam, no entanto, a questões de ordem natural, aparecendo já na fase de contratação do primeiro sistema definitivo de Libra, cuja licitação foi judicializada em função das discussões sobre o conteúdo local da unidade de produção.

“A expectativa é receber um posicionamento da ANP ainda no mês de setembro, o que nos permitiria seguir adiante com a licitação”, contou o gerente do empreendimento, referindo-se ao pedido de waiver protocolado pela petroleira junto à agência reguladora. “Estamos firmes na tentativa de ter o contrato assinado até o fim do ano”.

No melhor dos cenários, a Petrobras lançará ainda em 2017 o edital para o FPSO de Libra 2, cujo primeiro óleo está previsto para 2022 – um ano após o primeiro sistema definitivo da área. Em fase de aprovação de seu projeto conceitual, a plataforma deve ser bem semelhante à primeira, mas com algumas otimizações no topside.

O gerente geral de Serviços e Operações Especializados de Libra, Orlando Ribeiro, explicou que os ganhos seriam viabilizados, por exemplo, pela redução do peso da unidade de desidratação de gás do FPSO em 1,5 mil t e pelo aumento da pressão de separação na planta, permitindo a eliminação de um compressor e reduzindo consumo de energia da plataforma.

Para Libra 3 e 4, Ribeiro prevê a aplicação de novas tecnologias e contratos submarinos; alternativas para exportação de óleo e gás e para a utilização do gás natural, bem como otimizações de projeto e execução de poços, além da redução de capex.

Com isso, a estatal espera atingir as metas do programa Libr@35, que consistem em uma diminuição de 35% dos custos; em um fator de recuperação de 35% e um break-even de US$ 35 por barril produzido, tendo em vista a competição com o shale gas.

Entre as soluções em estudo estão um sistema de separação submarina (Hi-Sep) que reinjetaria ou enviaria o gás associado produzido a um hub de gás, dando mais espaço para a produção de óleo no topside dos FPSOs. Patenteada pela Petrobras, a planta piloto deve chegar ao país no início de 2018 para ser testada.

Em paralelo, a companhia fará estudos conceituais das aplicações submarinas da tecnologia com os potenciais fornecedores, entre eles a Aker Solutions, Onesubsea (Schlumberger), TechnipFMC, GE O&G e a Saipem.

“Estamos investindo fortemente em tecnologias associadas ao gás natural porque a planta de gás ocupa cerca de 70% da área e do peso do FPSO”, observou Ribeiro.

Abalada por incidentes com risers flexíveis de injeção de gás no pré-sal de Santos, a Petrobras também avalia o uso de tubos de materiais compósitos em Libra. Além de potencialmente lidar melhor com o contato com o gás, essa solução viabilizaria, devido a seu peso menor, a configuração em catenária livre.

O lazy wave riser – esquema atualmente utilizado no pré-sal – demanda a utilização de 170 boias de flutuação para segurar as linhas, sendo que cada uma delas leva duas horas para ser instalada por barcos cuja diária pode chegar a meio milhão de dólares.

A nova geração de linhas flexíveis, revelou o gerente, está sendo desenvolvida em parceria com a TechnipFMC, NOV, GE O&G e a Airborne, mas isso não significa que a Petrobras tenha descartado a tecnologia de dutos rígidos para Libra. “Nossa ideia é fazer uma competição entre as soluções. Estamos detalhando esse procedimento agora para definir isso”, disse.

Outra inovação em análise é a introdução de um navio com posicionamento dinâmico (DP) entre o FPSO e o petroleiro convencional durante o offloading, a fim de reduzir o custo da operação de descarga. O projeto está sendo tocado em conjunto com a Cefront, que projeta a embarcação.

Na lista de futuras soluções ainda figuram uma nova tecnologia patenteada pela Shell em parceria com a Air Liquide, que seria capaz de remover H2S (sulfeto de hidrogênio), CO2 e água por uma só membrana, e a aplicação de completação inteligente multiplexada a fim de maximizar a recuperação dos reservatórios.

Poços e TLD

Até o momento, Libra tem oito poços perfurados, quatro testados e três completados. Outros dois estão sendo perfurados, e o planejamento é iniciar a perfuração dos poços do Sistema Piloto em 2019. Os contratos das sondas West Carina e West Tellus, responsáveis pelas campanhas de exploração conduzidas até agora, terminam entre 2018 e 2019.

“Temos que avaliar o que temos de campanha para avaliar a demanda”, comentou Osmond Coelho Júnior.

Ele prevê que o TLD de Libra, adiado em função de um incidente durante a operação de pull-in de um umbilical (linha de transmissão de dados entre a plataforma e os sistemas submarinos), deve ser iniciado entre o final de setembro e o mês de outubro – a licença de operação para os testes foi emitida pelo Ibama em julho. A expectativa é que a produção por poço chegue a 35 mil bopd.

http://brasilenergiaog.editorabrasilenergia.com/daily/bog-online/empresas/2017/08/petrobras-desenvolve-separador-submarino-para-libra-475617.html

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.


Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading