A propaganda da prefeitura de Macaé é um sinal dos tempos que vive o principal polo de apoio às atividades de exploração e produção offshore no país. Abalados pelas demissões em massa nos últimos anos, moradores fantasiam um cenário quase distópico, no qual a Petrobras se prepara para deixar o município com o fim das operações na Bacia de Campos.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Os boatos que começaram a correr pela cidade levaram a estatal a publicar, em mais de uma ocasião, comunicados oficiais negando as informações.
Hoje, no mês em que a Bacia de Campos completa 40 anos de produção, a estatal é categórica: há muito o que fazer na província. “Temos reservas, temos perspectivas, temos negócios para, pelo menos, outros 40 anos”, afirma o gerente geral da Unidade de Exploração & Produção da Bacia de Campos (UO-BC), Marcelo Batalha, que recebeu jornalistas na base operacional de Imbetiba nesta quinta-feira (17/8).
Em Macaé há mais de dez anos, o jovem gerente da Petrobras, de apenas 38 anos, destaca os empreendimentos que, segundo ele, garantirão a sobrevida da bacia nas próximas décadas, como o início de operação do FPSO Campos dos Goytacazes, no campo de Tartaruga Verde, no primeiro trimestre de 2018.
Na agenda também estão o projetos de revitalização de Marlim, a partir da próxima década, que poderá gerar um volume adicional de 900 milhões de boe, e a renovação de uma série de concessões, como a de Albacora. Ambas as áreas foram, nos últimos anos, palco de novas descobertas no pré-sal, como Bravo, Forno, Tracajá e, mais recentemente, Poraquê Alto.
A Petrobras se refere a esses prospectos como oportunidades de óleo rápido, pela facilidade de iniciar a produção devido à infraestrutura disponível na Bacia de Campos, onde estão instaladas 53 plataformas, além de dutos de exportação.
A companhia diz ter 48 projetos dessa natureza – de “desenvolvimento complementar” – que demandarão investimentos da ordem de US$ 10 bilhões. Os aportes preveem a construção de 80 poços produtores e 29 injetores, permitindo um incremento de 450 mil boe até 2021.
Os planos incluem a porção capixaba da Bacia de Campos, onde atualmente operam quatro plataformas interligadas a 44 poços produtores e 21 injetores. Em 2018, novos poços começarão a produzir nos campos de Baleia Azul e Cachalote, no Parque das Baleias.
A estatal ainda estuda instalar um FPSO de 100 mil bopd e 4 milhões m³/d de gás natural em 2021 na área. O plano é interligar a plataforma a 22 poços do pós e do pré-sal dos campos de Jubarte e Cachalote.
Descomissionamento
Além dos investimentos visando óleo novo, a Petrobras terá de desembolsar recursos para manter as dezenas de plataformas, linhas submarinas e os quase 500 poços existentes na bacia. São atividades que sustentarão a demanda por sondas e embarcações especiais, como as duas contratadas à Helix Energy (Siem Helix I e II) – equipamentos que também auxiliarão a desativação de projetos. “Temos uma carteira grande de abandono de poços”, ressalta Batalha.
O fechamento de campos é, contudo, a última opção no leque da petroleira, cujo objetivo é extrair até o último óleo economicamente viável de sua concessões. Estratégias como a do desenvolvimento complementar, aliadas a programas como o Proef, de eficiência operacional, ajudaram a companhia a melhorar esse aproveitamento, reduzindo a taxa de declínio da produção na região para a faixa dos 6%.
A marca ainda não é considerada suficiente pela petroleira, que pretende atrair parceiros para superá-la. “Há problemas específicos pelos quais outras operadoras já passaram. A ideia é trazer alguém que consiga, com um aporte de tecnologia, reduzir ainda mais esse declínio”, explica o gerente da Bacia de Campos.
Entre os candidatos estão a norueguesa Statoil e a portuguesa Galp, que já assinaram memorandos de entendimento com a Petrobras tratando do assunto.
Em alguns casos, porém, o plano é mesmo o de se desapegar. Três dos sete polos em águas rasas incluídos nos planos de desinvestimentos da Petrobras estão na Bacia de Campos: Pargo, Enchova e Pampo, abrangendo um total de 13 campos.
Batalha garante que o movimento não indica uma saída definitiva da Petrobras de empreendimentos de águas rasas. “O mais correto é dizer que a Petrobras está se desfazendo de áreas mais maduras, aproximando-se do fim do período produtivo, com o perfil de empresas de porte diferente do nosso”, esclarece.
Histórico
A primeira descoberta na Bacia de Campos foi feita em novembro de 1974 pelo navio-sonda Petrobras II, dando origem, posteriormente, ao campo de Garoupa. A produção começou, contudo, apenas três anos depois, no campo de Enchova, a partir de um sistema de produção antecipado desenvolvido por técnicos da Petrobras, em meio à crise internacional do petróleo.
A partir daí vieram as descobertas de campos gigantes em águas profundas, como o de Albacora, em 1984 – ano em que o Brasil superou a marca da extração de 500 mil bopd, tornando-se o terceiro maior produtor da América Latina. Mais tarde vieram campos como o de Marlim e Jubarte, onde foi registrada a primeira produção no pré-sal, em 2008
A experiência obtida na Bacia de Campos foi fundamental para o sucesso exploratório da Petrobras no pré-sal da Bacia de Santos, em lâminas d’água superiores a 2 mil m e profundidades de mais de 6 mil m – em alguns casos, a centenas de km da costa brasileira.
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